Compartilhando a conexão
Se você acessa via ADSL, é recomendável manter o modem configurado como bridge ao invés de configurá-lo como roteador. Dessa forma, o servidor recebe todas as portas de entrada, permitindo que você acesse o servidor remotamente via SSH (muito útil para prestar suporte remoto em servidores instalados por você) ou disponibilize um servidor web ou FTP. Embora acabe sendo mais trabalhoso, nada impede que você configure o modem como roteador e use o servidor para novamente compartilhar a conexão recebida do modem, acrescentando os demais serviços. Nesses casos, você vai precisar configurar o modem para encaminhar ao servidor as portas que devem ficar abertas, como a porta 22, usada pelo SSH (caso você pretenda administrar o servidor remotamente), por exemplo. Isso é feito através da interface de administração do modem, através da opção "Port Forwarding", ou similar:
As opções de configuração variam bastante de acordo com o modelo do modem, mas (com exceção de um punhado de modelos realmente muito antigos) deve estar disponível pelo menos a opção de criar regras estáticas de encaminhamento, onde você pode encaminhar um conjunto de portas, incluindo uma regra para cada uma. Na maioria dos casos, a interface de configuração do modem permite também encaminhar faixas de portas, ou criar uma DMZ (o que faz com que todas as portas sejam encaminhadas para o servidor, como se ele estivesse diretamente conectado à Internet). No final, sua rede ficaria com uma topologia similar a essa, com o servidor colocado entre a rede local e o modem. Uma das interfaces do servidor receberia um endereço de rede local, de forma a receber os acessos provenientes dos clientes da rede e a segunda seria configurada para acessar a Internet através do modem:
Ao usar uma conexão via cabo, o layout da rede continua o mesmo, a única diferença é que no acesso via cabo a configuração da conexão é mais simples, já que é preciso apenas obter a configuração da rede via DHCP e não é necessário configurar o roteamento de portas, já que o cable modem funciona como um bridge. Depois de montar o cabeamento da rede, comece configurando a rede local usando uma das faixas de endereços IP reservadas como, por exemplo, a 192.168.1.x, onde o servidor fica com o IP 192.168.1.1 (ou 192.168.1.254, caso prefira) e os micros da rede interna recebem endereços dentro da mesma faixa. O endereço IP de rede local do servidor (192.168.1.1 no exemplo) passa a ser o gateway da rede, já que é a ele que os clientes irão contactar quando precisarem acessar qualquer endereço externo:
No caso do servidor, o gateway padrão é definido apenas ao configurar a conexão com a Internet, não ao configurar a rede local. Caso você utilize um utilitário de configuração para configurar as interfaces de rede no servidor, configure primeiro a interface de rede local, mantendo os campos do default gateway e dos servidores DNS em branco, deixando para configurar a interface da Internet por último. Isso evita alguns erros comuns. Por exemplo, se você configurar a conexão com a web e depois configurar a rede local, colocando um endereço qualquer no campo "default gateway", o gateway informado na configuração da rede local vai substituir o gateway do provedor (definido ao conectar na internet), fazendo com que a conexão deixe de funcionar. Aqui temos um exemplo de configuração manual da rede para distribuições derivadas do Debian, onde a interface eth0 é usada como interface de rede local e a eth1 é usada como placa de internet, configurada via DHCP: # /etc/network/interfaces
auto
lo eth0 eth1
iface
eth0 inet static iface eth1 inet dhcp Depois de configurada a rede, verifique se consegue pingar os PCs da rede interna (ex: ping 192.168.1.61) a partir do servidor. Se estiver usando Linux nas estações, experimente ativar o servidor SSH em uma das estações e tentar se conectar a ela a partir do servidor.
Da primeira vez que configurar a
rede, use endereços IP estáticos para todas as
estações, pois assim é mais fácil
detectar problemas diversos. Depois de tudo funcionando, mude para
configuração via DHCP, como veremos a seguir. Se alguma
das estações estiver inacessível, verifique se
não existe um firewall ativo, verifique o cabo de rede e
experimente trocar a porta usada no switch.
No CentOS, Fedora e outras distribuições derivadas do Red Hat, é usado um arquivo de configuração independente para cada interface, salvo dentro da pasta "/etc/sysconfig/network-scripts/", de forma que a configuração do exemplo anterior ficaria:
#
/etc/sysconfig/network-scripts/ifcfg-eth0
#/etc/sysconfig/network-scripts/ifcfg-eth1 As linhas "HWADDR" são configuradas com os endereços MAC das interfaces de rede. Elas não são obrigatórias, apenas servem como uma garantia adicional de que os devices das interfaces não serão alterados caso você instale outras placas de rede no futuro. Note que ao conectar via ADSL com o modem configurado em modo bridge (onde você usa o "pppoeconf" ou o comando "adsl-start" para conectar), ou outra modalidade de acesso discado, a interface eth0 ou eth1 é substituída pela interface virtual ppp0. Ao usar uma placa wireless, a interface pode receber vários nomes, como "wlan0", "ath0" ou "ra0", de acordo com o chipset e o driver utilizado. É importante tomar nota dos devices utilizados por cada interface, já que precisaremos especificá-los nos passos seguintes. Em caso de dúvidas, cheque a configuração da rede usando o comando "ifconfig". » Próximo: Ativando o compartilhamento Você está lendo um tópico de demonstração do livro Servidores, Guia Prático:
Autor: Carlos E. Morimoto
Páginas: 736 Formato: 23 x 16 cm Editora: GDH Press e Sul Editores ISBN: 978-85-99593-13-4 Lançado em: Agosto de 2008 » R$ 76,00 + frete (Preço nas livrarias: R$ 96) » Compre o seu Descrição: O livro Redes e Servidores Linux - Guia Prático foi nosso primeiro best-seller, vendendo um total de 8.000 exemplares em suas duas edições. O processo de atualização do livro acabou dando origem a dois livros separados. O primeiro deles é o livro Redes - Guia Prático, que aborda detalhes sobre a implantação e configuração de redes, abordando detalhes sobre os padrões de rede, configuração no Windows e Linux, configuração de redes wireless e outros temas. O livro Servidores Linux, Guia Prático é o segundo livro da série, que complementa o primeiro, oferecendo uma visão aprofundada sobre a configuração de servidores Linux. No livro você aprenderá a configurar tanto servidores de rede local quanto servidores dedicados, incluindo a configuração do Squid, Samba, Apache, SSH, LTSP, Postfix, Iptables, Bind, Quota e outros serviços. O livro inclui também capítulos sobre virtualização e sobre hardware para servidores, que complementam as informações abordadas nos demais.
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