Usando o VNCserver
Um dos problemas mais comuns, que qualquer um se depara ao tentar ajudar um cliente, ou amigo pelo telefone, a resolver problemas do tipo "meu PC está travando", é que nem sempre o usuário saberá lhe dizer exatamente o que está se passando. Frases do tipo "apareceu uma janelinha piscando" nem sempre ajudam muito :-). Outro caso comum é alguém que trabalha em trânsito, ou viaja muito, e precisa acessar arquivos ou programas que estão no PC de casa. O VNC é até semelhante a programas como o PC Anyware, mas traz a vantagem de ser aberto e gratuito. Além disso, ele é bem simples de usar e tem versões para Linux, Windows, Solaris, BeOS, Amiga e até mesmo para palmtops Pocket PC ou Palm. Ele pode ser usado tanto para acessar PCs ligados em uma rede local, quanto via internet. O VNC se divide em dois módulos: o módulo servidor e o módulo cliente. O módulo servidor deve ser instalado no micro que ficará acessível, bastando usar o módulo cliente para acessá-lo de qualquer outro. O mais interessante é que os módulos são intercompatíveis, ou seja, você pode acessar uma máquina rodando Linux a partir de outra que roda Windows, ou mesmo acessar ambas a partir de um Pocket PC com rede wireless. O programa exibe uma janela com o mesmo conteúdo da área de trabalho do micro que está sendo acessado, permitindo que você o utilize como se estivesse de frente para ele. Isso é perfeito para quem trabalha com suporte, pois basta pedir para o usuário abrir o programa ao invés de ficar perguntando pelo telefone, o que torna o atendimento bem mais rápido. O servidor VNC pode ser encontrado na maior parte das distribuições na forma do pacote "vncserver" ou "tightvncserver". Você pode também baixar o pacote disponível no http://www.tightvnc.com/download.html que, embora antigo e compilado para o Red Hat 7, ainda funciona na maioria das distribuições. Para abrir o servidor VNC, basta usar (como usuário, não como root) o comando:
$ vncserver Da primeira vez que é executado, ele pede para definir uma senha de acesso, que deve ser fornecida pelos clientes. O VNCserver abre uma sessão separada do servidor X, independente da tela :0 que você vê no monitor. Isso permite que outras pessoas acessem o mesmo PC ou servidor sem atrapalhar quem está trabalhando nele. O servidor VNC abre o desktop do usuário que o chamou, com as mesmas permissões de acesso. Justamente por isso, você nunca deve abri-lo como root, salvo tarefas de manutenção em que isso seja realmente necessário. Ao dar acesso à sua máquina para outra pessoa, o ideal é criar um novo usuário e usá-lo para abrir o VNC. Assim, você não corre o risco do seu amigo sair deletando seus arquivos e alterando suas configurações. É possível abrir várias sessões independentes executando o comando VNCserver várias vezes. As sessões do VNC são numeradas de :1 em diante. Cada vez que o comando VNCserver é executado, você recebe uma mensagem avisando sobre o número da sessão aberta:
New
'X' desktop is kurumin:1 Para acessar a partir de outra máquina Linux, use o comando: $ vncviewer 192.168.0.1:1 ... onde o "192.168.0.1" é o IP da máquina que está sendo acessada e o ":1" é o número da sessão. Você pode utilizar também o krdc (Conexões com Ambiente de Trabalho Remoto), um aplicativo que faz parte do KDE. Ele pode ser utilizado tanto como cliente do VNC, quanto fazer par com o krfb, que permite compartilhar a área de trabalho (a tela :0, local) através de uma sessão do VNC, uma possibilidade interessante para fins de suporte.
O VNCserver do Debian vem configurado para abrir uma tela de 1024x768 com 8 bits de cor (no Kurumin o padrão é 1012x704 com 16 bits de cor, para ocupar quase toda a tela, mas sem cobrir a barra de tarefas do KDE ou do Windows). Para alterar a configuração padrão, abra o arquivo "/etc/vnc.conf" e procure pelas linhas:
$geometry
="1012x704"; Você pode alterá-las para o valor desejado. O VNC pode ser aberto em qualquer resolução (como os 1012x704 do Kurumin), não é necessário usar uma das resoluções padrão. Uma opção para abrir diversas sessões do VNC, com resoluções diferentes, é usar o comando VNCserver com os parâmetros "-depth" e "-geometry", como em: $ vncserver -depth 16 -geometry 800x600 Em geral, o VNCserver vem configurado nas distribuições para usar o KDE ou Gnome como gerenciador de janelas padrão nas sessões abertas. Dependendo da versão do VNC, você pode alterar esta configuração dentro do arquivo ".xsession" ou ".vnc/xstartup", dentro do diretório home. Substitua o "startkde" ou "gnome-desktop" pelo comando que inicializa o gerenciador de janelas desejado, como, por exemplo, "wmaker" ou "fluxbox". Uma vez abertas, as sessões do VNC ficam abertas até que o servidor seja reiniciado. Isso é bom em muitas situações, pois você pode se conectar a partir de diferentes micros da rede e sempre continuar exatamente de onde parou, sem precisar ficar abrindo e fechando a sessão. Mas, por outro lado, isso é ruim, pois sempre acabam sobrando sessões "esquecidas". Para fechar as sessões, use a opção "-kill", seguida pelo número da sessão, como em: $ vncserver -kill :1 Outra possibilidade interessante é acessar o cliente usando um browser com suporte a Java. O VNC inclui um mini-servidor http, que permite que as sessões compartilhadas sejam acessadas a partir de qualquer navegador com o suporte a Java instalado. Na maioria das distribuições, o módulo vem incluído no pacote do VNC ou TightVNC, enquanto em outras é necessário instalar o pacote "vnc-java". Com o módulo instalado, não é necessário fazer nenhuma configuração adicional para ativá-lo; ele fica automaticamente disponível sempre que uma sessão do VNC for aberta. No cliente, basta abrir o navegador e acessar o endereço "http://192.168.0.1:5801", onde o "192.168.0.1" é o IP do servidor e o "5801" indica o número da sessão. A sessão :1 é acessada pela porta 5801, a sessão :2 pela 5802, e assim por diante. No VNC Server for Windows, onde é compartilhada a tela local, acesse a porta 5800. O applet Java é uma versão simplificada do cliente VNC e pode ser acessado tanto a partir do Firefox e IE, quanto a partir de outros navegadores com suporte a Java. Ele é uma opção útil em máquinas onde o cliente VNC não esteja instalado, mas tem a desvantagem de ser perceptivelmente mais lento. Note que a porta usada pelo Applet Java (5800 + o número de tela) é diferente da porta usada pelo servidor VNC propriamente dito (acessado pelo cliente VNC), que precisa ser aberta no firewall do servidor. O servidor regular utiliza a porta 5900 em diante: 5901 para a sessão :1, 5902 para a sessão :2, e assim por diante. » Próximo: TightVNC Você está lendo o livro Redes e Servidores Linux 2ed. (publicado em 2006). Se se está em busca de um livro atualizado sobre servidores, leia o Servidores Linux, Guia Prático, que oferece informações atualizadas:
Autor: Carlos E. Morimoto
Páginas: 736 Formato: 23 x 16 cm Editora: GDH Press e Sul Editores ISBN: 978-85-99593-13-4 Lançado em: Agosto de 2008 » R$ 76,00 + frete (Preço nas livrarias: R$ 96) » Compre o seu Descrição: O livro Redes e Servidores Linux - Guia Prático foi nosso primeiro best-seller, vendendo um total de 8.000 exemplares em suas duas edições. O processo de atualização do livro acabou dando origem a dois livros separados. O primeiro deles é o livro Redes - Guia Prático, que aborda detalhes sobre a implantação e configuração de redes, abordando detalhes sobre os padrões de rede, configuração no Windows e Linux, configuração de redes wireless e outros temas. O livro Servidores Linux, Guia Prático é o segundo livro da série, que complementa o primeiro, oferecendo uma visão aprofundada sobre a configuração de servidores Linux. No livro você aprenderá a configurar tanto servidores de rede local quanto servidores dedicados, incluindo a configuração do Squid, Samba, Apache, SSH, LTSP, Postfix, Iptables, Bind, Quota e outros serviços. O livro inclui também capítulos sobre virtualização e sobre hardware para servidores, que complementam as informações abordadas nos demais. Veja também nossos livros Hardware, o Guia Definitivo, Redes, Guia Prático, Smartphones, Guia Prático e Linux, Guia Prático, nossos outros lançamentos. |
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