Configurando um servidor proxy com o Squid
Ao compartilhar via NAT, os micros da rede acessam a internet diretamente, sem restrições. O servidor apenas repassa as requisições recebidas, como um garoto de recados. O proxy é como um burocrata que não se limita a repassar as requisições: ele analisa todo o tráfego de dados, separando o que pode ou não pode passar e guardando informações para uso posterior. Compartilhar a conexão via NAT é mais simples do que usar um proxy como o Squid sob vários aspectos. Você compartilha a conexão no servidor, configura os clientes para o utilizarem como gateway e pronto. Ao usar um proxy, além da configuração da rede, é necessário configurar o navegador e cada outro programa que for acessar a internet em cada cliente para usar o proxy. Esta é uma tarefa tediosa e que acaba dando bastante dor de cabeça a longo prazo, pois toda vez que um micro novo for colocado na rede ou for preciso reinstalar o sistema, será preciso fazer a configuração novamente. A configuração do proxy muda de navegador para navegador. No Firefox, por exemplo, você a encontra em "Editar > Preferências > Geral > Proxy". No IE, a configuração está em "Opções da Internet > Opções > Configurações da Lan > Usar um servidor Proxy".
Além do navegador, outros programas podem ser configurados para trabalhar através do proxy: clientes de ICQ e MSN e até programas P2P. As vantagens de usar um proxy são basicamente três: 1- É possível impor restrições de acesso com base no horário, login, endereço IP da máquina e outras informações e bloquear páginas com conteúdo indesejado. 2- O proxy funciona como um cache de páginas e arquivos, armazenando informações já acessadas. Quando alguém acessa uma página que já foi carregada, o proxy envia os dados que guardou no cache, sem precisar acessar a mesma página repetidamente. Isso acaba economizando bastante banda, tornando o acesso mais rápido, sem precisar investir em uma conexão mais rápida. Hoje em dia os sites costumam usar páginas dinâmicas, onde o conteúdo muda a cada visita, mas, mesmo nestes casos, o proxy dá uma ajuda, pois embora o html seja diferente a cada visita, e realmente precise ser baixado de novo, muitos componentes da página, como ilustrações, banners e animações em flash, podem ser aproveitados do cache, diminuindo o tempo total de carregamento. Dependendo da configuração, o proxy pode apenas acelerar o acesso às páginas ou servir como um verdadeiro cache de arquivos, armazenando atualizações do Windows Update, downloads diversos e pacotes instalados através do apt-get, por exemplo. Ao invés de ter que baixar o Service Pack XYZ do Windows XP ou o OpenOffice nos 10 micros da rede, você vai precisar baixar apenas no primeiro, pois os outros 9 vão baixar a partir do cache do Squid. 3- Uma terceira vantagem de usar um proxy é que ele loga todos os acessos. Você pode visualizar os acessos posteriormente usando o Sarg, assim você sabe quem acessou quais páginas e em que horários. Além de tudo, o Squid é "dedo-duro" ;). Mesmo assim, você pode estar achando que as vantagens não vão compensar o trabalho de sair configurando micro por micro, programa por programa para usar o proxy, e que é mais fácil simplesmente compartilhar via NAT. Mas existe a possibilidade de juntar as vantagens das duas formas de compartilhamento, configurando um proxy transparente como veremos adiante. Ao usar um proxy transparente, você tem basicamente uma conexão compartilhada via NAT, com a mesma configuração básica nos clientes. O proxy entra na história como um adicional. Uma regra de firewall envia as requisições recebidas na porta 80 do servidor para o proxy, que se encarrega de responder aos clientes. Toda a navegação passa a ser feita automaticamente através do proxy (incluindo o cache dos arquivos do Windows update, downloads diversos e os pacotes instalados através do apt-get), sem que você precise fazer nenhuma configuração adicional nos clientes :).
O Kurumin inclui um script de instalação e configuração de proxy, disponível juntamente com meus outros scripts no painel de configuração de servidores. O script permite instalar o proxy, estabelecer algumas restrições de acesso e ativar o proxy transparente de forma simples. Neste tópico veremos como configurar o Squid "no muque" e criar regras elaboradas de restrição de acesso em qualquer distribuição.
» Próximo: Instalando o Squid Você está lendo o livro Redes e Servidores Linux 2ed. (publicado em 2006). Se se está em busca de um livro atualizado sobre servidores, leia o Servidores Linux, Guia Prático, que oferece informações atualizadas:
Autor: Carlos E. Morimoto
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