Usando o VMware Player
Existem também casos de administradores de rede ou desenvolvedores que precisam de uma instalação do Windows para testes. Acaba sendo mais prático usar o VMware do que manter uma segunda máquina ou configurar os dois sistemas em dual-boot. Uma das grandes vantagens de usar o Windows em uma máquina virtual, ao invés de mantê-lo em dual-boot, é a facilidade de fazer backups e restaurações da máquina virtual em caso de vírus ou problemas, já que você só precisa salvar uma cópia da pasta com a VM e restaurá-la quando qualquer coisa der errado. Outra questão é que a mesma máquina virtual pode ser instalada em outros micros com o VMware: basta novamente copiar a pasta. Ou seja, usando uma VM, você não precisa mais perder tempo reinstalando o sistema. Basta fazer uma instalação "modelo", já com tudo configurado e ir apenas copiando a pasta conforme necessário. Além do Windows, é possível rodar outras distribuições Linux ou mesmo outros sistemas operacionais para micros PC (como o Sylabis, ReactOS, SkyOS e muitos outros sistemas "alternativos" que temos disponíveis hoje em dia), permitindo que você teste diversos sistemas sem precisar ficar formatando o HD. Note que o VMware resolve apenas o aspecto técnico da questão. Você continua tendo que ter as licenças das cópias do Windows e de outros sistemas que for instalar dentro da máquina virtual, caso contrário está incorrendo em pirataria da mesma forma. Uma observação com relação a isso é que muitos micros (e quase todos os notebooks) vêm com uma licença do Windows de qualquer forma e esta é uma boa maneira de aproveitá-la sem sair do Linux.
Seja rodando sobre o Windows ou sobre o Linux, os requisitos para usar o VMware continuam sendo basicamente os mesmos, já que você precisa ter memória RAM suficiente para rodar dois sistemas operacionais. Como citei no tópico anterior, o mínimo recomendável são 512 MB de RAM e o ideal (principalmente se você pretende rodar mais de uma máquina virtual simultaneamente) são 1 GB. Um processador rápido também ajuda bastante, já que ele passa a ter o dobro da carga de trabalho. Calcule que, rodando o Kurumin 7 e uma VM com o Windows XP SP 2, seu PC consome aproximadamente a mesma quantidade de memória e processamento que uma instalação "simples" do Vista, com o Aero desativado. Ou seja, você leva dois pelo preço de um :). Embora hoje em dia usar uma máquina virtual seja algo corriqueiro, os softwares de emulação e virtualização passaram por uma longa evolução antes de chegar ao que temos hoje. Começando do básico, quase tudo pode ser simulado via software. É possível até mesmo simular um computador de arquitetura diferente, para que os softwares escritos para ele rodem da mesma forma que rodam dentro do seu sistema nativo. Um dos exemplos mais conhecidos são os emuladores de videogames antigos, que permitem rodar jogos de Atari, Nintendo 8 bits, Mega-Drive, Super-Nes, Playstation e outros, como o Generator e o Zsnes incluídos no Kurumin:
Assim como é possível emular um videogame para rodar os jogos escritos para ele, é possível simular um PC completo e rodar outros sistemas operacionais, dentro de uma janela. Isso permite que você rode o Windows dentro do Linux ou vice-versa. Esse PC "de mentira" é chamado de máquina virtual. O sistema principal neste caso passa a ser chamado de host (hospedeiro) e o outro sistema operacional que está rodando dentro da máquina virtual é chamado de "guest" (convidado). Ele acha que tem um PC completo para si, quando, na verdade, está rodando dentro de uma "matrix", na máquina virtual. Naturalmente, este trabalho de simular um PC completo e ainda por cima com um bom desempenho não é simples, veja o caso dos emuladores de videogame, que sempre precisam de um PC muito mais poderoso do que o sistema original. É preciso um Pentium 200 para emular um Super Nes (que usa um processador de 3.5 MHz e 128 KB de RAM) com qualidade. Existem atualmente três softwares que se destacam nesta categoria, o VMware (que já conhecemos), Qemu e o Xen, que trabalham de forma ligeiramente diferente, mas com grandes diferenças práticas. O VMware usa um conceito de virtualização. Ele tenta sempre que possível converter os comandos usados pelo sistema dentro da máquina virtual em comandos que o sistema host entenda e execute diretamente. Por exemplo, se o Windows dentro da máquina virtual tenta tocar alguma coisa na placa de som, o VMware simplesmente pega os dados e toca na placa de som "real" do micro, como se fosse outro programa qualquer. O mesmo se aplica a todo tipo de instruções básicas, que são executadas diretamente pelo processador principal. O VMware interpreta e converte instruções o mínimo possível. O Qemu, por sua vez, é um emulador. Ele tenta processar todas as instruções, o que acaba demorando mais tempo e fazendo com que a performance seja menor. Em geral, o VMware (nas versões recentes) consegue fazer com que o sistema guest rode com 60 a 90% do desempenho que teria se estivesse rodando diretamente, enquanto que o Qemu obtém de 5 a 10%. O Qemu possui um módulo adicional, o Kqemu, que faz com que ele passe a funcionar de forma mais similar ao VMware, virtualizando as instruções básicas do processador, ao invés de emular tudo. O Kqemu melhora consideravelmente o desempenho do Qemu, mas ainda assim o deixa bem atrás do VMware em questão de desempenho. O Qemu é a base também para o KVM, um sistema de virtualização incluído diretamente no Kernel, que estará disponível a partir do 2.6.20. O VMware e o Qemu são os mais usados nos desktops, mas existe uma terceira opção, muito popular nos servidores, o Xen. Ele utiliza uma idéia diferente, a paravirtualização, que consiste em dividir de forma transparente os recursos do hardware, permitindo que o sistema guest rode com uma redução de performance muito pequena (menos de 5%, na maioria dos casos). O maior problema é que para rodar dentro do Xen é necessário que o sistema guest seja modificado. Não é possível rodar qualquer sistema diretamente, como no caso do VMware e do Qemu. Isto não é um grande problema no caso das distribuições Linux, mas é no caso do Windows e outros sistemas de código fechado. O Xen é muito mais complicado de configurar que o VMware. No caso dos servidores (onde temos um público da área técnica) isto não chega a ser um grande problema, mas nos desktops ele é ainda pouco usado. Mesmo assim, é possível que o Xen evolua em termos de facilidade de uso e, graças ao bom desempenho, comece a disputar diretamente com o VMware. A página do Xen é a http://www.xensource.com/.
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Autor: Carlos E. Morimoto
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