A questão dos pacotes
O problema é que instalar programas a partir dos fontes é demorado e nem sempre simples, já que você precisa ter instalados uma grande quantidade de compiladores e bibliotecas, necessários para compilar os mais diversos programas. Existem incontáveis pequenas bibliotecas e ferramentas de desenvolvimento por aí e não é muito viável tentar manter todas elas instaladas. Compilar significa transformar o código fonte, escrito pelo programador, nos arquivos binários que são executados pelo sistema. Ao compilar um programa, são gerados vários executáveis, bibliotecas e arquivos de configuração, que são copiados para pastas específicas do sistema. Os executáveis vão para a pasta "/usr/bin", as bibliotecas para a "/usr/lib", os arquivos de configuração para o "/etc" e assim por diante. Alguém chegou, então, a uma conclusão obvia: ao invés de cada um ter que ter o trabalho de compilar o programa na sua própria máquina, seria mais simples se alguém compilasse e distribuísse um arquivo pronto, com os componentes já compilados, em um formato simples de instalar. Nasciam então os pacotes pré-compilados :). Os pacotes são uma idéia muito simples. Você cria um arquivo compactado contendo a mesma estrutura de pastas e arquivos que seria criada ao instalar o programa manualmente. Ao instalar o pacote, os arquivos são descompactados no diretório raiz, fazendo com que todos os arquivos sejam colocados nos diretórios corretos. Ao desinstalar o pacote, os arquivos são removidos, deixando o sistema da forma como estava inicialmente. Uma forma rápida e limpa de instalar programas. Existem basicamente três formatos de pacotes diferentes: os pacotes .deb, usados pelas distribuições derivadas do Debian (incluindo o Kurumin, Ubuntu e Kubuntu), os pacotes .rpm, usados pelas distribuições derivadas do Red Hat (Fedora, Mandriva e outros) e os pacotes .tgz, usados pelo Slackware e derivados. Não existe nada de fundamentalmente diferente entre os três formatos e é inclusive possível transformar um pacote .rpm em um pacote .deb. Entretanto, devido às diferenças que existem entre uma distribuição e outra, não existe garantia de que um pacote do Fedora funcionará no Debian, por exemplo. O próximo passo foi a criação dos gerenciadores de pacotes, programas que permitem baixar e instalar novos programas de forma automática, verificando as dependências e, caso necessário, baixar outros programas e bibliotecas de que o programa inicial precisa. Já vimos alguns exemplos do uso do apt-get, o gerenciador usado nas distribuições derivadas do Debian. Além dele, temos também o urpmi, usado no Mandriva, o yum, usado no Fedora, e o emerge, usado no Gentoo. Você pode perguntar por que não fazem como no Windows, onde cada programa tem seu instalador. Na verdade, muitos programas são distribuídos desta forma, como o Java, OpenOffice, Firefox, Thunderbird, VMware e diversos games. Nestes casos, você simplesmente executa o arquivo e o instalador se encarrega do resto da instalação. O inconveniente é que estes pacotes são desenvolvidos para funcionar em qualquer distribuição, por isso incluem todo tipo de bibliotecas e módulos de que o programa possa precisar, sem reaproveitar os componentes que você já tem instalados. Isso faz com que os pacotes sejam práticos de instalar, mas em compensação bem maiores (e mais pesados), assim como muitos dos programas do Windows. Em resumo, podemos dizer que existem três formas de instalar programas no Linux: 1- Usar o apt-get ou outro gerenciador de pacotes para instalar pacotes próprios da distribuição em uso. Esta é a forma mais simples e menos passível de problemas, que você usa sempre que possível. 2- Programas com instaladores próprios, destinados a funcionar em várias distribuições. Eles também são simples de instalar, mas não tão simples quanto usar o apt-get. Muitos programas são distribuídos apenas desta forma, como o VMware. 3- Instalar o programa a partir do código fonte, o que pode ser necessário no caso de aplicativos pouco comuns, que não estejam disponíveis de outra forma. » Próximo: Instalando programas com o apt-get Você está lendo o livro Kurumin 7 - Guia prático (lançado em 2007) Se se está em busca de um livro atualizado sobre Linux, leia o Linux, Guia Prático, que oferece informações atualizadas:
Autor: Carlos E. Morimoto
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