Capítulo 1: Uma Introdução
O sistema operacional é provavelmente o software mais importante em qualquer computador. Ele é o responsável por ativar todos os periféricos e criar o ambiente sobre o qual todos os outros programas rodam. O Windows é o sistema mais usado, por isso ele acaba sendo a plataforma mais familiar para muitos de nós. Como qualquer sistema, o Windows possui sua dose de problemas, entretanto (como mais gente usa) é normalmente mais fácil conseguir ajuda. O domínio da Microsoft na área de sistemas operacionais começou em 1981, com o lançamento do primeiro PC e da primeira versão do MS-DOS. Embora não tivesse nada de especial com relação a outros sistemas da época, o DOS cresceu em popularidade junto com os PCs, seguido pelas diversas versões do Windows. Contudo, a Microsoft é uma página recente na história da informática. Enquanto o MS-DOS ainda dava seus primeiros passos, o Unix já era um sistema maduro, usado na maioria dos computadores de grande porte e em estações de trabalho. A história do Unix começa em 1969, na frente de um computador igual a este:
Este é um PDP-7, que, na década de 60, era um minicomputador de "baixo custo" (custava 72.000 dólares da época), equipado com apenas 8 kbytes de memória RAM. Hoje mesmo as agendas de bolso, das mais baratas, possuem bem mais memória do que ele. Devido às pesadas limitações do equipamento, o sistema operacional deveria ser extremamente enxuto e otimizado, de forma a extrair o máximo do equipamento, consumindo um mínimo de memória. A combinação da criatividade dos desenvolvedores, a necessidade e as limitações impostas pelo equipamento, resultaram em um sistema bastante otimizado e elegante. Muitas das idéias surgidas nesta época continuam sendo usadas até hoje. O Unix evoluiu durante a década de 70, passando a ser usado em cada vez mais equipamentos e ganhando mais recursos. Quase sempre ele era usado em aplicações "sérias", incluindo instalações militares, bancos e outras áreas onde não existe margem para falhas. Devido a tudo isso o sistema se tornou muito robusto e estável. Os primeiros sistemas Unix foram desenvolvidos de forma colaborativa, dentro de universidades e centros de pesquisas. Embora naquela época ainda não existisse a internet como a conhecemos hoje, existia uma grande colaboração entre os desenvolvedores. Isso mudou na década de 1980, quando empresas como a AT&T, Sun e SCO, que detinham os direitos sobre o sistema, passaram a desenvolver versões proprietárias e a concorrerem entre si. A colaboração deixou de acontecer e a plataforma foi fragmentada em versões incompatíveis. Outro fator importante foi a falta de investimentos em versões destinadas a micros PCs. Na época, os PCs eram vistos como computadores muito limitados, incapazes de rodar sistemas Unix completos. Lembre-se de que estou falando do início da década de 80, quando ainda eram usados micros XT e 286 :). Somados, estes dois fatores fizeram com que a plataforma definhasse, deixando o caminho livre para o crescimento da Microsoft. Chegamos, então, ao Linux. Tudo começou em 1991, quando Linus Torvalds começou a trabalhar no desenvolvimento de um sistema Unix para rodar em seu 386. Na época, o único sistema similar era o Minix, um sistema para uso acadêmico, que era bastante limitado. No início, Linus usava o Minix para rodar os programas de desenvolvimento, mas, a partir de um certo ponto, ele passou a usar o próprio Linux. De início, o Linux era um projeto muito pequeno, o hobby de um único programador. Entretanto, ele tinha uma grande vantagem em relação aos sistemas UNIX que o precederam: o simples fato de ser disponibilizado sob a licença GPL. Isso permitiu que outros programadores adotassem o projeto, passando a contribuir com melhorias e correções. O sistema passou a crescer em um ritmo cada vez mais acelerado, chegando ao que temos nos dias de hoje. Ao ver micros com Linux em exposição nas lojas e em mercados, tenha em mente que esta é apenas a ponta do iceberg. O uso do Linux em micros domésticos, pelo grande público, é uma coisa relativamente recente. Antes de chegar aos desktops, o Linux cresceu entre os desenvolvedores e usuários avançados, dominou os servidores, invadiu o mundo dos dispositivos embarcados (celulares, roteadores, pontos de acesso wireless e até mesmo modems ADSL) e se tornou o sistema dominante no mundo dos supercomputadores. Segundo o http://www.top500.org/ (que mantém um rank atualizado dos 500 supercomputadores mais poderosos do mundo) em julho de 2006 tínhamos 370 dos 500 supercomputadores mais poderosos rodando diferentes versões do Linux. Dos restantes, 125 rodavam outros sistemas Unix, 4 rodavam o Mac OS X e apenas um (um dos últimos da lista) rodava o Windows Cluster Server 2003, uma versão do Windows especialmente otimizada para a tarefa.
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Autor: Carlos E. Morimoto
Páginas: 736 Formato: 23 x 16 cm Editora: GDH Press e Sul Editores » Veja mais detalhes sobre o livro Descrição: Em 2001 publiquei a edição inicial do livro "Entendendo e Dominando o Linux", que foi sucedida por diversas atualizações, culminando no livro que está atualmente disponível para leitura online. O livro Linux, Guia Prático é um novo trabalho, onde pretendo transmitir a experiência e os conhecimentos acumulados ao longo de todos esses anos. Este é um livro de referência, destinado a mostrar detalhes sobre a configuração e uso do sistema, abordando diversas distribuições, incluindo o Ubuntu, Mandriva, Fedora, OpenSUSE e Slackware. Temas gerais, como os aplicativos disponíveis e o uso do terminal são explicados de forma independente, enquanto as configurações específicas para cada distribuição são agrupadas em capítulos específicos para cada uma. A idéia é oferecer os meios para que você se torne um usuário avançado, capaz de usar e solucionar problemas em qualquer distribuição. Veja também nossos livros Hardware, o Guia Definitivo, Redes, Guia Prático, Servidores Linux, Guia Prático e Smartphones, Guia Prático nossos outros lançamentos. |
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