SATA
Mesmo quando foram introduzidas as interfaces ATA/66, a única grande mudança foi a introdução dos cabos de 80 vias, desenvolvidos de forma a permitir taxas de transmissão maiores, sem contudo mudar o sistema de sinalização, nem os conectores. A partir de um certo ponto, ficou claro que o padrão IDE/ATA estava chegando ao seu limite e que mudanças mais profundas só poderiam ser feitas com a introdução de um novo padrão. Surgiu então o SATA (Serial ATA). Assim como o PCI Express, o SATA é um barramento serial, onde é transmitido um único bit por vez em cada sentido. Isso elimina os problemas de sincronização e interferência encontrados nas interfaces paralelas, permitindo que sejam usadas freqüências mais altas. Graças a isso, o cabo SATA é bastante fino, contendo apenas 7 pinos, onde 4 são usados para transmissão de dados (já que você precisa de 2 fios para fechar cada um dos dois circuitos) e 3 são neutros, que ajudam a minimizar as interferências.
Os cabos SATA são bem mais práticos que os cabos IDE e não prejudicam o fluxo de ar dentro do gabinete. Os cabos podem ter até um metro de comprimento e cada porta SATA suporta um único dispositivo, ao contrário do padrão master/slave do IDE/ATA. Por causa disso, é comum que as placas-mãe ofereçam 4 portas SATA (ou mais), com apenas as placas de mais baixo custo incluindo apenas duas. No final, o ganho de desempenho permitido pela maior freqüência de transmissão acaba superando a perda por transmitir um único bit por vez (em vez de 16), fazendo com que, além de mais simples e barato, o padrão SATA seja mais rápido. Existem três padrões de controladoras SATA, o SATA 150 (também chamado de SATA 1.5 Gbit/s ou SATA 1500), o SATA 300 (SATA 3.0 Gbit/s ou SATA 3000) e também o padrão SATA 600 (ou SATA 6.0 Gbit/s), que ainda está em desenvolvimento. Como o SATA utiliza dois canais separados, um para enviar e outro para receber dados, temos 150 ou 300 MB/s em cada sentido, e não 133 MB/s compartilhados, como no caso das interfaces ATA/133. Os nomes SATA 300 e SATA 3000 indicam, respectivamente, a taxa de transferência, em MB/s e a taxa "bruta", em megabits. O SATA utiliza o sistema de codificação 8B/10B, o mesmo utilizado pelo barramento PCI Express, onde são adicionados 2 bits adicionais de sinalização para cada 8 bits de dados. Estes bits adicionais substituem os sinais de sincronismo utilizados nas interfaces IDE/ATA, simplificando bastante o design e melhorando a confiabilidade do barramento. Dessa forma, a controladora transmite 3000 megabits, que, devido à codificação, correspondem a apenas 300 megabytes. Ou seja, não é um arredondamento. :) As controladoras SATA 300 são popularmente chamadas de "SATA II" de forma que os dois termos acabaram virando sinônimos. Mas, originalmente, "SATA II" era o nome da associação de fabricantes que trabalhou no desenvolvimento dos padrões SATA (entre eles o SATA 300) e não o nome de um padrão específico. Da mesma forma, o padrão de 600 MB/s chama-se SATA 600, e não "SATA III" ou "SATA IV". Mesmo os próprios fabricantes de HDs não costumam usar o termo "SATA II", já que ele é tecnicamente incorreto. Outra curiosidade é que muitas placas-mãe antigas, equipadas com controladoras SATA 150 (como as baseadas no chipset VIA VT8237 e também nas primeiras revisões dos chipsets SiS 760 e SiS 964), apresentam problemas de compatibilidade com HDs SATA 300. Por causa disso, a maioria dos HDs atuais oferecem a opção de usar um "modo de compatibilidade" (ativado através de um jumper), onde o HD passa a se comportar como um dispositivo SATA 150, de forma a garantir a compatibilidade. Veja as instruções impressas na etiqueta de um HD da Samsung:
Inicialmente, os HDs e as placas-mãe com interfaces SATA eram mais caros, devido ao tradicional problema da escala de produção. Todo novo produto é inicialmente mais caro que a geração anterior simplesmente porque a produção é menor. A partir do momento em que ele passa a ser produzido em quantidade, o preço cai, até o ponto em que a geração anterior é descontinuada. A partir do momento em que os HDs SATA se popularizaram, o preço caiu em relação aos IDE. Atualmente os HDs IDE são produzidos em escala cada vez menor e por isso se tornaram mais caros e mais difíceis de encontrar do que os HDs SATA. No caso dos micros antigos, uma opção é instalar uma controladora SATA. As mais baratas, com duas portas e em versão PCI, já custam menos de 20 dólares no exterior e tendem a cair de preço também por aqui, tornando-se um item acessível, assim como as antigas controladoras USB em versão PCI, usadas na época dos micros Pentium 1 sem interfaces USB nativas. Note que o uso do barramento PCI limita a velocidade da controladora a 133 MB/s (um pouco menos na prática, já que o barramento PCI é compartilhado com outros dispositivos), mas isso não chega a ser um problema ao utilizar apenas um ou dois HDs.
Existem ainda conversores (chamados de bridges), que permitem ligar um HD IDE diretamente a uma porta SATA. Eles podem vir a se tornar um item relativamente comum, já que as interfaces IDE estão progressivamente caindo em desuso e deixando de ser incluídas em placas novas.
Com o lançamento do SATA, os HDs e as controladoras IDE/ATA passaram a ser chamadas de "PATA", abreviação de "Parallel ATA", ressaltando a diferença.
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Autor: Carlos E. Morimoto
Páginas: 848 Formato: 23 x 16 cm Editora: GDH Press e Sul Editores ISBN: 978-85-99593-10-2 Lançado em: Outubro de 2007 » R$ 84,00 + frete (Preço nas livrarias: R$ 108) » Compre o seu Descrição: Para quem não lembra, nosso último livro de hardware foi lançado em 2000 e era um tijolão com quase 600 páginas. Este livro está atualmente disponível para leitura online, embora brutalmente desatualizado. O Hardware, o guia definitivo é um novo projeto, escrito a partir do zero, sem aproveitar trechos do livro anterior. Ele nasce como um livro de hardware atualizado, que dá um maior destaque para manutenção e problemas do dia-a-dia, além de oferecer uma sólida base teórica para que o leitor possa realmente entender e diferenciar toda a gama de tecnologias utilizadas nos PCs atuais. |
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