Reconhecendo o processador
É relativamente simples distinguir os processadores baseado no soquete usado, já que os processadores soquete 754 possuem a área central sem pinos e os AM2 possuem um pino extra em relação aos soquete 939. Com base no soquete usado, data aproximada de fabricação, índice de desempenho e clock do processador, você pode ter então uma idéia de qual família ele pertence, mas para ter certeza mesmo você precisaria montar o micro e verificar usando o CPU-Z ou outro software. Mas, apesar de um pouco mais complicado, é possível diferenciar os Athlon 64 e X2 com base no código de identificação com 13 dígitos decalcado sobre o spreader do processador:
Dentro do código, o campo mais óbvio são os 4 dígitos do número de identificação (4800 no exemplo). Como vimos, o mesmo código pode ser usado em processadores com diferentes combinações de clock, cache e soquete. Os três dígitos finais ajudam a distinguir processadores com o mesmo índice, pois indicam a quantidade de cache e a arquitetura em que são baseados:
O antepenúltimo dígito (6 no exemplo) se refere ao cache. As possibilidades são as seguintes:
2
- 128 KB (Sempron) Os dois últimos são um código de identificação, que indica o stepping, tecnologia de fabricação, soquete e também se o processador é single-core ou dual-core. A tabela para os processadores Athlon 64 e X2 em versão OEM é a seguinte:
AP
- Stepping C0 (ClawHammer), single-core, 0.13 micron, soquete 754 Para os Semprons, baseados na arquitetura K8, temos:
AX
- Stepping CG (Paris), 0.13 micron, soquete 754 (sem suporte a 64
bits e SSE3) O terceiro dígito (A no exemplo) se refere ao TDP do processador. Ele não é uma indicação precisa do consumo, já que o TDP é apenas uma espécie de "teto", onde o mesmo número é compartilhado por diversos processadores da mesma família, com freqüências de clock e consumo muito diferentes. O principal objetivo do número é ajudar os integradores a dimensionarem corretamente o cooler do processador e a ventilação do gabinete. Apesar disso, o TDP ajuda a identificar os processadores de baixo consumo e os modelos gastadores (como o 6000+ baseado no core Windsor). As possibilidades são as seguintes:
A -
Standard (consumo normal dentro da arquitetura usada) O oitavo dígito (logo após o índice de desempenho) também indica o soquete usado. Ele é útil em casos em que o processador já estiver instalado na placa-mãe ou não for possível examinar os contatos por outro motivo qualquer:
A - Soquete
754
Os dois primeiros dígitos (AD no exemplo) permitem confirmar a família da qual o processador faz parte:
AD - Athlon
64, Athlon 64 X2 ou Athlon 64 FX No caso dos processadores em versão boxed, o código de identificação termina com a sigla "BOX" e os dois dígitos depois do índice de desempenho indicam o código de identificação (dentro da tabela que vimos há pouco). No caso deles, o código não contém informações sobre o cache ou soquete utilizado. Pelo código, podemos dizer que o Sempron da foto a seguir é um Sempron (SD), da série de consumo standard (A), vendido sob o índice 3000+, soquete 939 (D), com 128 KB de cache (2) e que faz parte da série baseada no core Palermo, sem suporte a 64 bits (BP). O código não fala nada sobre a freqüência real de operação, mas com base nas informações descobertas podemos deduzir que ele opera a 1.8 GHz, já que essa é a única freqüência possível para um Sempron soquete 939 com 128 KB de cache. Como o código não termina com a sigla "BOX", sabemos também que ele é um processador OEM.
No caso do Athlon 64 a seguir, podemos dizer que trata-se de um Athlon 64 3800+, também soquete 939 (D), com 512 KB, e que é um processador single-core, baseado no core Newcastle (AW). Com base nessas informações podemos deduzir que ele é o modelo de 2.4 GHz, já que não existem outras versões do Newcastle com 512 KB para o soquete 939 que receberam o índice 3800+.
Caso esteja curioso, o quarto e quinto dígito da direita para a esquerda (AA na foto abaixo), dizem respeito à tensão usada e à temperatura máxima onde o funcionamento do processador é garantido:
Assim como no caso da freqüência, diferentes modelos e steepings do processador possuem diferentes níveis de tolerância a altas temperaturas, quesito que também é testado em fábrica. A temperatura limite é indicada na quarta letra da direita para a esquerda (este dígito não é incluído no código usado nos processadores boxed). As possibilidades são as seguintes:
A -
Variável (de acordo com a série) Estes números são apenas uma garantia. Seu Athlon X2 de rating "K" não vai queimar por atingir 66°C ao executar alguma tarefa pesada, apenas a estabilidade não é garantida. Normalmente, apenas os Opterons e alguns modelos do FX possuem os ratings de M em diante e apenas os Turions utilizam o ratting X. No caso dos processadores Mobile, suportar altas temperaturas é um quesito importante, pois permite que o exaustor do cooler seja ativado menos vezes, poupando a carga da bateria. O rating "A" é usado em processadores que não passaram pela verificação, o que inclui a maior parte dos modelos domésticos do Athlon 64, X2 e Sempron. Na prática, o teto térmico deles é um pouco mais baixo do que os processadores com rating "I". Para manter o sistema estável e seguro, é recomendável mantê-los trabalhando abaixo de 61°C (ao rodar aplicativos pesados), se necessário instalando exaustores adicionais dentro do gabinete. Temos em seguida a quinta letra da direita para a esquerda, que diz respeito à tensão utilizada. Esta indicação não é muito importante na prática, pois a tensão é detectada automaticamente pelo BIOS e muitos processadores trazem a tensão usada decalcada de forma visível. A principal utilidade seria verificar se o processador utiliza uma tensão compatível com a placa-mãe, já que muitas placas antigas não possuem reguladores de tensão capazes de trabalhar com processadores que utilizam menos de 1.4v, por exemplo. Assim como no caso do dígito da temperatura, este dígito também não é usado no código dos processadores boxed:
A -
Variável (de acordo com o modelo) Novamente, o rating "A" é um "nada a declarar", indicando que o processador simplesmente utiliza a tensão normal, dentro da arquitetura utilizada. O rating "C" (1.55v) foi utilizado apenas por alguns modelos do Opteron, ainda baseados no core SledgeHammer, de 0.13 micron. Dentro das séries domésticas, a maior tensão usada são os 1.5v utilizados pelos processadores baseados no core ClawHammer e Newcastle.
» Próximo: Quad FX Você está lendo um tópico de demonstração do livro Hardware, o Guia Definitivo:
Autor: Carlos E. Morimoto
Páginas: 848 Formato: 23 x 16 cm Editora: GDH Press e Sul Editores ISBN: 978-85-99593-10-2 Lançado em: Outubro de 2007 » R$ 84,00 + frete (Preço nas livrarias: R$ 108) » Compre o seu Descrição: Para quem não lembra, nosso último livro de hardware foi lançado em 2000 e era um tijolão com quase 600 páginas. Este livro está atualmente disponível para leitura online, embora brutalmente desatualizado. O Hardware, o guia definitivo é um novo projeto, escrito a partir do zero, sem aproveitar trechos do livro anterior. Ele nasce como um livro de hardware atualizado, que dá um maior destaque para manutenção e problemas do dia-a-dia, além de oferecer uma sólida base teórica para que o leitor possa realmente entender e diferenciar toda a gama de tecnologias utilizadas nos PCs atuais. |
|