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A saga dos netbooks, parte 5: os smartbooks

Publicado em 03/06/2009 – 09:43
por Carlos Morimoto

Um dos objetivos da Intel ao lançar o Atom foi o de lançar um plano de longo prazo para concorrer com os chips ARM, visando entrar também no ramo dos smartphones.

Diferente do que temos no ramo dos PCs, onde a Intel, a AMD e a VIA projetam e produzem seus próprios processadores, os chips ARM são desenvolvidos pela ARM Ltd. e produzidos por diversos fabricantes, incluindo a Texas Instruments (que fabrica a linha TI OMAP) e a Qualcomm.

Se considerarmos o número de unidades produzidas, os chips ARM são esmagadoramente mais populares que os processadores x86, já que são usados em todo o tipo de aparelhos, de celulares a robôs industriais.

O principal motivo do sucesso é uma combinação de simplicidade, baixo custo e baixíssimo consumo elétrico. Enquanto um Atom N270 mais o chipset 945GSM tem um TDP de 11.8 watts, a maioria dos SOCs ARM consomem menos de 2 watts em full load, com o consumo caindo para poucos miliwatts quando ociosos. É graças a isso que um celular (que utiliza uma bateria muito menor que um netbook) pode funcionar por vários dias com uma única recarga, diferente de um netbook que tem uma autonomia de poucas horas.

Em vez de ficarem esperando pelo novo concorrente, os fabricantes de chips ARM resolveram partir para o ataque, tentando conquistar uma fatia do ramo de netbooks. A idéia é simples: criar modelos de netbooks baseados em chips ARM, que sejam mais baratos, mais leves e ofereçam uma autonomia maior.

Muitos relacionam os chips ARM com baixo desempenho, mas atualmente já existem chips bastante poderosos, que são competitivos em relação ao Atom e outros processadores x86 de baixo consumo. Um bom exemplo é o ARM Cortex A9 MPCore, que é composto por 4 núcleos, cada um com um coprocessador aritmético independente e uma pequena quantidade de memória cache:

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O maior problema é que eles não oferecem suporte às instruções x86, o que faz com que não sejam compatíveis com o Windows e com as distribuições Linux para micros PC. A solução encontrada pelos fabricantes foi utilizar o Google Android, que apesar de ser originalmente destinado a smartphones, oferece suporte a telas maiores e pode ser perfeitamente utilizado em dispositivos maiores. Existe também muito movimento em torno de uma versão do Ubuntu capaz de rodar em chips ARM, juntamente com outros projetos menores de distribuições compiladas para a plataforma. Uma terceira possibilidade é o Windows Mobile, que também pode ser adaptado para trabalhar em telas maiores.

Um bom exemplo é este protótipo demonstrado pela QualComm na última Computex:

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À primeira vista ele parece um Eee 1008HA rodando alguma distribuição Linux, mas na verdade ele é um protótipo modificado, que utiliza um chip Qualcomm Snapdragon QSD8250.

Diferente do Atom, que é apenas o processador, o QSD8250 é um SOC (system on a chip), que inclui um processador ARM de 1.0 GHz, um chip DSP auxiliar de 600 MHz (que executa funções diversas, incluindo a decodificação de diversos formatos de audio), modem 3G, GPS, controlador de memória e um chipset de vídeo, capaz de decodificar vídeos 720p, com suporte a Wi-Fi e Bluetooth através de chips adicionais. Em resumo, ele faz o papel de processador e chipset simultaneamente, oferecendo um consumo elétrico bastante baixo. A Qualcomm oferece também uma versão high-end, o QSD8672, que é um chip dual-core, que opera a 1.5 GHz e oferece suporte à decodificação de vídeos 1080p, rivalizando com o nVidia Ion.

A proposta é bem similar à dos netbooks, ou seja, oferecer um dispositivo leve e relativamente barato para acesso à web, mas ele leva o conceito a um novo extremo, rompendo a compatibilidade com o Windows e outros softwares para micros PC. Devido a isso, foi criado o termo "smartbook", que denota justamente a combinação do formato de netbook com um chip ARM e softwares para smartphones.

Já existe uma grande movimentação por parte dos fabricantes para o lançamento de diversos modelos, baseados no Snapdragon e outros chips. Ainda é cedo para tentar prever a aceitação para eles, já que embora o formato seja parecido, os softwares incluídos e a experiência de uso são muito diferentes. Entretanto, smartbooks tendem a ser mais leves e mais baratos (sem falar na maior autonomia), o que pode fazer com que eles se tornem populares, concorrendo simultaneamente com os netbooks e com os smartphones.

Uma outra frente de batalha foi aberta pela nVidia, com o Tegra, um SOC baseado em um chip ARM (similar ao Snapdragon em certos aspectos) que combina um processador ARM com um chip 3D da nVidia e aceleradores para diversos formatos de mídia, incluindo vídeos 1080p e Flash.

O modelo destinado ao uso em netbooks (que a nVidia prefere chamar de MIDs, ou "handheld devices for consumers") é o Tegra 650, que utiliza um chip ARM 11 de 750 MHz. O desempenho bruto do processador não é nada espetacular (é pouco mais de duas vezes mais rápido que os chips usados na maioria dos smartphones), por isso o desempenho ao navegar e executar tarefas gerais será no máximo aceitável.

O principal trunfo do Tegra são os aceleradores, que permitem que ele exiba vídeos 1080p (com suporte a HDMI, para conexão com uma HDTV) e vídeos em flash com aceleração via hardware. O consumo máximo do Tegra 650 é de 4 watts (ao decodificar vídeos 1080p), mas em tarefas leves ele cai para menos de 1 watt.

Como outros chips ARM, ele possui também um sistema bastante elaborado de gerenciamento de energia, que permite que o processador fique virtualmente desligado quando ocioso, praticamente sem gastar energia. Graças a isso, é possível manter o netbook ligado continuamente (assim como um smartphone), pronto para ser usado.

Assim como a Qualcomm, a nVidia exibiu protótipos de netbooks com o Tegra na última Computex, prometendo 10 horas de autonomia ao assistir vídeos 1080p e mais de 20 horas de uso geral, usando uma bateria de 6 células:

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A grande observação é que por ser baseado em um chip ARM, o Tegra está no mesmo barco do Snapdragon, sem suporte x86. Por enquanto, a nVidia está baseando os protótipos em uma versão do Windows CE (que continua sendo desenvolvido pela Microsoft, como uma versão pelada do Windows Mobile), utilizando uma interface 3D desenvolvida pela nVidia.

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  1. 13 respostas para “A saga dos netbooks, parte 5: os smartbooks”

  2. Robbie Fowler em 3 jun, 2009

    Mas que grande asneira. ARM foi uma arquitetura RISC desenvolvida para substituir arquiteturas arcáicas como o 8051 para aplicações em MICROCONTROLADORAS. NUNCA foi voltado para constituir uma CPU multi-purpose….

  3. JCFerranti em 3 jun, 2009

    Você term certeza disso?

  4. McGuyver em 3 jun, 2009

    Desculpe-me Robbie, mas asneira está falando você. O ARM pode ter sido criado sim para o fim que você descreveu, mas os tempos mudam e os novos chips ARM fazem muito mais que isso. A grande maioria de Smartphones e Pockets PC utilizam processadores ARM acessando Internet e executando programas normalmente, seja com sistema operacional Windows Mobile ou outros também bastante famosos como o Symbyan (usado nos Blackberry e Nokia) e o PalmOS.
    A maioria desses aparelhos possuem Bluetooth, Wi-Fi e etc… Por que não pode-se apenas aumentar a tela, a memória e o teclado e criar Smartnotebooks? Ainda mais com esses novos chips ARM citados no artigo!

  5. antonio em 3 jun, 2009

    putz, nosso amigo sem noção Robbie (será o amigo do batman?), não tem noção de como textos assim dão trabalho para serem feitos, e caso contivessem algum erro o alerta deveria ser feito de maneira mais educada.
    Por favor, peça desculpas "Robbie"

  6. Gustavo em 3 jun, 2009

    Tem mais uma coisa, Robbie. A história de uma plataforma não impede em nada que ela faça sucesso.
    A plataforma 8086 "tinha" 16 bits e foi inicialmente desenvolvida pela Intel numa época em que a Intel já desenvolvera várias outras plataformas, basicamente 1 arquitetura nova a cada 1 ou 2 anos, sem fazer um estudo mais cuidadoso de como a arquitetura deveria ser desenvolvida para que fosse mais otimizada e para poder fixar-se nela. A linguagem assembly da nova arquitetura foi feita de forma a ser "compatível" (até certo ponto) com a linguagem assembly de processadores mais antigos, de 8 bits. A arquitetura 8086 _nunca_ foi feita esperando-se que ela fizesse tanto sucesso e que durasse décadas. Apesar disso, o 8086 foi evoluindo até chegar ao 80386 (o conhecido 386) e depois ao atual 686, com instruções sempre compatíveis com as anteriores. Até hoje em dia, grande parte dos SOs poderiam ser rodados sobre um 386, coisa que diminui a possibilidade de uma melhor otimização.
    Acredito que seria bem melhor que se criasse uma nova arquitetura que fosse de fato criada para otimizar o uso em desktops, desde a definição dos opcodes, que não fosse compatível com a 686, mas isso seria um provável fracasso em termos de mercado. A arquitetura ARM é antiga, mas é 10 anos mais recente que a 8086 e foi bem melhor desenvolvida (na minha opinião), e ainda está evoluindo.
    Eu pessoalmente torço para que a ARM vença a Intel nesta batalha, uma vez que a Intel vem agindo de forma nada honrável, e foi até processada e multada pela UE por conta disso (eu amo a UE!). Mas isso já é outra história, e de qualquer forma, os processadores x86 atuais são muito bons, apesar da história confusa, e o mesmo pode-se dizer dos processadores ARM.

    P.S.: As informações sobre os x86 foram obtidas da Wikipedia, em Inglês.

  7. Serris em 3 jun, 2009

    Pessoalmente eu gostei da idéia, com os processadores ARM ficando cada vez mais poderosos, pode-se portar um sistema linux para ele. De uma forma ou de outra as chances de dar certo são boas.

  8. Marcelo em 3 jun, 2009

    Agora vai ! A nova era da computação
    A grande vantagem é o preço. Esse Snapdragon, nossa não tem nem cooler !
    Sistemas leves com navegação web igual a um desktop e mais ainda com "hardware faz tudo (com direito a GPS)" e sistemas operacionais de alto desempenho. Revolução na informática e telecomunicações. Tomara que a Intel e a MS não estraguem dessa vez, o consumidor final merece isso.

  9. MaxRaven em 3 jun, 2009

    Tem um outro modelo de uma integradora chinesa mais ou menos nesta linha, se não me engano é o mesmo conjunto, só que em vez da carcaça do EeePC usaram uma outra que deixou ele com cara de Macbook Air, to revirando o histórico aqui, mas não achei, talvez mais alguem tenha visto e de a dica novamente, a principio o projeto é até mais bonito visualmente falando.

  10. Emanuel em 4 jun, 2009

    O Debian tem um porte para a arquitetura ARM. Porque ninguém à usa?

  11. Vinicius em 4 jun, 2009

    Essa tecnologia é super interessante, pois com a redução no preço de aquisição, o aumento significativo de performance e autonomia da bateria como menor consumo dos ARM e ainda fazendo a função do CPU e Chipset ja são aspectos que sem duvida levo em consideração na aquisição de um smartbook. Por outro lado por ser um equipamento hibrido e incompativel com os SOs ja usados por grande parte dos usuarios que ja se acostumaram com o Windows por exemplo é um ponto importante a se observar. Mais num contexto geral e levando em consideração a grande oferta que esta no mercado para se armazenar documentos, arquivos, etc. em servidores online permitindo o acesso as informações de qualquer lugar, qualquer computador e a qualquer hora, o smartbook por trazer maior conforto do que um smartfone e maior automia tanto de performance quanto de energia do que om netbook. Sendo as desvantagens são evidentes, porém não tanto para desmotivar a insersão desta tecnologia.

  12. sacis09 em 8 jun, 2009

    Como bem lembrado acima pelo Emanuel, o Debian já não estaria pronto para os processadores com arquitetura ARM?

  13. nyarlathotep em 18 jun, 2009

    Port de Ubuntu para ARM

    http://blog.canonical.com/?p=74
    http://www.linuxdevices.com/news/NS2097004728.html
    http://www.linuxdevices.com/news/NS9527593286.html

  14. Vinícius = em 6 out, 2009

    Bem lembrado, a distro Debian tem um port para ARM. Por que ela não foi lembrada?

    http://cdimage.debian.org/debian-cd/5.0.3/arm/bt-dvd/


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