Upgrade em notebooks: placas 3D externas
Publicado em 09/09/2009 – 17:50por Carlos Morimoto
O desempenho do vídeo sempre foi um problema em notebooks, já que as placas 3D mais rápidas são volumosas, consomem muita energia e geram muito calor, tornando seu uso impraticável em notebooks. As versões "mobile" são mais lentas e na maioria dos casos usam memória compartilhada, fazendo com que os gamers fiquem amarrados a seus desktops.
Para piorar as coisas, mesmo com as placas AXION e MXM, o upgrade da GPU em notebooks está muito longe de ser algo simples ou corriqueiro. Embora seja tecnicamente possível substituir a placa por outra com um TDP similar, conseguir realmente encontrar e comprar uma placa compatível é quase tão difícil quanto contrabandear uma ogiva nuclear.
Com isso, notebooks com GPUs integradas recebem um rótulo perpétuo de "apenas para Word e Excell" e mesmo os modelos mais caros, com GPUs dedicadas, acabam se tornando obsoletos rapidamente, devido à falta de possibilidade de upgrade.
Uma outra abordagem para solucionar o problema é abandonar a ideia de GPU interna e investir em placas de expansão externas, conectadas através do slot ExpressCard do notebook. Separando a GPU, ganha-se a possibilidade de usar uma placa para desktops (conectada a um monitor externo), sem se limitar ao uso de GPUs mobile.
O primeiro anúncio nesse sentido foi o XG Station, anunciado pela Asus em 2007, que incluía uma GeForce 7900 GS, combinada com um hub USB e um chipset de áudio C-Media, que oferecia uma saída de áudio própria. A ideia era que ele fosse usado como uma espécie de docking station, onde você deixaria o monitor, caixas de som, teclado e mouse externos conectados ao XG Station e conectaria o notebook quando fosse jogar ou usar o monitor externo.

Ele utilizava uma fonte de alimentação própria, por isso a capacidade de fornecimento do slot ExpressCard não era um problema. O botão e o visor são usados para ajustar o overclock da placa de vídeo, uma espécia de mecanismo de gratificação instantânea.
Por outro lado, as limitações eram muitas. O slot ExpressCard oferece uma única linha PCI Express (250 MB/s), o que limita severamente a banda da GPU. Para ter uma ideia, é menos do que a banda de um slot AGP 1x, que oferece 266 MB/s. Esta pesada limitação com relação ao barramento de comunicação penaliza o desempenho da placa, fazendo com que ele fique bem abaixo do que seria obtido ao utilizá-la em um desktop. Apesar disso, é ainda possível oferecer um desempenho bem superior ao oferecido por uma GMA 900 ou X3000 onboard.
Outro problema, ainda mais sério, é a questão dos drivers e do BIOS. O slot ExpressCard foi concebido para a conexão de placas Wi-Fi e outros periféricos similares e não para a conexão de uma segunda placa de vídeo, o que tornou necessário o desenvolvimento de uma camada adicional de driver e utilitários. Diferente de uma placa PCI-Express regular, o GX Station não é detectado pelo BIOS, sendo ativado bem depois, durante carregamento do sistema (similar ao que temos no caso das placas de vídeo USB).
Ao usar o Windows Vista, mais um problema se manifesta. Devido ao uso do WDDM, o Vista suporta o uso de um único driver de vídeo de cada vez. Em situações normais, isso não é problema, já que você usaria uma única placa de vídeo, ou múltiplas placas do mesmo fabricante em SLI ou CrossFire. No caso do GX Station entretanto, as coisas são um pouco mais complicadas, já que possivelmente o notebook utilizará uma GPU da Intel ou da ATI.
Inicialmente o XG Station foi projetado para ser usado no Windows XP (que não tem problemas em usar múltiplos drivers de vídeo), mas ao tentar portar os drivers para o Vista, os desenvolvedores da Asus se depararam com o problema, que levou a sucessivos adiamentos no lançamento. A solução encontrada foi forçar o uso do modelo XPDM (em outras palavras, forçar a instalação da interface de drivers usada no XP sobre o Vista), o que permitia o uso do XD Station em conjunto com chipsets integrados da Intel, mas em troca sacrificava o uso do Aero, o suporte ao DirectX 10 e o suporte a hotplug (ou seja, o XD Station precisava ser plugado antes de ligar o notebook).
Em 2008, a Asus chegou a vender uma versão do XD station equipada com a GeForce 8600 GT em quantidades limitadas na Austrália (por AUD$ 375, que equivalem a pouco menos de 300 dólares), mas ele acabou sendo retirado do mercado pouco depois, devido às reclamações de incompatibilidades e problemas diversos. Com isso, o lançamento mundial foi cancelado, muito embora existisse uma grande demanda em torno do produto.
O lançamento seguinte foi o Magma ExpressBox, um case externo (também conectado ao slot ExpressCard) que inclui uma fonte de alimentação própria e permite o uso de placas PCIe x16 single slot, com um consumo de até 55 watts.

Ele é na verdade uma solução desenvolvida para o uso de placas de expansão diversas e não necessariamente para placas de vídeo. Além de caro (US$ 729!) a utilização é muito limitada, já que a Magma não disponibiliza drivers, dependendo apenas do suporte nativo por parte dos drivers dos fabricantes. Na prática, a única situação em que ele funciona com placas 3D é ao usar uma Radeon HD em par com um notebook contendo uma GPU onboard da ATI, dependendo da detecção por parte do Catalyst.
Outra solução é o ViDock, uma solução um pouco mais acabada, que inclui drivers e uma lista de compatibilidade. Inicialmente ele foi lançado em versões com a GeForce 7200GS e a Radeon X1550 mas em seguida ganhou uma versão atualizada, com a Radeon HD 4670.

Embora o desempenho da placa continue sendo severamente limitado pelos 250 MB/s do barramento, a limitação com relação ao uso de diferentes drivers de vídeo foi eliminada com o Windows 7, o que permite que ele seja usado em notebooks com chipsets integrados da Intel ou nVidia. Isso o torna uma opção um pouco mais utilizável, embora o custo de US$ 300 elimine grande parte do atrativo.
Em 2010 teremos a transição para o padrão ExpressCard 2.0, que oferece uma banda de 500 MB/s (levemente inferior a um slot AGP 2x). Com ele, o barramento disponível para a placa de vídeo será alargado, reduzindo um pouco a perda de desempenho ao utilizar uma GPU externa. Entretanto, como as placas de vídeo também não param de evoluir, este será um refresco apenas temporário.
Considerando o custo e a falta de portabilidade das soluções existentes, é bastante improvável que as placas externas conectadas ao slot ExpressCard venham a se tornar populares. As dificuldades técnicas são grandes e a perda de desempenho devido ao barramento estreito é muito significativa. Acaba fazendo mais sentido comprar um laptop maior, com uma placa MXM dedicada do que lidar com as limitações de uma GPU externa.
Um fio de esperança veio com o anúncio do AMD/ATI XGP (eXternal Graphics Plataform), um padrão de conector PCI Express móvel, que oferece 8 linhas PCI Express 2.0, resultando em um barramento de 4.0 GB/s (equivalente ao de um slot PCIe x16 regular), que é mais do que suficiente para uma GPU mediana atual (como uma HD 4770) operar sem limitações:

Diferente do slot Express Card, ele se comporta da mesma maneira que um slot PCI Express regular (com a adição do suporte a hotplug), o que simplifica bastante a questão dos drivers.
O primeiro notebook equipado com o conector foi o Fujitsu AMILO Sa 3650, lançado em 2008. ele faz par com o "Amilo GraphicBooster" (que nada mais é do que uma Mobility Radeon HD 3870 externa, que inclui uma fonte de alimentação própria) e foi vendido em quantidades limitadas, por US$ 1500 (US$ 1000 pelo notebook e mais 500 pelo GraphicBooster):

Desde então, não se ouviu mais falar no XGP, muito embora o padrão já esteja oficialmente finalizado e continue sendo uma promessa para o futuro.
Outras possibilidades para o futuro são a popularização de processadores com GPUs integradas (Larrabee e Fusion) ou uma eventual queda nos preços das placas 3D mobile, que permitam que mais notebooks venham com GPUs dedicadas.
Entretanto, não espere que notebooks com placas 3D de alto desempenho se tornem acessíveis em nenhum futuro próximo. A combinação do grande volume de produção e a ausência de preocupações com miniaturização e consumo farão com que as placas 3D para desktops continuem oferecendo um custo-benefício superior por ainda muitos anos.



21 respostas para “Upgrade em notebooks: placas 3D externas”
Notebook é tudo de bom, mas desktop tem o seu lugar. XD
A tecnologia certamente é interessante, mas não vejo praticidade, tendo em vista que os notebooks, por maiores que sejam, ainda tem um ar de mobilidade, e estas placas somente acrescentam volume à cada maior mala de aparelhos digitais que carregamos em toda parte :p.
Agora é não é uma coisa muito mobile, é mais para entusiastas, mas como acontece sempre, daquiapoko vai ser do tamanho de um celular :D
Se o notebook for encarado como máquina facilmente transportável, e NÃO operável via bateria (ela é como um nobreak embutido) e s/ apoio aceitável (mesa razoável, etc), é viável pensar em recursos 3D mais parrudos uma vez q mobilidade MESMO é p/ netbooks ou subnotebooks.
Independente das "necessidades" 3D aqui no Brasil em particular é quase sempre incoveniente operar o notebook em trânsito por questões de segurança, portanto é uma máquina do tipo facilmente transportável (ocultada) e c/ nobreak embutido independente dos seus recursos.
Eu custo acreditar que eles tentam lançar esse tipo de coisa no mercado. Não seria mais fácil uma GPU com memória dedicada soldada na placa mãe ou conectada através de um slot parecido com o PCMCIA? Mais poder computacional significa consumo elevado de energia e isso não combina nem um pouco com um computador portátil. Eu acho que os notebooks tem suas aplicações enquanto computador portátil e de resto é melhor usar o desktop.
Bom, a respeito da questão de mobilidade do notebook, acredito que uma placa externa assim não é para se levar junto com o notebook por toda parte, mas para deixar em casa para você usar quando quiser jogar ou fazer alguma coisa que precise da placa. Isso evitaria teoricamente de você ter que comprar um notebook e um PC, ou de comprar um PC no caso de já ter um notebook.
Ainda prefiro notebooks com placas 3D medianas, como uns ai que vem com a 9600GT.
Como disse o Gustavo , a única utilização pratica que vejo em um sistema desses é o caso de alguém que não quer ou não pode ter um pc e um notebook, então usar um quebra galho assim ajuda a matar a vontade de jogar um pouco, mas pelos posts que foram escritos aqui antes, eu penso que se for apenas pelos jogos sai mais barato e eficiente comprar um console.
aliás aproveitando um pouco minhas férias é o que mais tenho feito nos últimos dias , jogar e ler o gdhblog ~_~
Quer saber…. gamer deve usar DESKTOP…. notebook é só para trabalho e "não" gamers…..
Jogo é desktop…. e ponto final.
Tá certo que desktop é para games mas quem comprou o note, e não resiste um game hein??
Ninguem é de ferro..
=)
Eu sou fã de notebook, tenho um hp com chipset de video dedicado, não tenho do que reclamar.
Eu acho que o cara já compra notebook para ser facil de carregar e utilizar em outros lugares, porem usando esses aparatos, torna-se inviável, pois o notebook já é caro, essas placa externa tbm vai ser uma nota, mais um monitor externo… fica completamente inviável, sai muito mais barato, bonito, pratico montar um desktop.
Pra mim isso não compensa, pensa no trabalho que iria dar até montar tudo isso.
O que as empresas deveriam fazer é estudar o uso do formato docking station para inserir não só uma solução gráfica mais eficiente, como também todo o aparato tecnológico necessário: saídas de áudio, sistema de exaustão sofisticado, bases ergonômicas (para ficar no colo) e até mesmo módulos de bateria extras, para maior autonomia. A seguir, definir padrões especiais de formato e encaixe, para garantir que uma determinada linha de docking station possa servir para uma série de notebooks, barateando assim o custo final. Por fim, definir o "meio-termo" ideal entre tamanho, resolução e GPU a ser utilizada: por exemplo, para uma tela de 14" ou 15" com uma resolução de 1280×720, uma GPU mediana como a ATI Radeon 4670, além de dar conta, proveria um bom consumo de energia elétrica.
Tirando estas condições, eu não teria interesse em notebooks com acessórios voltados para jogos. Aliás, eu nem sequer tenho interesse em notebooks! &;-D
Concerteza ficaria muito inviável, como o amigo disse alguns posts acima, imagina o trabalho de montar tudo isto.
É muito mais fácil e em alguns casos mais barato, comprar um notebook que já venha com uma placa de vídeo, como os da Gateway.
notebook e bom mas as placas de video não cooperam com os jogos.
brincadera uma coisa dessa.
tomara que num futuro proximo isso não continue acontecendo.
É bom saber que existem essas opções, mas eu concordo com AchubaNanoiaBR.
Prefiro comprar um Barebone e agregar duas placas de vídeo e outros componentes. Mas e o consumo elevado? Tudo bem, isso me levaria a utilizar a tomada com frequência, mas ainda seria melhor do que utilizar essas avantajadas "caixas" externas nada práticas.
O meu HP HDX 16 Premium, equipado com NVidia GForce 9600 interna em PCI Express 2.0, 512 Mega dedicada, rodando em Vista 64 bits possui desempenho compatível com desktop, mesmo para jogos de processamento pesado. Não vejo grande diferença para a mesma placa rodando em desktop com a mesma configuração. Custo do Notebook hoje, no mercado livre, em torno de R$ 2.600… No Brasil, a mesma configuração estã sendo comercializada com a griffe Pavillion, em torno de R$ 4.000
Não podemos esquecer que existe uma classe que não se define nem por entusiastas, gamers, profissionais ou usuários comuns: são aqueles para os quais qualquer tecnologia de ponta significa status; em resumo, é o indivíduo que contrata um profissional de confiança para montar uma máquina com um Core I7 extreme, duas Radeon 5870, 24 Gb DDR3, HD 2T, num gabinete de acrílico com cabos envolvidos en neón, para tão somente ler e-mail, acessar Orkut e MSN. Para essas pessoas ter um computador é como vestir Prada: Status.
Esses box para GPU externa são para esse tipo de público.
CxB não importa: o importante é ter o que há de mais moderno, mesmo não sendo útil ou sequer o melhor.
bom dia, eu pedir quer comprar de aqui placas 3D externasm,eu tenho um notebook mas preciso vem colocar de placas de video pra placas 3D externas.
Responder me.
Obrigado
Ai acredito que a solução mais obvia seria o uso de memorias flash do tipo pen-driver ou mms.
Usando-os como memorias de video, dessa forma aumentaria o desempenho de alguns jg.