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Pine Trail: O novo Intel Atom

Publicado em 20/05/2009 – 15:24
por Carlos Morimoto

Apesar do desempenho não ter nada de espetacular, o Atom se tornou bastante popular nos netbooks, já que é barato e oferece um consumo elétrico bastante baixo. O grande problema é que a maioria dos netbooks atuais são baseados na plataforma Diamondville, que era originalmente destinada aos nettops. Isso permite aos fabricantes cortar custos, mas compromete a autonomia, já que embora o processador seja econômico, a plataforma como um todo (processador e chipset) possui um consumo relativamente alto.

Isso pode mudar com o Pine Trail, a nova versão do Atom, que oferecerá um consumo elétrico mais baixo e também algumas melhorias relacionadas ao desempenho.

As duas grandes mudanças são a integração do controlador de memória e do chipset de vídeo diretamente no processador principal, o que permitiu reduzir o total de chips para apenas dois: o processador propriamente dito (batizado de Pineview) e a ponte sul do chipset (Tiger Point), que inclui os circuitos de I/O (SATA, USB, etc.), além do chipset de som integrado e as linhas PCI Express:

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Como pode ver no slide apresentado pela Intel, a plataforma atual (Diamondville) é composta por três chips, seguindo a arquitetura tradicional de processador, ponte norte e ponte sul do chipset.

A "ponte norte" é o chip 945GSE ou o 945GC (o 945GSE é destinado a netbooks, enquanto o 945GC é destinado a nettops), que inclui o controlador de memória DDR2 e o chipset de vídeo Intel GMA950, enquanto a "ponte sul" é o chip ICH7 ou ICH7M (o ICH7M é a versão de baixo consumo, que faz par com o 945GSE, enquanto o ICH7 é a versão regular, usada em conjunto com o 945GC) que inclui os demais circuitos.

No Pine Trail a Intel conseguiu mover os componentes do 945GSE/945GC para dentro do próprio processador, criando o que pode ser considerado o primeiro processador x86 com um chipset de vídeo integrado. Como o Atom processa instruções em ordem, ele é especialmente dependente do barramento com a memória, de forma que a transição para um controlador integrado tem tudo para resultar em ganhos tangíveis de desempenho, já que permitirá reduzir a latência.

Outra questão importante é a redução do consumo elétrico, já que na plataforma atual o componente que gasta mais energia é justamente o chip 945GC/945GSE (que ainda é fabricado usando a obsoleta técnica de 0.13 micron) e não o processador propriamente dito. Movendo os componentes para dentro do processador, eles passarão a ser fabricados usando a mesma técnica de 0.045 micron (e eventualmente 0.032 micron) que o restante do processador, sem falar de outras melhorias incrementais.

Ainda não foi confirmado se o controlador de memória será DDR2 ou DDR3. Por um lado, faria sentido que a Intel utilizasse um controlador DDR3, já que ela já utiliza controladores DDR3 na plataforma i7, mas por enquanto parece mais provável que seja usado um controlador DDR2 single-channel para manter os custos baixos.

Em resumo, memórias DDR3 oferecem mais banda e transferências mais rápidas e oferecem a vantagem adicional de utilizarem uma tensão mais baixa e consumirem menos energia. O grande problema é que elas ainda custam o dobro do preço.

Como a Intel vê os netbooks como uma plataforma de baixo custo e baixas margens, o uso de memórias DDR2 faz sentido, já que serve para ao mesmo tempo manter os custos baixos e evitar que os netbooks concorram mais seriamente com os notebooks baseados na plataforma Centrino, que são uma fonte de receita muito maior.

Ao contrário do que alguns esperavam, o chipset de vídeo não será uma versão prévia do Larrabee, mas sim uma versão levemente atualizada do surrado GMA950, que terá um aumento de clock (de 133 para 200 MHz) e pequenas otimizações, voltadas basicamente para a redução no consumo elétrico. Apesar do leve aumento no desempenho 3D trazido pelo aumento no clock, o Atom continuará sem aceleração para vídeos HD (nem 720p, nem muito menos 1080p) e com um desempenho 3D bastante fraco para os padrões atuais.

Se comparado ao nVidia Ion, que inclui um chipset GeForce 9400M e um decodificador dedicado, capaz de processar vídeos 1080p via hardware, o Pine View parece bastante desanimador e do ponto de vista do desempenho realmente é. As vantagens da plataforma estão relacionadas à redução no consumo elétrico (que deve permitir, finalmente, que os netbooks rompam a barreira das 6 horas de autonomia) e uma possível queda nos preços.

Assim como no Atom atual, o Tiger Point não inclui chipsets de rede (nem Ethernet, nem wireless) integrados, permitindo que os integradores utilizem componentes de outros fabricantes, com a Atheros, a Broadcom e a Zidas.

O principal motivo é que os chipsets de rede da Intel são consideravelmente mais caros, e a Intel não parece muito disposta a entrar em uma guerra de preços, já que ganha muitos dinheiro vendendo as placas nos preços atuais para os fabricantes de notebooks, através da plataforma Centrino. A Intel chegou a cogitar o lançamento do "Atom Centrino", que seria composto pela combinação da dupla Silverthorne e Poulsbo com um chipset de rede Intel E1000 e um Intel PRO/Wireless 3945, mas a idéia acabou sendo abandonada.

O lançamento do Pine View está previsto para outubro/novembro, de forma que os primeiros netbooks baseados nele devem ser lançados (no exterior) antes do natal. Quanto tempo eles vão demorar para chegar no Brasil é outra história, mas não deve demorar muito já que ninguém vai querer perder a época de vendas do final do ano.

Concluindo, se você está com dificuldades para entender toda essa variação de termos e nomes relacionadas ao Atom, aqui vai um pequeno glossário:

Silverthorne: É a versão original do Atom, destinada a MIDs e netbooks de baixo consumo. Ele é combinado com o chipset Poulsbo, que integra o controlador de memória, chipset de vídeo e outros componentes em um único chip. A dupla oferece um consumo elétrico mais baixo, mas o preço fez com que eles fossem usados em apenas em alguns MIDs e em um punhado de modelos de netbooks.

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Diamondville: É a versão "value" do Atom, destinada a nettops. Embora o processador também seja fabricado usando uma técnica de 0.045 micron, ele utiliza uma tensão mais alta e um sistema menos sofisticado de gerenciamento de energia, o que resulta em um consumo de energia mais elevado.

Para cortar custos, o processador é combinado com um chipset regular (945GSE/ICH7M ou 945GC/ICH7) em vez de uma solução de baixo consumo como o Poulsbo, o que acaba por multiplicar o consumo, eliminando grande parte do apelo da plataforma. É justamente essa combinação que é encontrada em quase todos os netbooks da safra atual.

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Para ter uma idéia, embora o Atom N270 tenha um TDP de apenas 2.5W (bem mais do que o Silverthorne, que tem um TDP de apenas 0.6 watts, mas ainda um valor relativamente baixo) o 945GSE possui um consumo de 6 watts, com mais 3.3 watts para o ICH7M, o que eleva o total da plataforma para 11.8 watts.

É justamente devido a isso que a primeira safra de netbooks baseados no Atom não oferece uma melhora muito grande na autonomia em relação aos modelos baseados no Celeron M, já que embora a diferença no consumo do processador seja grande (de 5 watts para 2.5), o consumo total não mudou muito, já que a maior parte da energia é consumida pelo chipset.

No caso dos nettops, a situação é ainda mais complicada, já que um Atom N230 (TDP de 4 watts) combinado com o 945GC e o ICH7 consome nada menos do que 22.2 watts no total.

Netbook: O formato de mini-notebook inaugurado pelo Asus Eee. Os primeiros modelos foram baseados no Celeron M, mas a grande maioria migrou rapidamente para o Atom, quase sempre utilizando o Diamondville combinado com o 945GSE/ICH7M (com uma pequena participação do VIA C7). São justamente eles o principal alvo do Pine Trail.

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Nettop: Formato de desktop compacto e de baixo consumo que utiliza um Atom ou outro processador de baixo consumo em vez de um processador tradicional:

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MID: Formato mais compacto que um Netbook, com uma tela touchscreen e um teclado compacto, feito para ser segurado com as duas mãos, como um tablet. Os MIDs ainda são incomuns (os poucos modelos existentes são consideravelmente mais caros que os netbooks), mas a Intel vem investindo no formato e pode ser que eles eventualmente caiam de preço e se popularizem:

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Menlow: É o nome-código da plataforma para MIDs, resultado da combinação do Silverthorne e do Poulsbo. Em 2008 a Intel renomeou a plataforma para "Atom Centrino", mas poucos meses depois mudou de idéia, fazendo com que ela voltasse a ser chamada apenas de "Atom".

Pine Trail: O sucessor do Diamondville, que reduz o problema do consumo elétrico do chipset, movendo o controlador de memória e o chipset de vídeo para dentro do processador.

Moorestown: Se os planos não mudarem, será o sucessor do Silverthorne, também incorporando o controlador de memória e o chipset de vídeo. A diferença entre o Pine Trail e o Moorestown é que o Moorestown será a versão de baixo consumo, destinado a MIDs, enquanto o Pine Trail continua sendo a opção de baixo custo para uso em netbooks e nettops.

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  1. 6 respostas para “Pine Trail: O novo Intel Atom”

  2. Edivaldo em 20 mai, 2009

    Uma dúvida, o primeiro netbook não foi o OLPC?

  3. Megaf em 20 mai, 2009

    de maneira nenhum, em 95 por exemplo, ja existia o Toshiba Libreto, que é menor que um Eee.
    E antes do Liberetto, vieram muitos outros netbooks, no inicio dos anos 80, ja existia computadores do tamanho de calculadoras, que rodavam DOS e BASIC.

  4. Vagner em 20 mai, 2009

    O HP 95LX era do tamanho de uma agenda eletrônica e funcionava por dias com duas pilhas AA. Foi lançado em 1991 e é tido por muitos como o primeiro computador de bolso produzido em escala comercial a rodar DOS.

    Mas acho que a questão dos netbooks não é só o tamanho. Tem a ver com a massificação do produto. Mini notebooks, computadores de bolso, subnotebooks etc era mais para geeks e público corporativo. Com a criação desse "conceito" de netbooks acho que o jogo virou.

  5. Fbarreira em 21 mai, 2009

    Acho que o mais parecido com Netbook foi o Workpad Z50, da IBM.
    Oito polegadas com Windows CE, processador de 133, 16 de ram e 20 de rom, tela colorida.
    Tenho um, muito bom, levava como caderno para faculdade.

  6. Marcelo Ulianov em 23 mai, 2009

    Não entendo como os processadores VIA não explodiram nessa onda de netbooks. Tive em mãos umas plaquinhas all-in-one da Via com o C7 soldado que eram muito show !!! E como o desempenho fica em segundo plano, será que não faltou bala na agulha para a VIA se posicionar no mercado ??? Lí em algum lugar que até servidores vão sair com o C7 !!!

  7. Marcelo Ulianov em 23 mai, 2009

    Ops..Ja vai sair com o Via NANO, sucessor do C7..To atrasado…


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