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Overclock, parte 2: FSB e frequência da memória

Publicado em 24/06/2009 – 19:57
por Carlos Morimoto

Todos os processadores da Intel anteriores ao Core i7 utilizam o FSB ("Front-side bus", ou barramento frontal) para a comunicação entre o processador e o chipset. Como o gerador de clock é conectado ao FSB (e não diretamente ao processador), é a frequência dele que determina a frequência na qual o processador vai operar. Aumentando o FSB, o clock do processador aumenta proporcionalmente.

No caso nos processadores da AMD a partir do Athlon 64, o FSB foi substituído por um link HyperTransport e frequência do processador passou a ser definida por um clock de referência, assim como no Core i7 (onde o FSB foi substituído pelo QPI). De qualquer maneira, em ambos os casos o clock de referência tem a mesma função do clock do FSB, de forma que na prática pouca coisa muda.

O valor mostrado no setup é quase sempre o do clock real do FSB, e não a frequência efetiva, que é 4 vezes maior. Em um Pentium E, por exemplo, o FSB é de apenas 200 MHz; ao aumentá-lo para 220, você obtém um overclock de 10% e, ao aumentá-lo para 266 MHz (a mesma frequência utilizada pelos Core 2 Duo), o ganho já sobre para 33%:

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A maioria das placas baseadas em chipsets P35 e P45 são capazes de trabalhar com o FSB a 333 MHz (1333 MHz de frequência efetiva) ou mais sem qualquer problema de estabilidade, o que garante uma boa margem.

A opção "CPU Clock Ratio" especifica o multiplicador, mas você só conseguirá fazer overclock através dele nos processadores Extreme Edition e Black Edition, que não são uma alternativa muito realista devido ao custo. Estes processadores são destinados justamente aos endinheirados, que querem o melhor desempenho possível, a qualquer custo. Simples mortais, como eu e você, fazem overclock pelo FSB. :)

Uma curiosidade é que na maioria dos processadores da Intel o multiplicador é destravado para baixo (um pré-requisito para que o processador possa reduzir o clock quando está ocioso), o que permite que você use um FSB mais alto e um multiplicador mais baixo para combinar a frequência do processador com o multiplicador da memória, por exemplo. Outro uso é fazer underclock do processador, como veremos a seguir.

Um dos grandes problemas em aumentar o FSB é que você aumenta junto o clock da memória. Em geral, os módulos de memória oferecem margens de overclock muito menores, o que faz com que eles se tornem o limitante muito antes do processador.

A solução é ajustar o clock da memória, reduzindo o multiplicador conforme aumenta o clock do FSB. Se você está usando módulos DDR2-800 e quer usar o FSB a 316 MHz, por exemplo, pode reduzir o multiplicador para 2.50x (o que vai resultar em 790 MHz, bem próximo da frequência original). Ao usar o FSB a 266 MHz, você poderia setar o multiplicador para 3.00x e assim por diante:

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É possível também combinar o overclock do processador com um pequeno overclock da memória para tentar extrair um pouco mais de desempenho, mas não espere um ganho considerável, já que os módulos DDR2 e DDR3 geralmente já operam bem próximo do limite. É possível também fazer com que os módulos operem a frequências mais altas ao usar tempos de acesso mais altos (e vice-versa), mas nesse caso você troca seis por meia-dúzia.

Em resumo, o desempenho da memória é mais importante em processadores com pouco cache L2 ou com um cache L2 lento (como os Pentium E 5xxx, que possuem apenas 2 MB de cache L2) e menos importante em processadores que possuem mais cache (como o E8400, com seus 6 MB de L2) ou que desfrutam de um barramento mais generoso, como no caso dos i7 com controladores triple-channel.

Na maioria das placas, é possível também setar a frequência do barramento PCI Express, mas ela afeta apenas a velocidade de comunicação entre os componentes (especialmente entre o processador e a placa de vídeo), sem ter um efeito direto sobre o desempenho. O melhor é simplesmente manter o PCI Express trabalhando o mais próximo possível dos 100 MHz, que é a frequência default.

Concluindo, temos o ajuste das tensões que acaba sendo um dos fatores mais importantes para atingir as frequências mais altas. Nas boas placas, você pode não apenas aumentar a tensão do processador, mas também as tensões da memória, do FSB, do chipset (GMCH) e do PCI Express:

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Assim como no caso do processador, um pequeno aumento na tensão dos módulos de memória pode permitir o uso de frequências mais altas, permitindo que as memórias acompanhem o aumento na frequência do FSB sem que você precise reduzir o multiplicador, por exemplo. Entretanto, não é recomendável que você aumente a tensão mais do que 0.2V nos módulos DDR2 e mais do que 0.15V nos DDR3, caso contrário a vida útil dos módulos começa a entrar em risco.

Aumentar a tensão do FSB e do chipset pode ajudar a manter a placa-mãe estável ao utilizar um FSB muito alto (acima dos 340 ou 350 MHz), mas não é necessária em overclocks menos extremos, onde a frequência do FSB não ultrapasse os 333 MHz. Da mesma maneira, a tensão do PCI Express só deve ser aumentada caso você queira mexer na frequência do barramento.

Em muitas placas, além da opção de ajuste manual das tensões, você tem uma opção "Auto". Como o nome sugere, ela permite que o BIOS ajuste automaticamente as tensões, aumentando os valores de acordo com as frequências exigidas:

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Os fabricantes nem sempre são muito responsáveis com relação aos valores usados, tendendo a empregar aumentos exagerados nas tensões, de forma que a placa pareça ser melhor de overclock que as concorrentes. Estes aumentos exagerados abreviam a vida útil do processador, por isso o melhor é ajustar manualmente as tensões, aumentando-as em pequenos incrementos.

A principal dica ao aumentar o FSB é fazê-lo sempre em pequenos incrementos, rodando algum benchmark para testar a estabilidade do processador a cada passo. Com isso, você pode detectar que o processador está chegando perto do limite muito antes de ele começar a travar durante o post ou o carregamento do sistema. Avance até o ponto em que o processador começa a apresentar instabilidade, aumente a tensão em 0.025V, avance mais um pouco e assim por diante, até chegar perto do limite.

Junto com os clocks e as tensões, outra opção importante é a "CPU EIST Function", que faz parte das configurações básicas. Ela controla o gerenciamento de energia do processador, permitindo que ele reduza a frequência de operação nos momentos de baixa atividade, economizando energia e reduzindo a dissipação de calor:

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O EIST reduz drasticamente o consumo elétrico médio do processador (o que tem efeitos sobre a temperatura e o barulho), por isso é sempre desejável mantê-lo ativo. Entretanto, a variação no clock causa picos de demanda nos circuitos de regulagem de tensão, que acabam reduzindo a margem de overclock do processador.
Minha recomendação é que você mantenha o EIST ativado durante o uso normal do PC (usando um overclock mais leve) e desative-o apenas quando você precisar de um overclock mais extremo para jogar ou executar alguma tarefa especialmente pesada.

Complementando, temos as opções "CPU Enhanced Halt" (que permite que o processador entre nos estágios de mais baixo consumo, caso o EIST esteja ativado) e "CPU Thermal Monitor", que permite desativar o sistema de segurança que reduz o clock do processador quando a temperatura atinge um valor limite. Com o Thermal Monitor desativado, o processador simplesmente esquenta até travar, o que não é muito saudável.
Outra dica é sempre usar uma instalação descartável do Windows, ou uma distribuição Linux live-CD em vez do sistema operacional principal enquanto estiver testando, já que provavelmente você vai fazer a máquina travar várias vezes enquanto estiver testando os limites do processador. Deixe para usar o sistema principal apenas depois de ter certeza que chegou à configuração definitiva.

Tradicionalmente, quando você exagera no overclock, o processador passa a travar durante o POST, fazendo com que você precise precise limpar o CMOS para resetar a configuração e começar de novo. Você pode fazer isso de duas formas: através do jumper, ou removendo a bateria e usando uma moeda para fechar um curto entre os dois polos por 15 segundos.

Entretanto, a maioria das placas atuais oferecem sistemas de recuperação, que restauram o clock original do processador em caso de problemas, reduzindo muito o número de casos em que o reset do CMOS é necessário. Algumas placas chegam a oferecer botões de reset no painel traseiro para simplificar o processo:

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Uma boa fórmula para ter uma máquina estável, que pode ser usada continuamente, sem problemas de estabilidade é ir testando várias combinações de clock e tensões até chegar à frequência máxima na qual o processador se mantém estável e, em seguida, reduzir o clock em 10% em relação a este teto. Com isso, você passa a trabalhar com uma margem confortável de segurança, similar à empregada pelos fabricantes.

Do outro lado da moeda, temos também a possibilidade de fazer um underclock, reduzindo propositalmente a frequência do processador, com o objetivo de fazê-lo consumir menos energia e dissipar menos calor. Imagine o caso de um pequeno servidor de arquivos, que fica o tempo todo ligado apenas lendo arquivos no HD e despachando-os através da rede, ou um usuário que usa o micro apanas para navegar e rodar tarefas leves, por exemplo.

Além da economia na conta de luz, você tem a possibilidade de ter um PC mais silencioso, já que pode desativar alguns dos exaustores extras e usar um cooler com ajuste de rotação sobre o processador (que com o clock mais baixo vai ficar quase todo o tempo girando na rotação mínima).

Fazer underclock é mais simples, já que você precisa apenas reduzir o multiplicador do processador (lembre-se, ele é travado apenas para mais), até atingir a frequência que considera suficiente. Você pode também obter uma redução adicional reduzindo a tensão do processador, até encontrar o valor mínimo com o qual ele se mantém estável.

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  1. 12 respostas para “Overclock, parte 2: FSB e frequência da memória”

  2. Luzemário em 25 jun, 2009

    Hum… estou sentindo cheiro de uma nova publicação sendo encubada…

  3. Carlos em 25 jun, 2009

    Será Luzemário?
    Não imaginei ainda um título

  4. Leandro em 25 jun, 2009

    Carlos, se for fazer um livro de over seria interessante se vc colocasse uma pequena explicação para cada plataforma.. uma tabela com os limites teóricos de cada processador…
    desde q vc começou a publicar essas matérias sobre over eu to torrando os meus velhos athons XP aki em casa.. rsrs

  5. Marcos Elias em 25 jun, 2009

    Apenas a título de 'curiosidade', ainda sinto falta da antiga seção Overclock que tinha no menu do GdH :P

  6. fcm em 26 jun, 2009

    Um livro de overclock seria muito interessante…

    Pelo menos eu, fiz desde 586, e apesar de ser muito relativo o limite teórico que o Leandro disse, há o que se publicar como "clock que era normalmente alcançado".

    Esse é um assunto bem específico para um público específico, e como disseram em outro assunto do blog, se alguém prefere gastar R$500 em um cooler, que seja. Além de tudo ele também pode ser um hobby.

  7. Carlos Morimoto em 26 jun, 2009

    É sempre uma questão de ponto de vista, mas eu ainda prefiro gastar R$ 200 no processador, R$ 150 no cooler e fazer overclock, do que gastar R$ 800 no processador, R$ 150 no cooler e mantê-lo na frequência default, para obter no final do mesmo desempenho… :)

    Cooler, fonte, placa-mãe, gabinete, memória, são todos componentes em que você precisa investir de qualquer forma se quiser tem um bom PC. Fazer overclock simplesmente permite que você economize no processador, liberando recursos para investir no resto do micro.

  8. Anderson Hitchcock em 26 jun, 2009

    Gostei do seu modo de pensar Morimoto… tenho uma maquina media(E2180 @2.0Ghz,GA-EP31-DS3L,2x 2Gb DDRII800,HD4670 1Gb DDR3) e o fato de usar o bom e velho Dual Core me incomoda e estava pensando em adquirir um C2Q E8200 (500 reais) (hj so se Fala em C2D C2Q)Observando o topico de montagem de micro e sua postagem acima mudei de ideia: vou comprar um E5200 ja q com over resulta em otimo desempenho, comprar um cooler para isso (alguem recomenda algum?)com essa grana pq tbm nao axo inteligente gastar milhares de reais em hardware desnecessario :)

  9. fcm em 29 jun, 2009

    Sim Carlos…

    Eu já gastei esse valor com alguns coolers, na época que os Volcano e Zalman eram os badalados, e realmente eles eram muito superiores aos coolers box, pois eles eram muito mais ineficientes do que os atuais.

    O que quis dizer, é que entre os box e estes realmente bons, há soluções intermediárias que resolvem 99% dos casos, principalmente quando se tratar dos dual-core.

    Talvez o que seja mais interessante seja justamente o 150+200 = 800… uma equivalência que para quem não sabe porquê, por outro lado também é minha opção.

    Mas defendo os coolers mais baratos pois nos últimos que usei, foram suficientes para segurar a onda das CPUs com seu clock máximo (sem aumento de vcore) em ótimas temperaturas -- salvo nos quad-core.

    Como você disse, se compramos todos componentes pensando na qualidade, o gabinete e ventilação fazem parte de outros produtos em que escolhemos, e igualmente na nossa exigência, acredito nos box ou mais baratos também serem suficientes.

  10. Cássio em 5 jul, 2009

    Caramba,
    muito legal esses artigos
    já testei aqui e deu uma diferença muito boa, tanto pra cima quanto nas travadas.
    tenho um pentium 4 (775) rodando em uma asus p5vd1-x, aonde uso exporadicamente pois possuo outro computador.
    Acho que vou usar o E5100 em conjunto com o cooler do pentium 4 (pela foto é bem mais avantajado que o do dual core), e mandar um OC para dar uma sobrevida nesse computador.
    pena que a placa mae não tenha suporte ao aumento de voltagem =/

  11. Hamilton em 9 jul, 2009

    O aumento da frequência do FSB tem algum impacto nas operações de I/O dos HD's? Há algum risco de se corromper os dados lidos ou gravados?
    Quanto à RAM, entendi que a diminuição do multiplicador torna transparente a alteração do FSB. Mas há algum outro dispositivo que possa sofrer algum efeito (placa de vídeo, rede, HD, USB etc)?
    É minha última preocupação antes de me aventurar a fazer um overclock, pois minha maior preocupação é a estabilidade e integridade dos dados, principalmente o risco de estar ocorrendo falhas não perceptíveis que possam corromper os dados.

  12. rodnaldo em 10 jul, 2009

    eu nao conheco muito de overclocks mas percebi uma coisa : nunca vi ninguem comentar sobre overclocks em amd phenon x3 (os de treis nucleos) se alguem souber de algum lugar que ajuda pra fazer overclck desses processadores por favor pode me ajudar

  13. Sniper-7.62 em 18 jul, 2009

    Se você, Carlos Morimoto, chegar a ver este comentário pesso que me dê uma dica de qual seria o Overclock ideal para a máquina a seguir na qual tenho em mãos!!! O meu objetivo é conseguir chegar a uma margem segura para um alto desempenho em jogos.

    Máquina:
    Placa-mãe ASUS M2N-SLI DELUXE

    Gabinete Action Gamer 9 Baias gradiadas com Cooler de 8 Polegadas (bem ventilado)

    Processador Athlon 64 X2 5600+ Black Edition
    Cooler Búfalo 2800rpm com 6 Rit-Pipes
    4GB 2x Memória Kingston DDR2 2GB 800MHz

    Duas Fonte Learderchip de 600W Reais
    (Decide colocar duas porque não iria gastar mais de R$800,00 podendo gastar apenas R$500,00)

    Placa de Vídeo: GeForce 9800GX2

    E no momento estou usando o Vista Ultimate SP2 64 Bits.

    Peço essa grande dica de um cara muito respeitado no Ramo da Inormática.

    Até mais.


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