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Mini-review do Slax

Publicado em 13/03/2009 – 15:10
por Carlos Morimoto

O Slax é uma mini-distribuição baseada no Slackware, que permite fuçar e testar e fuçar sem precisar instalar e passar pela etapa inicial de configuração. Embora seja um live-CD, o Slax pode ser facilmente personalizado, o que faz com que ele seja também uma boa opção de mini-distribuição de bolso.

Página oficial: http://www.slax.org/
Mirror: http://merlin.fit.vutbr.cz/mirrors/slax/

Um dos grandes atrativos do Slax é ser um sistema bem simples e limpo, com poucos programas instalados por padrão. Ele é baseado nos pacotes da versão corrente do Slackware. O Slax 6.0.9, por exemplo, é baseado no Slackware 12.2 e utiliza o KDE 3.5.10 como ambiente padrão.

Como não poderia ser diferente em uma distribuição minimalista, o conjunto inicial de aplicativos do Slax é bastante espartano, centralizado em aplicativos do KDE. O método primário para instalar novos softwares é o "Slax Module Manager", um gerenciador de módulos que permite incrementar o sistema com módulos adicionais, que você pode baixar no: http://www.slax.org/modules.php

A instalação não poderia ser mais simples, basta baixar os pacotes desejados e instalá-los usando o gerenciador:

slax_html_m6c1b5cd2

Para ativar o suporte ao português, por exemplo, você precisa apenas instalar o módulo "KDE PT-BR", disponível na categoria de internacionalização e alterar a linguagem dentro do Centro de Controle do KDE.

Os módulos utilizam um sistema engenhoso, que permite que eles sejam usados para criar live-CDs personalizados. Cada módulo é uma imagem compactada em LZMA, que pode ser acessada diretamente pelo sistema, diferente de um pacote tradicional, cujos arquivos seriam descompactados e copiados para uma pasta específica.

Quando você instala um módulo com o sistema rodando a partir do live-CD, o sistema simplesmente o copia para a pasta "/mnt/live" e monta a imagem do módulo usando o AuFS, tirando proveito do recurso de montagem de múltiplas imagens suportado pelo sistema de arquivos. Isso permite que os arquivos dentro da imagem fiquem acessíveis e o software possa ser usado diretamente, sem precisar de uma instalação tradicional.

Além da tradicional imagem ISO, destinada a ser gravada em CD, está disponível também um arquivo .tar, destinado a ser instalado em pendrives formatados em FAT16 ou FAT32.

Para instalar, basta desempacotar o arquivo, copiar o conteúdo para o diretório raiz do pendrive e executar o script "boot/bootinst.sh" (no Linux) ou "boot/bootinst.bat" (no Windows) para tornar o pendrive bootável. A partir daí, basta configurar o setup do micro e dar boot através dele, como de praxe:

slax_html_m1da816b6

Outra opção é simplesmente dar boot através do live-CD, espetar o pendrive e copiar todo o conteúdo do CD para ele, executando o "boot/bootinst.sh" no final do processo. Na verdade, o conteúdo do CD e do arquivo .tar é exatamente o mesmo, muda apenas o formato do arquivo.

É possível também utilizar um pendrive formatado em EXT3 ou outro sistema de arquivos Linux. Nesse caso, é usado o script "boot/liloinst.sh", que grava o setor de boot usando o lilo em vez do syslinux.

É ao usar o pendrive que a idéia dos módulos passa a realmente fazer sentido. Em vez de precisar copiar os módulos para alguma mídia e instalá-los a cada boot do live-CD usando o gerenciador, você pode simplesmente copiar todos os módulos desejados para a pasta "slax/modules/" do pendrive. Isso faz com que os módulos sejam carregados automaticamente durante o boot, permitindo que o Slax se transforme em um eficiente sistema de bolso.

Como o sistema ocupa menos de 200 MB e os módulos são também arquivos compactados, é possível instalar um volume muito grande de softwares mesmo em um pendrive de 512 MB.

Assim como em outros casos, é importante sempre desligar o sistema corretamente para evitar corrupção e/ou perda de arquivos, o que é muito comum em partições FAT. Em casos de problemas, você pode executar um "scandisk" a partir do live-CD usando o comando "fsck.vfat -wa", seguido do device do pendrive, como em:

# fsck.vfat -wa /dev/sde1

O "-wa" faz com que o fsck corrija a maioria dos erros automaticamente. No caso de erros mais graves, que não sejam corrigidos pelo teste automático, use o "-wr", que ativa a recuperação interativa:

# fsck.vfat -wr /dev/sde1

Todas as modificações nas configurações, assim como todos os arquivos salvos são gravados de volta para o pendrive, na pasta "slax/changes/", o que faz com que ele se comporte de maneira muito similar a um sistema instalado.

Na tela de boot, você tem a opção de usar o "Slax Always Fresh", que permite dar um boot em modo live-CD, sem carregar as alterações feitas em seções anteriores, nem salvar as alterações feitas. Existe também a opção "Slax Graphics VESA mode", que ajuda ao carregar o sistema em máquinas problemáticas:

slax_html_m23a1fc11

Devido ao uso do menu, a tela de boot não permite especificar opções de boot. Entretanto, se você realmente precisar usar alguma opção específica, como a "acpi-off" ou a "nosmp" que são necessárias para que o sistema conclua o boot em algumas máquinas, é possível passá-las ao kernel através do arquivo "boot/slax.cfg", onde vai a linha de boot. Procure pela linha "APPEND", dentro da opção "Slax Graphics mode (KDE)" e adicione as opções desejadas:

slax_html_m37428f9a

Voltando à questão dos módulos, alguns dos módulos são pacotes compilados especialmente para o Slax, mas a grande maioria deles são apenas versões reempacotadas de pacotes do Slackware (ou, em alguns casos, de pacotes do Debian). Isso nos leva a uma constatação óbvia: você pode simplesmente bipassar o sistema de módulos e simplesmente instalar diretamente pacotes da versão correspondente do Slackware. Basta copiar os pacotes desejados para um pendrive ou outra mídia (ou simplesmente baixá-los via web a partir do ftp://ftp.slackware-brasil.com.br/ ou outro mirror) e instalá-los usando o installpkg.

Isso também funciona para servidores e serviços de sistema em geral (SSH, Squid, Apache, etc). Para instalar o servidor SSH no Slax, por exemplo, instale o pacote "openssh" que está dentro da pasta "slackware/n/" do CD ou mirror de instalação do Slackware. Ao instalar o pacote, será criado o arquivo "/etc/rc.d/rc.sshd", o script que permite inicializá-lo. Para usá-lo, você precisa primeiro transformá-lo num executável, usando o comando:

# chmod +x /etc/rc.d/rc.sshd

E, em seguida, inicializar o servidor SSH, usando o:

# /etc/rc.d/rc.sshd start

Outra opção, mais elegante, é transformar o pacote do Slackware em um módulo do Slax, que você pode simplesmente copiar para a pasta "slax/modules" do pendrive. A conversão é feita usando o comando "tgz2lzm", que faz parte do Slax. Basta indicar o arquivo .tgz e o arquivo que será gerado (você pode escolher o nome, mas é necessário manter a extensão .lzm), como em:

# tgz2lzm synergy-1.3.1-i486-1.tgz synergy.lzm

Você pode também configurar o sistema para executar comandos e abrir aplicativos automaticamente durante o boot seguindo o processo tradicional. Comandos para inicializar serviços e outros executados pelo sistema devem ser colocados no final do arquivo "/etc/rc.d/rc.local" e atalhos para aplicativos que devem ser abertos durante o carregamento do KDE devem ser copiados para a pasta ".kde/Autostart/" dentro do home.

O suporte a redes wireless no Slax é fraco se comparado a outras distribuições, já que ele inclui um conjunto reduzido de drivers, não inclui nenhum utilitário de configuração e também não inclui o wpa_supplicant, que é necessário para se conectar a redes com encriptação WPA ou WPA2. Para se conectar à rede, você precisaria instalar o wpa_supplicant e configurar a rede manualmente.

O mesmo vale para outros utilitários de configuração usados no Slackware, como o alsaconf para detectar a placa de som e o pppoe-setup para configurar conexões ADSL PPPoE. Entretanto, o Slax realiza muitas etapas de configuração automaticamente (ele detecta a placa de vídeo e a resolução correta do monitor, detecta a placa de som, carrega o ambiente gráfico automaticamente, etc.) o que reduz muito o trabalho de configuração do sistema se comparado ao de uma instalação limpa do Slackware.

Podemos dizer que o Slackware serve bem como uma distribuição para aprender, que deixa você configurar tudo manualmente e entender como o sistema funciona, enquanto o Slax se propõe a ser uma versão simplificada do sistema, mais prática de usar.

Em versões antigas, o Slax incluía o "Slax Installer", um instalador simples, que se encarregava de instalá-lo no HD, criando uma mini-instalação do Slackware. Entretanto, o instalador foi removido das versões atuais, dando lugar ao uso dos módulos e à instalação em pendrives. Pesquisando no Google é possível encontrar versões alternativas do script de instalação, que permitem instalar as versões atuais no HD, mas nesse caso seria mais recomendável simplesmente fazer uma instalação normal do Slackware. O forte do sistema é mesmo a possibilidade de rodar de forma eficiente a partir de um pendrive.

Concluindo, temos mais um recurso interessante do sistema, que é a possibilidade de criar CDs personalizados a partir do próprio site. Basta acessar o http://www.slax.org/build.php e usar a opção "Add more modules", marcando os módulos adicionais que devem ser adicionados na imagem.

slax_html_m7d2ca9db

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  1. 14 respostas para “Mini-review do Slax”

  2. Kevin-Moc em 13 mar, 2009

    "a possibilidade de criar CDs personalizados a partir do próprio site."

    Esras soluções parecem particulares de cada distro(Custom Nimblex, SuSE Studio), alguém sabe de uma solução generica sendo desenvolvida?

  3. Kevin-Moc em 13 mar, 2009

    Ops: Essas soluções parecem…

    Otimo post, parabéns.

  4. MaxRaven em 13 mar, 2009

    Bancando o Troll:
    Slax? No Thanks, prefiro o GoblinX :p

    Ele tem tudo que o Slax tem e mais um pouco, ou não, até menos se preferir hahah, é meio difícil explicar, mas facil de entender. Ele conta com versões menores, com Fluxbox, XFCE e hoje tem até Gnome para quem goste. Sem contar que dá para ir no fórum, encher o saco do dev, inclusive ele responde hahaha.

    Descobri o GoblinX quando o Morimoto anunciou o fim do Kurumin, precisava de algo para substituir na função de canivete suiço, foi uma mão na roda, até porque posso, facilmente, criar múltiplas versões com mais ou menos programas ou para funções especificas, mas o GoblinX me ganhou mesmo quando queimou minha HD e ele em pendrive funcionava até melhor que o sistema que eu estava usando antes :-/

  5. Artus em 13 mar, 2009

    Estes mini-reviews, são otimos!!
    Eu estou postando este comentario de um Slax, instalado no meu Hd neste momento. O processo é o mesmo da instalação no pendrive. Utilizo uma partição ext3 no hd, e uma instalação semelhante num pen, para emergencias.
    Baixei o modulo do slapt-get, um gerenciador de pacates estilo apt-get, não tão completo assim mas, quebra um galho quando não encontro o modulo no slax.org.
    O Slax é um liveCD, feito para ser usado como liveCD :o. Diferente da maioria dos lives que servem apenas como demonstração do sistema, o Slax é projetado para se comportar como, live mesmo quando no HD. E se aproveita de todas as vantagens que esta abordagem proporciona.
    O Goblinx é um sistema muito parecido com o Slax, ele usa o linuxlive, um conjunto de script criados pelo desenvolvedor do Slax, para a crição dos modulos, e da para instalar um modulo de um no outro, além de ambos serem baseados no Slackware. Na minha opnião ha duas vantagem principais no Goblinx, 1°: ele é desenvolvido por brasileiros ( pelo menos foi criado por ). 2°: Existe opções com diferentes ambientes graficos ( eu ão sou muito chegado no KDE ).
    Se você gostou das caracteristicas do Slax, sugiro dar uma conferida no Goblinx também.

    Acho que já falei demais :). Té mais!

  6. Elcio em 14 mar, 2009

    Morimoto disse: "Devido ao uso do menu, a tela de boot não permite especificar opções de boot." no 18º parágrafo, do início para o fim.

    Posso estar redondamente enganado, mas acho o slax tem sim opções de boot. Para acessá-las basta pressionar "ESC" (na tela de boot), e digitar os parâmetros desejados na próxima tela (em modo texto).

    Sobre o Goblinx vs slax. Pessoalmente sou mais favorável a maneira como o projeto slax é conduzido (Enfoque em um único ambiente gráfico, apenas um aplicativo por categoria, site bem organizado e simples, etc.).

    Apesar de achar o globinx um boa opção, pessoalmente não concordo com a idéia de seu projeto de atirar para todos os lados.

  7. frank_w em 14 mar, 2009

    Parabens pelo artigo!

    Ja havia usado o slax algumas vezes, mas na época tinha pouquissimos módulo, e o sistema nao "bootou" em algumas maquinas, pois quero usa-lo para manuteçao.

    Gostei muito da possibilidade de personalizar o sistema direto no site.

    Belo artigo.

  8. Rafael Poseddon em 14 mar, 2009

    [...] "scandisk" a partir do live-CD usando o comando "[b]fdisk.vfat -wa[/b]", seguido do device do pendrive, como em:

    # [b]fsck.vfat -wa /dev/sde1[/b] [...]

    um pequeno erro no texto.. mas não deixa de lado a qualidade do conteúdo!
    antigamente eu usava SLAX no Pen Drive.. mas atualmente vou de BackTrack :-)

  9. freeosbr em 14 mar, 2009

    Morimoto san, faltou o que acho o pulo do gato no Slax. A existência de uma imagem iso de uns 8 ou 9 MB que depois de gravados em um mini cd faz com que as placas mães que não possuem boot por pendrive rodem o Slax a partir dele usando o cd.
    Explicando melhor vc tem uma placa mãe antiga sem boot por pendrive e um drive de cd apenas e precisa salvar dados do hd, solução plugue o pedrive na porta usb e coloque o mini cd no drive ao dar boot pelo cd ele vai procurar o Slax no pendrive e inicializar o sistema, depois é só tirar o cd do drive e ele esta livre para gravar quantos cds quiser.
    Mas de qualquer forma este texto vem apenas acrescentar ao seu review que está muito bom por sinal, como sempre.
    um abraço a todos e…
    T+

  10. Silvestre em 15 mar, 2009

    Ciao

    Eu queria usar Linux mas tenho problemas com minha mobo A13g. O último linux que iniciou aqui foi o Ubuntu 7.04 depois pararam todos.
    O único que achei que iniciou foi o Slax Porcorn Edition.

    Tem solução?

  11. Anton em 19 abr, 2009

    Amigos gostaria de uma ajuda, eu instalei o Slax 6.1.1 no Pendrive e roda bem ,mas gostaria de roda-lo direto no HD, e já tenho uma pasta Slax no Hd agora como posso dar boot direto para iniciar pelo HD, tem algum script ou .bat que eu possa usar em un disquete para dar boot e acessar direto o Slax no HD, pois ele deve rodar mais rápido no HD que no Pendrive ou CD.
    Se alguem tiver uma solução agradeceria
    Obrigado

  12. Anton em 19 abr, 2009

    Continuando, talvez haja uma possibilidade de introduzir uma diretiva no boot/slax.cfg do Pendrive para acessar o Slax do HD, alguem tem essa dica agradeço
    Se tiverem podem enviar para meu Email macbill@ig.com.br
    Agradeço mais uma vez

  13. Danilo em 4 mai, 2009

    Não consegui deixar o slax em PT-BR.
    Na parte de módulos só achei o módulo PT-BR para o KDE 3.5.9. Para o 3.5.10 não achei nada.

  14. Leonardo Laporte em 26 mai, 2009

    Bom, deixo aqui a minha dica para todos que tenham a dúvida da instalação do Slax no sistema. Partindo do principio que você esteja instalando o sistema como padrão, ou seja, apenas irá existir o Slax no HD.

    * Primeiro crie um partição ext3 no disco.
    * Segundo crie um partição de Swap.

    Agora copie todo o conteúdo do CD para a partição que acabou de ser criada para receber o SLAX. Atenção! O conteúdo deverá ser somente as pasta: Boot e Slax. Somente isso e nada mais. Copie as pastas com o poder de super usuário (root).

    Revisando: Somente as pastas: Boot e Slax do Cd deverá ser copiada para o HD.

    Feito isto, entre no diretório: Boot que foi copiado para o HD. Atenção! Entre no diretório Boot que já se encontra no HD e não do CD tenha atenção nisto. Entre neste diretório pelo terminal com poderes de super-usuário (root). Se tiver operando do SLAX LiveCD a senha do root é: toor

    Ok, dentro do diretório: Boot do HD execute no terminal os seguintes comandos abaixo:

    chmod +x liloinst.sh
    ./liloinst.sh

    Isto irá instalar o lilo na MBR do disco e com as configurações de reconhecimento da sua partição. ( /dev/hda ). Após feito isso, reinicie o sistema. Logicamente não esqueça de retirar o CD do seu compartimento de leitura. Vale lembrar que não existe usuário no sistema, apenas o root é o chefão, então por favor entre no sistema com root e execute em um terminal: adduser (para criar um usuário comum)

    [...]

  15. Leonardo Laporte em 26 mai, 2009

    @ Danilo

    A versão para o KDE *.9 serve também para KDE *.10

    Vá ao site e baixe o módulo para um diretório qualquer e logo depois ative o mesmo no: Slax Module Manager … Depois é só procurar onde você colocou o seu pacote e ativá-lo posteriormente. É necessário reiniciar a sessão para perceber a diferença.


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