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iPhone: A questão dos aplicativos

Publicado em 13/10/2008 – 15:11
por Carlos Morimoto

Continuando o post de ontem sobre o iPhone, aqui vai um breve resumo sobre a questão do desenvolvimento e distribuição de aplicativos para a plataforma.

O iPhone original era uma plataforma fechada. O SDK não estava disponível e, com exceção de alguns parceiros escolhidos a dedo pela Apple, a única forma de desenvolver para a plataforma era através de widgets, páginas web glorificadas destinadas a exibirem informações específica. Essa característica fez com que o iPhone fosse considerado por muitos um featurephone e não um smartphone, já que ele não oferecia a possibilidade de instalar aplicativos adicionais, uma das características que define a classe.

Isso mudou com o iPhone 3G, que inaugurou uma mudança de paradigma na estratégia. Embora ainda com restrições (como uma draconiana cláusula de NDA, que impede que os desenvolvedores troquem informações entre si), a Apple passou a disponibilizar a SDK do iPhone OS, possibilitando o desenvolvimento para a plataforma. Entretanto, o iPhone continuou sendo fechado, no sentido que a distribuição dos softwares continuou sendo controlada pela Apple.

A única forma autorizada de instalar softwares adicionais no iPhone é através da AppStore, que é diretamente controlada pela Apple. Todos os softwares passam por revisão e apenas os softwares aprovados são disponibilizados através da loja. Alguns dos aplicativos são gratuitos e outros são vendidos a preços módicos utilizando o mesmo sistema do iTunes, com a renda sendo dividida entre a Apple e os desenvolvedores dos aplicativos.

Somando a renda proveniente da venda de aplicativos, com a renda vinda da venda de músicas e outros conteúdos através do iTunes, a Apple consegue ganhar uma boa bolada, indo muito além do ganho com a venda direta dos aparelhos. De certa forma, o modelo de negócios é similar ao usado para a venda de consoles como o Xbox e o Playstation, onde os consoles são subsidiados e o lucro provém da venda de jogos e acessórios.

A Apple utiliza um sofisticado sistema de DRM (o fairplay) para evitar a instalação de aplicativos "não autorizados" e também para evitar que os aplicativos comprados através da AppStore sejam redistribuídos. Como todo sistema de DRM, o fairplay tem sido alvo de ataques constante, que deram origem ao jailbreaking, o processo de "desengaiolar" o iPhone, burlando o sistema de DRM e permitindo a instalação de aplicativos.

Uma vez que o iPhone é desengaiolado, você ganha a possibilidade de instalar um grande volume de aplicativos, incluindo aplicativos removidos da AppStore por motivos diversos, que passaram a ser distribuídos por canais alternativos. Enquanto escrevo, um dos softwares mais usados é o WinPWN (http://winpwn.com/), que permite fazer o jailbreak de forma simples, a partir de um PC com Windows.

Existem controvérsias com relação à legalidade do jailbreak, já que ele implica em quebrar o sistema de DRM Apple, o que vai de encontro DMCA (nos EUA) e à lei dos Cybercrimes (aqui no Brasil), que tramita no congresso, o que abre brecha para potenciais represálias por parte a Apple. É provável que tolerem o jailbreaking enquanto ele estiver restrito aos círculos mais técnicos, mas passem a agir com processos contra desenvolvedores ou sanções diversas contra os usuários a partir do momento em que os softwares começarem a prejudicar seus interesses comerciais.

Voltando à questão da AppStore, um dos principais motivos do iPhone 3G não incluir suporte ao flash lite, disponível em outras plataformas é que o flash permite rodar aplicativos e jogos. Como a idéia é controlar o canal de distribuição, a Apple preferiu não incluir o recurso, de forma a manter o iPhone compatível apenas com aplicativos nativos, distribuídos através da AppStore.

Este é o mesmo motivo pelo qual a Apple tem resistido à idéia de incluir suporte a Java no iPhone já que esta seria, novamente, uma brecha para rodar aplicativos. É possível instalar o interpretador Java em iPhones desengaiolados usando o Cydia (www.telesphoreo.org/), que é um gerenciador alternativo de aplicativos, que permite instalar aplicativos desenvolvidos com ferramentas open-source e também aplicativos portados, vindos do Linux ou outros sistemas Unix mas, naturalmente, isso não é permitido nem incentivado pela Apple.

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  1. 12 respostas para “iPhone: A questão dos aplicativos”

  2. Edward T. Phantom em 13 out, 2008

    dias contados e uma grana enorme gasta em marketing indo pro ralo … é … mundo novo é uma #$%$% pra quem quer monopolizar XD

  3. Bruno Garcia em 13 out, 2008

    Em certos aspectos a Apple esta se tornando muito pior e muita mais gananciosa do que a Microsoft…
    Uma coisa é proteger os seus produtos, outra bem diferente e impedir que possamos colocar o que quisermos ou fazer o que acharmos melhor nos aparelhos que compramos!!!
    Isto é uma clara violação dos nossos direitos e contra a concorrência sadia e legal!
    Isto se chama monopólio abusivo e repulsivo!

  4. porongo51 em 13 out, 2008

    A Apple vai acabar perdendo o mercado fazendo estes bloqueios que chegam a ser um exagero.
    Estava pensando em comprar um, mais de depois de ler esse post e o de ontem fui desemcorajado.

  5. gilvane.neo em 13 out, 2008

    Pelo que vejo o iPhone é só o começo, logo-logo todos os telefones terão este mesmo tipo de tecnologia, aí quem tiver esta política fechada da Apple vai perder pros outros que vão liberar para ganhar mercado. Nos dias de hoje todos querem liberdade, de que adianta ter "O TELEFONE MULTIMÍDIA" se no fim das contas tudo que for fazer nele tem que pagar.

  6. Bruno Gama em 13 out, 2008

    Agora é possível rodar windows mobile no iphone quem sabe da pra por mais coisa :P

  7. Gilson Filho em 14 out, 2008

    Tomara que com a chegada dos sistemas Android aqui no Brasil, quebre esse monopólio discriminado de limitações de instalação de softwares 'não autorizados' e pela alteração do sistema. Ele não pode ser um maravilhoso sistema 'iPhone', mas pelo menos faz o que vc deseja sem prender ninguém.

  8. Charles Mattioda em 14 out, 2008

    Saudades do “Steve Wozniak” e do Apple II de 20 anos que eu tive quando um tinha espinhas.
    Era incrível, a Apple era bem diferente!
    Tudo o que eu já vi da Apple com I-Jobes, I-Mac, I-Phone, só reforça a minha crença que se um dia e DEUS nos livre dessa da Apple assumir a liderança do mercado de “Ti”.
    Nos sentiríamos saudades da figura folclórica com cara de nerd do Bill.
    Lembro da campanha da Apple para promover o MACoSX, para usuário de Unix e Linux!
    Piada com essa politica e se um dia alguem gastar esforços para desenvolver algo para rodar no Mac afim de promover o sistema e a Apple com essa atitude, despenca maiores comentários.
    Mas enfim se alguem vier contar vantagem por que gasto uma baba em dinheiro para compra o IPhone vo da aquela risada!!!

    Piada de ultima hora, machista e de mau gosto:

    Compra Iphone e como casa com uma “Socialites “
    E bonita para sair e mostrar para os outros.
    Mas você paga caro e quando chega em casa descobre que o Iphone…
    I não lavo louça, I não cozinho, I não passo roupa…
    Enfiem você descobre a bobagem que fez na vida!

  9. Bia Kunze em 18 out, 2008

    Pelo que tenho lido sobre o Android e sua loja de aplicativos, ocorrerá algo semelhante. Pelo menos nos termos de uso há um trecho onde o Google diz que se reserva no direito de remover aplicativos de acordo com seus critérios. Tudo muito obscuro ainda, sabe-se lá que "critérios"serão esses, mas já é um indício que o novo sistema não será tão "open" quanto imaginávamos.

    É uma pena. Pena mesmo. Por isso sinto cada vez mais saudade da época em que só havia Palm e Windows Mobile -- nunca houve restrições desse tipo, e nós, usuários, tínhamos o direito de fazer o que bem entendêssemos com os dispositivos que comprávamos.

  10. Eddie Silva em 18 out, 2008

    Mesmo sendo contra desta prática da Apple e agora da Google por meio do Android Store, a Google leva um pouco de vantagem primeiro por ser honesta em dizer que irá fazer isto antes mesmo de lançar, sendo que na Apple só foi descoberta esta prática por meio de um usuário. A Google também irá ressarcir os usuários que foram prejudicados com a remoção do aplicativo, coisa que para a Apple é quem comprou, "dançou".

    Realmente concordo com a Bia. Good times quando tínhamos apenas o Palm e WM.

  11. Carlos Morimoto em 18 out, 2008

    O complicado é que hoje em dia temos o problema da segurança, e o fantasma da possibilidade de um worm ou vírus atingir um grande volume de aparelhos e causar prejuízos em larga escala.

    Me lembro que um dos motivos alegados pela Apple para a desativação remota de aplicativo era a questão da segurança contra aplicativos mal intencionados que surgissem no horizonte, essencialmente o mesmo motivo que é usado agora pelo Google. A Nokia implantou algo similar no S60, na forma dos certificados de segurança, que também despertaram reações negativas.

    No final é provável que todos os fabricantes passem a adotar sistemas similares e o que diferencie um do outro seja o fato de efetivamente usar ou não. Dá realmente uma certa saudade dos velhos tempos :)

  12. Erick Pessoa em 18 out, 2008

    Eu acho que há males que vem para bem. O fato da AppStore existir e a facilidade do sistema fará com que mais "mortais" utilizem o iPhone sem medo dos aplicativos e das dificuldades de instalar e retirar, fato este que ocorria várias vezes nas plataformas totalmente livres.
    Eu acredito que quem for heavy user sempre vai poder desbloquear o telefone e talvez em um futuro quando Smartphone for algo comum, aí teremos mais opções para escolher qual plataforma livre usarmos.

  13. Dark Kill em 18 nov, 2009

    Ohh me ajudem Meu Bluthoff Não Pega Só da Off


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