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Smartphones: a história do Symbian

Publicado em 27/09/2008 – 07:03
por Carlos Morimoto

A Psion era uma pequena empresa Inglesa, que começou a produzir computadores de mão em 1984, que culminaram no Psion Series 5, um handheld bastante poderoso (para a época), que oferecia um volume surpreendente de recursos e rodava um sistema operacional próprio, o EPOC.

O Psion Series 5 era baseado em um processador ARM7100 de apenas 18.4 MHz, combinado com 8 MB de memória SRAM, usada para armazenamento e instalação de programas, que podia ser expandida através de cartões compact flash de até 128 MB. Na época, os cartões de memória eram ainda muito caros (eles vieram a se popularizar apenas a partir de 2004), de forma que 128 MB pareciam realmente uma capacidade inatingível.

Outra característica curiosa é que o Psion 5 funcionava com duas pilhas AA, que resistiam a até 30 horas de uso contínuo. Com isso, a autonomia não era problema, já que você podia comprar dois pares de pilhas recarregáveis e simplesmente ir trocando-os conforme o uso (os dados da memória eram preservados durante as trocas graças a uma bateria de backup, como as usadas nas agendas eletrônicas).

A característica que mais chamava a atenção era o teclado, que deslizava quando o aparelho era aberto, melhorando o aproveitamento do espaço e colocando a tela numa posição confortável para uso prolongado. Isso tornou o Psion o preferido entre engenheiros, médicos e profissionais em geral, já que era o único portátil da época que permitia trabalhar confortavelmente por longos períodos, substituindo um notebook:

Entre os aplicativos instalados, estavam um processador de textos, planilha, gerenciador de contatos, agenda, calculadora, leitor de e-mails e navegador, que podiam ser usados caso você comprasse o modem serial, que era vendido como acessório.

A tela era monocromática e não oferecia um contraste muito bom, refletindo muito a luz ambiente. Entretanto, ela tinha como grande vantagem a resolução de 640×240, espaçosa mesmo para os padrões atuais:

Em termos de hardware, o Psion 5 era bastante modesto, a começar pelo processador. O grande destaque era o sistema operacional, que aproveitava muito bem os recursos de hardware, e rodava com um desempenho surpreendente.

O Psion 5 foi seguido pelo Series 5 MX, pelo Psion Revo e pelo Series 7, um modelo maior e com tela colorida. Nenhum deles fez muito sucesso, o que acabou levando a empresa a descontinuar a linha em 2001. Apesar disso, o EPOC sobreviveu, dando origem ao Symbian, que o sistema mais usado em smartphones, sobretudo em aparelhos da Nokia, LG, Samsung, Motorola e Sony-Ericsson.

Duas vantagens do Symbian é que ele tem o apoio de vários fabricantes (incluindo a Nokia, que possui mais de 30% mercado global de aparelhos) e que ele é um sistema relativamente leve (principalmente se comparado ao Windows Mobile, que seria seu concorrente direto) permitindo que ele seja usado em aparelhos mais compactos, sem que as funções ou a autonomia da bateria sejam comprometidas.

A família Symbian é dividida em duas plataformas, parcialmente incompatíveis. De uma lado temos o S60, desenvolvido pela Nokia (e encontrado também em alguns aparelhos da LG, Samsung e alguns outros fabricantes, que licenciam o sistema) e o UIQ, encontrado em aparelhos da Sony-Ericsson e da Motorola. Entre os dois, o S60 é o mais usado, simplesmente porque a Nokia vende um volume muito maior de aparelhos.

Uma das principais diferenças entre os dois é que o S60 é controlado através das teclas, oferecendo uma interface mais familiar para quem está acostumado a usar as interfaces de celulares, enquanto o enquanto o UIQ oferece suporte a telas touchscreen e ao uso da stylus:

A relação entre o Symbian, o S60 e o UIQ pode parecer complicada, mas na verdade não é. O Symbian é o sistema operacional, que inclui drivers e bibliotecas de funções, enquanto o S60 e o UIQ são interfaces que rodam sobre ele, incluindo aplicativos e bibliotecas de desenvolvimento.

Se fôssemos traçar um paralelo com as distribuições Linux, o Symbian seria composto pelo Kernel e as bibliotecas básicas do sistema, enquanto o S60 e o UIQ seriam o KDE e o Gnome; interfaces que rodam sobre ele.

Continuando, embora o Symbian tenha nascido como um sistema proprietário, ele fez o caminho inverso em 2008, quando a Nokia, que já tinha 48% das ações da empresa, comprou o restante da Symbian, incluindo os direitos sobre o sistema, para em seguida anunciar a abertura do código fonte e a transferência do desenvolvimento para uma fundação neutra, a Symbian Foundation, processo que será concluído até 2010.

Essa decisão pode parecer estranha a princípio, mas na verdade foi cuidadosamente calculada. A Nokia utiliza o Symbian na maior parte dos seus aparelhos, que representam alguns bilhões anuais apenas em lucro líquido. Com isso, comprar os direitos sob o sistema de forma a evitar que outra empresa concorrente o fizesse faz bastante sentido.

Por outro lado, manter o sistema proprietário significaria que a Nokia teria que arcar sozinha com todo o desenvolvimento do sistema e correr o risco de ver os desenvolvedores de softwares e outras empresas que utilizam o sistema debandarem para o Android, que é uma plataforma aberta. Com isso, comprar e em seguida abrir o sistema acabou se revelando a melhor saída.

A Symbian Fundation já conta com nomes de peso, como a Motorola, Sony Ericsson e a NTT DoCoMo, que estão contribuindo com código do UIQ e outros componentes, além da própria Nokia, que anunciou planos de abrir o S60 e doar o código à fundação. Com isso, o Symbian caminha no sentido de se tornar uma plataforma unificada e aberta, em uma posição bastante fortalecida.

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  1. 4 respostas para “Smartphones: a história do Symbian”

  2. Luis em 24 dez, 2008

    O S60 está já com suporte a touchscreen. Veja só o N97 e o 5800 XpressMusic. Portanto, ele já não deve mais nada ao UIQ.

  3. ACM em 17 abr, 2009

    Prezados Senhores ,

    Sei que este não seria o canal adequado p/ isto mas estou apelando p/ todas as possibilidades que encontro p/ tentar resolver o meu problema. Me desculpem, mas peço mto que me ajudem. Bom, vamos lá.

    Estou precisando muito resolver um problema em meu celular e ja procurei demais e não encontrei o que preciso e portanto recorro aos srs. pois acredito que tenham grande conhecimento no ambiente Symbian.

    O que preciso é uma solução para iniciar uma aplicação automaticamente qdo o celular é ligado. Ja encontrei o autoexec e o autostart, inclusive em vários sites, porém acredito que essas versões que estão disponíveis na internet devem ser antigas ou de alguma forma incompatíveis com o meu celular pois todos esses que tentei instalar deram como instalação não aceita.
    As versões que achei e não instalaram foram essas abaixo:

    AutoExec.v1.01.S60.SymbianOS.*******-XiMPDA
    AutoExec v1.1 (SymbianWare)
    Auto Start v1.32 (Psiloc)

    Inclusive baixei a ultima versão desse AutoStart do site da Psiloc mas tb deu instalação não aceita.

    O meu celular é um Nokia 6110 Navigator e pelo que vi o Symbian que roda nele é o S60 v3 OS 9.2

    Desde já agradeço a atenção dispensada e conto muito com a colaboração dos senhores.

    obrigado

    Alexandre

  4. yesa em 7 jul, 2009

    oi, preciso de ajuda… gostaria de saber se vcs tem mais informações sobre o Symbian, é pra um trabalho da faculdade. Agradeço muito se puderem me ajudar.VLW

  5. MCC em 25 jul, 2009

    Ola gostaria de um software de Banco de Dados para um Nokia E71. Algu[em conhece ?


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