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Boas fontes de alimentação são as mais baratas

Publicado em 03/07/2009 – 16:35
por Carlos Morimoto

Responda rápido: Qual dessa duas fontes é a mais barata?

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Nem deveria ter feito essa pergunta, afinal a resposta é obvia. Mesmo sendo o modelo mais barato da Corsair, a 400CX custa mais de 200 reais, enquanto a Coletek custa 35. Pode ser que ela tenha outras vantagens, mas sem dúvida o custo não é uma delas, certo? Bem, como sempre, as coisas não são tão simples assim. Vamos às controvérsias.

Assim como no caso de um chuveiro elétrico, a maior parte do custo de uma fonte de alimentação não está no custo do produto propriamente dito, mas sim na energia desperdiçada por ela ao longo da sua vida útil. Qualquer fonte, por melhor que seja, desperdiça energia durante o processo de conversão e retificação, energia essa que acaba "indo pelo ralo" na forma de calor dissipado pelo exaustor.

Em um PC cujos componentes internos consumam 200 watts/hora em média (sem contar o monitor, já que ele não é alimentado pela fonte de alimentação), acabaria consumindo 307 watts se usada uma fonte com 65% de eficiência. Ao mudar para uma fonte com 80% de eficiência, o consumo cairia para apenas 250 watts. Caso você conseguisse encontrar uma fonte com 90% de eficiência (elas são iguais os Gnomos: ninguém nunca viu, mas muitos juram que existem :) o consumo cairia mais um pouco, indo para os 225 watts.

Fontes genéricas de uma maneira geral trabalham com um nível de eficiência bastante baixo, na maioria dos casos na faixa dos 60 a 65%, já que a prioridade dos fabricantes é reduzir os custos e não melhorar a eficiência do projeto. Por outro lado, a maioria das fontes de qualidade da safra atual são capazes de trabalhar acima dos 80%, uma diferença que ao longo do tempo acaba se tornando bastante considerável.

Basta fazer as contas. Tomando como base um PC de configuração relativamente modesta, que consumisse uma média de 100 watts/hora e ficasse ligado 12 horas por dia, teríamos o seguinte:

Fonte com 65% de eficiência:
Consumo médio: 152.3 watts/hora
Consumo total ao longo de 12 meses: 667 kilowatts-hora

Fonte com 80% de eficiência:
Consumo médio: 125 watts/hora
Consumo total ao longo de 12 meses: 547 kilowatts-hora

Dentro do exemplo, tivemos uma redução de 120 kWh, que (tomando como base um custo de 44 centavos por kWh) correspondem a 53 reais.

Se o PC ficar ligado continuamente, ou se levarmos em conta o consumo ao longo de dois anos, a economia já vai para 106 reais, o que começa a se tornar uma redução significativa.

Ao usar um PC mais parrudo, com um processador quad-core e uma placa 3D mais parruda, o consumo pode chegar facilmente aos 300 watts, o que poderia levar a diferença aos 300 reais anuais.

Outro fator a considerar é a questão da durabilidade. Muita gente troca de fonte sempre que faz algum upgrade significativo no PC ou quando a fonte parece estar ficando "velha", o que não é necessário em absoluto ao usar uma fonte de boa qualidade. A maioria dos bons produtos possuem um MTBF (clique aqui para uma explicação de o que vem a ser um "MTBF") de 60.000 horas (o que equivale a quase 7 anos de uso ininterrupto) e, mesmo assim, o valor se aplica mais ao exaustor (que é o único componente móvel) e não à fonte propriamente dita. Se você somar o custo de três ou quatro fontes genéricas substituídas prematuramente, vai acabar chegando ao preço de uma fonte melhor.

Como pode ver o cálculo é um pouco mais complicado do que pode parecer à primeira vista, mas fazendo as contas, você vai chegar à conclusão que fontes mais caras, porém mais eficientes, podem acabar saindo bem mais barato a longo prazo, mesmo desconsiderando todos os outros fatores.

Chegamos então a uma segunda questão, que é como diferenciar as fontes de maior e menor eficiência, já que mesmo muitas fontes consideradas "boas", como a SevenTeam ST-450P-CG (que custa mais de 200 reais) trabalham abaixo dos 70% de eficiência. Chegamos então ao 80 PLUS.

O 80 PLUS é um programa de certificação, que faz parte do programa Energy Star, que existe desde 1992 e é atualmente adotado por diversos países, incluindo a União Européia, Japão, EUA, Taiwan, Canadá e outros. O Energy Star foi o responsável pela introdução de recursos como o desligamento do monitor e dos HDs depois de algum tempo de inatividade, entre diversas outras funções "verdes" que são encontradas nos PCs atuais. O 80 PLUS é um programa de certificação para fontes, que atesta que ela é capaz de manter uma eficiência de pelo menos 80% em três níveis de carregamento: 20%, 50% e 100%.

Complementarmente, ela deve oferecer também um fator de potência de 90% ou mais com 100% de carregamento, o que torna obrigatório o uso de PFC ativo. Além de pesquisar pelas fontes com o selo, você pode também consultar uma lista das fontes certificadas no: http://80plus.org/manu/psu/psu_join.aspx

Inicialmente, a certificação era inteiramente facultativa, mas a partir de 2007 ela passou a fazer parte do Energy Star 4.0, o que acelerou bastante a adoção por parte dos fabricantes, já que atender ao padrão é um pré-requisito para vender para muitas grandes empresas e entidades governamentais.

O selo "80 PLUS" é sempre colocado em local visível na caixa e também na página do fabricante, o que o torna uma forma simples de diferenciar as fontes de qualidade das genéricas ou semi-genéricas.

Além de atestar a eficiência, ele atesta também que a fonte é capaz de realmente operar dentro da capacidade máxima com uma certa folga, o que põe fim ao velho engodo dos fabricantes em divulgarem a capacidade de pico e não a capacidade real.

Construir fontes capazes de atingir os 80% de eficiência a 100% de carregamento é uma tarefa difícil, por isso não faz sentido que um fabricante produza uma fonte capaz de atingir a marca e deixe de submetê-la ao processo de certificação. Se uma fonte promete "85% de eficiência", mas não possui o selo, é bem provável que o fabricante esteja mentindo, ou que os 85% sejam atingidos apenas em situações ideais.

Em 2008 foram criadas três certificações complementares, que são conferidas às fontes que são capazes de atingir níveis ainda mais altos de eficiência:

80 PLUS Bronze: 82% de com 20% de carga, 85% com 50% e 82% com 100%
80 PLUS Silver: 85% de com 20% de carga, 88% com 50% e 85% com 100%
80 PLUS Gold: 87% de com 20% de carga, 90% com 50% e 87% com 100%

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Uma observação importante é que as fontes atingem o nível máximo de eficiência em torno dos 50% de carregamento, apresentando eficiências ligeiramente mais baixas tanto com pouca carga quanto com muita carga. É justamente por isso que o o 80 PLUS Gold exige 90% de eficiência apenas a 50% de carga.

O nível que as fontes são menos eficientes é abaixo dos 20%, quando não apenas a eficiência é mais baixa, mas também o fornecimento é menos estável. Uma analogia tosca poderia ser feita com relação a um motor à gasolina, que é eficiente em rotações médias e altas, mas engasga em baixa rotação.

Ironicamente, esta peculiaridade com relação ao fornecimento é um fator que faz com que muitas fontes genéricas se saiam melhor do que deveriam em testes de eficiência. Explico: ao usar uma fonte de 450 watts reais ou mais em um PC de baixo consumo, que passa a maior parte do tempo consumindo apenas 60 ou 70 watts, a fonte passará a maior parte do tempo operando abaixo dos 20% de capacidade, zona em que mesmo as melhores fontes não são muito eficientes. Nessa situação, mesmo uma fonte 80 PLUS pode apresentar resultados desanimadores, já que o programa testa a eficiência da fonte apenas até os 20% e não menos.

Nessa situação, uma fonte genérica com uma capacidade real de 160 ou 200 watts (e provavelmente anunciada pelo fabricante como uma fonte de "450 watts") poderia apresentar uma eficiência similar, já que estaria operando mais próximo aos 50%, zona em que as fontes são mais eficientes.

Em outras palavras, o ideal é sempre dimensionar a fonte de acordo com a capacidade do PC. Ao montar um PC de baixo consumo, prefira fontes 80 PLUS menores, de 300 ou 350 watts, que farão um trabalho bem melhor ao alimentarem PCs abaixo dos 100 watts. Assim como em tantos outros casos, a capacidade da fonte deve ser corretamente dimensionada; não é apenas questão de sair comprando a fonte de maior capacidade que encontrar.

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  1. 26 respostas para “Boas fontes de alimentação são as mais baratas”

  2. irresponse em 3 jul, 2009

    Essa eu morria e não sabia…
    Muito interessante Morimoto, muito mesmo.

  3. Denilson Marcos em 3 jul, 2009

    Olá, poderia citar 2 ou 3 fontes com o certificado 80 Plus com potência abaixo de 400 Watts ?

    Obrigado.

  4. Carlos Morimoto em 3 jul, 2009

    É só dar uma olhada na lista do 80plus.org. Tem vários modelos, incluindo alguns da Akasa, Cooler Master, Delta, Termaltake e até da Huntkey.

  5. Ronaldo Santos Pereira (Flash-Ray) em 3 jul, 2009

    Essa eu sabia mas não tinha me aprofundado tanto, uma beleza esse artigo, bom trabalho, parabéns

  6. _teco em 3 jul, 2009

    só pra citar uma fonte que consegue os 90% de eficiência:
    http://www.clubedohrdware.com.br/artigos/1692/7

    exatamente do jeito que o morimoto falou: com 50% da carga (na realidade entre 40% e 60% :-)

  7. Flavio em 4 jul, 2009

    Morimoto, qual é a eficiência das fontes dos noteboooks?

  8. Flavio em 4 jul, 2009

    Oops, digo, notebooks.

  9. legendario em 4 jul, 2009

    Só uma coisa: como calcular a capacidade do PC ao escolher os componentes para montá-lo?

  10. thiagordo em 4 jul, 2009

    boa postagem, rápida e didática.

    legendario, voce tem de ver o consumo de cada componente em pico, mas existem sites que fazem isso, como esse aqui: http://www.extreme.outervision.com/psucalculatorlite.jsp

    note que aqui são considerados os consumos simultaneamente em pico, então o consumo real raramente pode ser este citado. logo, é superdimensionado e garante uma margem de segurança

  11. gilvane.neo em 4 jul, 2009

    A minha fonte é um Coletek igualzinha a da foto, bem que eu queria a outra, mas a verba era curta.

  12. Bruno Silva em 4 jul, 2009

    @Denilson Marcos

    A minha é essa: http://www.seventeam.com.tw/product_contentx.php?theme_select=1english&cid=105&pid=424

    @legendario

    Dá uma olhada aqui: http://www.extreme.outervision.com/psucalculatorlite.jsp

  13. bruno em 4 jul, 2009

    Mesmo assim, o selo de certificação não serve pra muita coisa na prática. Uma fonte rotulada com qualquer um desses selos pode nem cumprir as exigências. E isso não reflete muito com o mercado de pcs do Brasil, onde temos muitas fontes que sequer fornecem sua capacidade rotulada, como a Leadership Game Wireless de 900w, que na verdade é uma fonte de 350w. Por isso que as mesmas fontes devem ser testadas sob outros aspectos. Também se esquecem do nível de ripple e ruído das saídas, que se não for dentro das especificações, causam danos aos componentes que recebem energia a longo prazo.

  14. bsantucci em 4 jul, 2009

    É quem tem para gastar compra a melhor haja grana.
    Não estou contestando nada , tem gente que vai a China para comprar a melhor fonte do mundo quando liga ela fala em 10 línguas a escolher.
    Uso PC desde 1986 minhas fontes sempre foram as de R$ 35,00 por sorte nunca tive nenhum problema só troco quando placa mãe pifa de 7 em 7 anos em média.
    Tem gente que anda de Gol com pneu Brygtone seguro até 200 milhas tudo bem.

  15. Caynan em 4 jul, 2009

    @bruno
    Cara entendo perfeitamente que você nunca tenha tido problemas com seu computador usando essas fontes de R$35,00 o problema delas não esta tanto na potência embora isso também seja algo que elas perdem muitas vezes. mais na eficiência, e o que seria isso. É o fato dela consumir menos energia, além de lhe dar mais segurança na hora de comprar novos componentes. Então se você não faz questão de pagar a mais pelo uso do seu computador, então não vejo razão para gastar um pouco a mais em uma fonte decente.

    Agora falando do que eu achei do artigo, veio bem a calhar eu estava justamente pensando sobre as vantagens de se comprar um fonte mais cara. E foi só abrir o google reader, pra ver o seu artigo e ter todas as respostas que estava precisando. Obrigado cara.

  16. Caynan em 4 jul, 2009

    opa Bruno não. e sim bsantucci.
    falha na hora de endereçar a resposta. peço desculpas.

  17. Francildo Alves em 5 jul, 2009

    Bôa Morimoto,
    Muito interessante o artigo.

  18. Duende em 6 jul, 2009

    Denilson, no Brasil temos a Seventeam 380P-AS, por sinal
    a única Seventeam que já me viram recomendar por aí.
    A Zalman 360W não tem o certificado, mas certamente ficou
    bem próxima de tê-la. De 400W redondos temos a Corsair
    400.

    Teco, para definir a eficiência da fonte é preciso colocá-la
    a 100% de carga. Com carga média até uma Huntkey GreenStar 350W
    tem mais de 80% de eficiência.

    Bruno, não sei se você comentou sem ler a matéria. O certificado
    serve para determinar a eficiência da fonte e se ela tem um
    mínimo de 80% de eficiência. A eficiência não tem nada a ver com
    a capacidade de oferta de potência da fonte.

    Como leitura suplementar sugiro a todos a matéria do Faller sobre o mesmo
    assunto:

    http://www.guiadohardware.net/comunidade/boas-fontes/988794/

  19. Denilson Marcos em 6 jul, 2009

    Obrigado pela indicação Duende, não conhecia esse modelo da Seventeam, gostei bastante.

    Não entendo porque os modelos Seasonic, de ótima qualidade, não vem para o Brasil. Algum desses grander importadores poderiam revender essas fontes por aqui.

  20. Junim em 6 jul, 2009

    Não ficou clara a diferença entre Eficiência e fator de potência. Para o leitor leigo o artigo está muito bom, porém carece de um desenvolvimento mais técnico.

  21. Juan em 6 jul, 2009

    Tem outros fatores muito importantes. O barulho, e o tempo de resitencia do ventilador atè pifar.
    Um equilibrio, entre esos tres fatores, para mim faz a fonte ideal. Comprei uma seventeam de mais de 200 reais, e pifou, em 3 meses o ventilador. Fui trocar, não achei, e perdí a fatura, a manhá vou comprar uma fonte, não penso gastar mais de 70 reais.

  22. italogcc em 7 jul, 2009

    Finalmente as pessoas estão começando a entender as diferenças entre os tipos de potências, fator de potência e rendimento. Dormirei mais tranquilo hoje.

  23. Roberto em 7 jul, 2009

    Sem querer sempre fiz certo, sempre usei fontes genéricas, e sempre utilizei hardware fraquinho….

  24. Carlos Morimoto em 7 jul, 2009

    Não é bem questão de "fazer certo". Simplesmente você deu sorte, já que por exigirem menos energia da fonte, os componentes "fraquinhos" nunca excederam a capacidade de fornecimento. De qualquer maneira, ainda tem a questão da eficiência, estabilidade das tensões de saída, nível de ruído eletromagnético e outros fatores.

  25. -Uchiha- em 8 jul, 2009

    Excelente artigo… E muito prático a utilização do Selo 80 PLUS… irá facilitar bastante na hora de pesquisar se o modelo da fonte XYZ é boa… No entanto, acredito que possam vir a ter falsificações desse selo…

  26. Jeferson Armindo em 2 nov, 2009

    otimo artigo

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  2. jul 6, 2009: GDH Press: Blog » Fontes: Entendendo o PFC

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