A farsa do carro movido a água
Publicado em 16/06/2008 – 10:57por Carlos Morimoto
Um curioso anúncio de uma empresa Japonesa, que afirma ter inventado um carro movido a água, capaz de rodar até 80 km com um livro de água do mar foi destaque em diversos veículos de comunicação nesse final de semana. Curiosamente, até a BBC Brasil publicou uma reportagem curta sobre o tema, sem dar muitos detalhes sobre o funcionamento do veículo.
O princípio de funcionamento é o mesmo do dos carros movidos a hidrogênio, ou seja, um processo quebra as moléculas de água, separando o hidrogênio e o oxigênio, que são então recombinados em uma célula de combustível, gerando energia que é então usada para mover o carro.

Este tipo de notícia é um prato cheio para programas sensacionalistas, já que um carro movido a água seria a resposta para muitos dos problemas da nossa civilização. É o tipo de coisa que as pessoas querem ouvir. Imagine se você pudesse viajar de São Paulo até o Rio de Janeiro usando como combustível 4 garrafas de água mineral? Bom demais para ser verdade certo?
Na verdade, é necessário mais energia para quebrar as moléculas de água do que o hidrogênio resultante é capaz de produzir. O processo mais usado atualmente para produzir hidrogênio a partir da água é a eletrólise, onde é usada energia elétrica para quebrar as moléculas de água. Naturalmente, a eletricidade precisa vir de alguma outra fonte, como placas solares ou uma usina hidrelétrica, mas o mais comum é que ele venha da simples queima de carvão ou outro combustível fóssil. Ou seja, no final das contas, o hidrogênio serve na verdade como uma meio de armazenamento e transporte da energia. A única forma de realmente produzir energia a partir da água diretamente seria usando um processo de fusão nuclear a frio.
Vamos então à parte da farsa. O carro realmente anda usando água como combustível, essa parte não é mentira. Entretanto, falta uma informação importante, que é como ele faz para quebrar as moléculas de água. A resposta é que o carro não utiliza apenas água, mas também um segundo material, capaz de quebrar quimicamente as moléculas de água, produzindo o oxigênio. Especula-se que o material secreto é um composto de boro, que é capaz de se combinar com os átomos de oxigênio da água, resultando em óxido de boro (que é descartado) e hidrogênio (usado para mover o carro). Ou seja, o carro não é um moto perpétuo, mas sim apenas mais um veículo que utiliza um combustível alternativo, no caso o composto secreto a base de boro, que precisa ser produzido a partir de energia gerada por outros processos, assim como o hidrogênio produzido via eletrólise.



20 respostas para “A farsa do carro movido a água”
faltou dizer se o composto é poluidor da atmosfera, como o petróleo ou o álcool combustível.
Também faltaram informações sobre o custo desse material chamado boro. Uma coisa que poderia ser feita era a possibilidade de usar células solares, não para carregar baterias, mas sim para fazer eletrolise da água, estando o carro em movimento ou não. Mas o hidrogênio não é um gás extremamente explosivo, sendo mais poderoso que a bomba atômica?
Alex, o hidrogênio é realmente um gás altamente inflamável mas em relação a ser mais poderoso que a bomba atômica você deve estar se referindo a bomba de hidrogênio que usa não o hidrogênio em si mais seu isótopo radioativo sintético, o trítio (este possuí dois nêutrons) juntamente com o hélio. A bomba atômica "clássica" é a bomba de fissão nuclear, usa metais pesados como o urânio, já as bombas termonucleares (assim chamadas porque necessitam de grandes quantidades de calor para que se inicie a explosão), ou bombas de hidrogênio ou bombas H são bombas de fusão nuclear, e são realmente mais destrutivas do que as de fissão nuclear.
Extrair energia do gás hidrogênio não é exatamente o problema aqui, porém ele é um gás raro na atmosfera terrestre, embora o hidrogênio em si não o seja (ex.: água e compostos orgânicos). O problema para sua utilização em massa como combustível reside na sua produção que, por enquanto, ainda demanda um custo muito alto, inviabilizando tal uso.
Tudo indica que, infelizmente, esse carro japonês não seja a solução para o problema da produção de combustível barato, limpo e de fonte renovável.
Gostei da explicação, Eládio!
Acho que esse tipo de fonte de energia não será viável tão cedo…
E além disso, tem a questão política: Enquanto houver petróleo para ser explorado os governos não incentivarão o uso de combustíveis alternativos em larga escala.
O que gera mais impostos, a produção de um litro de gasolina ou uma garrafa com água???
Tambem faltou falar se e mais vantajoso quanto economicamente e quantos km por litro
O que ninguem divulga é o carro movido a ar (oxigenio) que é totalmente funcional, usa óleo de soja como lubrificante e pelo custo de 1,7 reais é capaz de echer seus tanques, o que proporciona uma autonomia de aproximadamente 350-400Km.
Leia: http://www.unisite.com.br/Geral/922/Carro-a-ar-comprimido-sera-produzido-no-Brasil.xhtml
Não sei qual é milagre, nunca fui bom em química, mas lembro que durante a ditadura aqui no Brasil, minha mãe tinha aulas com um professor que chegou a publicar algo sobre isso, ele tinha experimentos adiantados e tudo mais, da noite para o dia o homem sumiu, nunca mais se ouviu falar dele, só depois com as noticias de indenização para vitimas de regime que minha mãe reconheceu ele em uma foto de um dos mortos.
E que não tenho como perguntar para ela agora, mas se não me falha a cabeça (me desculpem, eu era bem pequeno a época) tinha relação também com bio-combustíveis, mas qual a relação em si não sei dizer.
As informações neste artigo são vagas, assim como a noticia do carro do movido a Aguá:
"Especula-se" que o material secreto é um composto de boro, que é capaz de se combinar com os átomos de oxigênio da água, resultando em óxido de boro (que é descartado) e hidrogênio (usado para mover o carro.
Sim, são vagas. Não existem muitas informações disponíveis. O anúncio original é vago e o processo é tratado como segredo industrial. A intenção do artigo foi apenas alertar para o fato de que não se trata de um carro "movido à água".
Bom, no final das contas o carro é movido a hidrogênio. Não importa se este elemento é obtido no próprio automóvel ou se são utilizados tanques com o gás já armazenado.
Eu só não concordaria com o título: "A farsa do carro movido a água". Se a gente analisar bem, isso não é uma farsa, mas sim uma estratégia de marketing, pois eles partiram do princípio analisando o ponto de vista do motorista, que não precisará mais parar em postos de combustível, poderá encher o tanque na mangueira de casa. :)
E tudo isso é muito bom e até animador. Água é o que não falta no planeta, sem falar no fato de que, se produzido em grande escala, reduzirá e muito as emissões de dióxido de carbono, pois serão expelidos apenas vapores d'água.
Resta saber apenas se o outro composto utilizado para se combinar com o oxigênio representa algum risco ao meio ambiente.
Quanto ao carro a ar… lembre-se que esse ar tem que ser comprimido de algum jeito. No máximo ele ajuda na contenção da poluição urbana. Mas acredito que os carros a hidrogênio sejam mais eficientes para isso, e podem ser mais potentes também.
http://100nexos.com/arquivo/229
Material secreto, resulta em 'x' composição que é descartada…etc…
Bom, por ai ja vemos não éh so agua que move o tal carro, mas sim a mistura de "agua + material secreto". Mas e ai? sera que esse material "secreto" vai ser vendido? ou ele vem ja no tamque do carro?? Por que se for secreto mesmo, ele num podera ser exposto a publico, pode??.. Vamos ser mais realistas!!
Agora, nos temos diante de nossos poderes financeiros, o motor BI-COMBUSTIVEL, nomeados como: FLEX-XYZ e XYZ-FLEX, e funcionan de verdade, mas nós brasileiros somos muitos passivos com a politica publica do nosso país, vemos a corrupção bater em nossas caras e nem se quer pintamos as caras novamentes pra "demitir" os incompetentes que nós os empregamos em cargos de salarios milhonarios, (se considerar com o salario minimo que trabalhadores de verdade recebem), e ai surgem mais oportunista, e pregam a salvação do planeta, por que agora e marketing mudar a cor da sua logomarca para "VERDE" e acressentar "Ecologicamente correto.." em tudo que se publica. O que falta éh uma re-invenção do motor movido a ETANOL, e usar óleo de MAMÔNA como librificante, pois sua eficiencia e maior que os proprios lubrificantes..rss.
E ainda, que tal colocamos etanol no motor a ar comprimido??, a mistura dos dois produtos mais uma "VELA" pode resultar em uma explosão muito potente, e ainda mesmo com a queima so resultaria em vapor d´agua!!!
Para que as coisas aconteça de verdade em nosso país falta ADMINISTRADORES de verdade para colocarmos como nossos funcionarios nos lugares de políticos…
@Manabu:
Já estive na fábrica espanhola e um dos projectos que vi é um tipo de "aerogerador" que ao invés de produzir energia eléctrica produz gás comprimido. Não tinha nome -- apenas lhe chamavam compressor eólico.
Existiam ainda outras soluções mas apenas em projecto e imagens de execuções. Uma delas era um posto comunitário, tipo posto de combustível, onde um grande compressor produzia o ar comprimido que poderia servir apara alimentar uma frota.
Claro que ao carregar os depósitos através da tomada caseira está a gastar energia eléctrica que contribuirá na mesma para a poluição.
Gostaria ainda de salientar o seguinte:
- A tecnologia deste motor faz com que o ar que entra saia mais purificado. É um bocado difícil de explicar porque não domino o assunto -- termodinâmica. Porém, embora não domine o assunto sei que a compressão/expansão de um gás, neste caso do ar, origina estados térmicos opostos entre a geração de calor/frio. O ar aquando da expansão no motor sai a temperaturas negativas que pode ser aproveitado para o ar condicionado. Segundo o que eu percebi era esta troca de estados calor/frio que fazia a "limpeza" do ar.
Se por um lado estas trocas de estados podem ser aproveitadas também é este o calcanhar de Aquiles deste motor. Há cerca de 3 anos o problema ainda não estava muito bem resolvido e o que acontecia era o bloco do motor abrir fendas. Espero que o problema esteja resolvido.
Um dos maiores problemas com que quase todas estas técnicas se deparam é o armazenamento. Segundo muitas fontes, não só o fabricante, esta é actualmente a forma mais eficiente de o fazer e mesmo a pilha de hidrogénio, 2º mais eficiente, ainda anda longe.
Desculpem o OT mas como já vi este processo ao vivo pensei que gostassem de saber. Gostei de ler que dentro em pouco será fabricado no Brasil. Pode ser que na altura possam fornecer mais informação ou divulgar experiências.
@braço.
Realmente tem noticias sensacionalista , mas classificar como farsa, sem conhecer e idddioootisse, se as montadores investirão quase meio bilhão na idéia é porque ela e viável. Você já observou que ondas de radio tb separam o hidrogênio do oxigênio?
Marlon,
O carro é lançado como movido a água. Se ele NÃO é movido apenas a água, existe outra palavra para classificar o lançamento, que não seja "farsa"?
"moto perpétuo"???????
Prezados, isso não existe, é fantasia. Vide segunda lei da termodinâmica da física…
No entanto, independentemente de não existir o chamado "moto perpétuo", não devemos "jogar o bebê fora junto com a água do banho", não é mesmo? Devemos continuar a busca de soluções alternativas cada vez mais otimizadas.
"Prezados, isso não existe, é fantasia. Vide segunda lei da termodinâmica da física…"
Ou você não leu o artigo, ou não tem senso de humor, ou não vou o link para o artigo da wikipedia no "moto perpétuo", que explica justamente isso. :)
Tudo muito bom, tudo muito bem, só que tem o seguinte. Primeiro, o carro "movido a água" precisaria ser abastecido com água, então definitivamente não seria moto-perpétuo, tendo em vista isto, podemos crer que foi uma força de expressão do autor do texto. Segundo que, produzir hidrogênio por uma reação química é muito mais vantajoso que comprar o hidrogênio de uma fábrica, que vai cobrar pela energia, impostos e tudo mais. Na questão de poluição, o óxido de boro que fica retido no tanque pode ser reciclado, e aí que está a grande sacada. Aqui no Brasil, como utilizamos energia de fonte renovável, reciclar o óxido de boro no composto para devolver para o carro não sairia tão caro. Então você produziria uma vez, utilizaria por um tempo no carro, retiraria, mandaria para a reciclagem e compraria ele reciclado, provavelmente mais barato que um "novo", como acontece em tudo na economia capitalista, em se tratando de produtos reciclados. O único perigo é que aconteça o que aconteceu com os pneus reciclados, que apesar de apresentarem custo-benefício excelente, tiveram notícias divulgadas com acidentes, para poder suspender sua fabricação aqui no Brasil, enquanto continua permitido importar pneus reciclados da Europa. Pura hipocrisia animada pelo dinheiro dos que ganham dinheiro com pneus novos e que também mandam alguns reciclados para os países de 3° mundo. Enfim, como diz o velho deitado, quem viver, verá…^^
O que admiro no ser humano é a sua inteligencia aplicada na resolução de problemas, que se amplia ao aparecerem barreiras, barreiras estas que ele mesmo pode ter criado inconscientemente no seu processo evolutivo planetário.