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Entendendo o USB 3.0

Publicado em 05/08/2009 – 19:49
por Carlos Morimoto

O USB surgiu originalmente como um substituto para as portas seriais e paralelas usadas até então. Como a aplicação inicial era a conexão de mouses, impressoras, scanners e PDAs, os 12 megabits iniciais foram considerados mais do que suficientes. Entretanto, com o passar do tempo o USB passou a ser cada vez mais usado por câmeras, pendrives e outros dispositivos "rápidos", que demandam velocidades muito maiores. Surgiu então o USB 2.0, uma atualização indolor que aumentou a taxa de transferência teórica para 480 megabits, sem quebrar a compatibilidade com o padrão antigo.

Na prática, ele permite taxas de transferência entre 30 e 45 MB/s, que são uma pesada limitação no caso dos HDs externos, interfaces de rede e outros dispositivos atuais. Como a demanda por banda não para de crescer, é apenas questão de tempo para que os 480 megabits do USB 2.0 se tornem uma limitação tão grande quanto os 12 megabits do USB original foram no passado.

O USB é uma barramento serial (assim como o SATA), onde os dados são transmitidos usando um único par de fios, com um segundo par dando conta da alimentação elétrica. O principal problema é que o USB suporta o uso de cabos mais longos e hubs, o que torna complicado atingir taxas de transferência muito maiores que os 480 megabits do USB 2.0. Isso fez com que logo no início, os trabalhos se concentrassem em desenvolver novos cabos e conectores, que permitissem o uso de mais banda.

O primeiro rascunho do USB 3.0 foi apresentado em 2007 pela Intel, que propôs o uso de um par de cabos de fibra óptica, complementando os dois pares de fios de cobre. O uso de fibra óptica elevaria a taxa de transferência para respeitáveis 5 gigabits, sem quebrar a compatibilidade com dispositivos antigos:

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O grande problema com o padrão da Intel era o custo, já que tanto os cabos quanto os dispositivos seriam muito mais caros. Ele também não fazia nada com relação à capacidade de fornecimento elétrico, mantendo os mesmos 2.5 watts por porta do USB 2.0, que são insuficientes para muitos dispositivos.

Não é preciso dizer que ele foi bastante criticado e acabou sendo abandonado em 2008, dando lugar ao padrão definitivo, que oferece 4.8 gigabits de banda (10 vezes mais rápido que o 2.0 e apenas 4% menos que o padrão proposto pela Intel) utilizando apenas cabos de cobre. Os 4.8 gigabits do USB 3.0 são chamados de "SuperSpeed", complementando o "High-Speed" (480 megabits) do USB 2.0 e o "Full-Speed" (12 megabits) do USB 1.x.

Para possibilitar o aumento da banda, foram adicionados dois novos pares de cabos para transmissão de dados (um para envio e outro para recepção) e um neutro, totalizando 5 novos pinos, que nos conectores tipo A são posicionados na parte interna do conector:

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Essa organização permitiu manter a compatibilidade com dispositivos antigos, já que os 4 pinos do USB 2.0 continuam presentes. Ao plugar um dispositivo antigo em um conector USB 3.0, apenas os 4 pinos de legado são usados e ele funciona normalmente. O inverso também funciona, desde que o dispositivo USB 3.0 seja capaz de trabalhar em modo de legado, dentro das limitações elétricas do USB 2.0.

Por outro lado, os conectores USB tipo B (os usados por impressoras) e micro-USB (adotados como padrão para os smartphones) oferecem uma compatibilidade de mão-única, onde você pode plugar um dispositivo USB 2.0 em uma porta 3.0, mas não o contrário, devido ao formato dos conectores. O tipo B ganhou um "calombo" com os 5 pinos adicionais e o USB micro ganhou uma seção adicional:

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Além dos novos conectores, outra novidade é o aumento no fornecimento elétrico das portas, que saltou de 500 mA (2.5 watts) para 900 mA (4.5 watts), o que permitirá que mais dispositivos sejam alimentados através da porta USB. Não deve demorar até que surjam gavetas para HDs de 3.5" alimentadas por duas (ou três) portas USB 3.0, por exemplo, já que muitos HDs "verdes" de 5.400 RPM trabalham tranquilamente abaixo dos 10 watts. Você pode contar também com toda uma nova safra de ventiladores, LEDs e bugigangas diversas tirando proveito da energia adicional.

Para reduzir o consumo elétrico dos controladores, o padrão inclui também um novo sistema de interrupções, que substitui o sistema de enumeração usado no USB 2.0. Em resumo, em vez de o controlador manter a porta ativa, constantemente perguntando se o dispositivo tem algo a transmitir, o host passa a manter o canal desativado até que o dispositivo envie um sinal de interrupção. Além de oferecer uma pequena redução no consumo do host (suficiente para representar um pequeno ganho de autonomia no caso dos netbooks) o novo sistema reduz o consumo nos dispositivos plugados.

Para diferenciar os conectores, foi adotada a cor azul como padrão tanto para os cabos quanto para a parte interna dos conectores. Naturalmente, os fabricantes não são necessariamente obrigados a usarem o azul em todos os produtos, mas ao ver um conector azul, você pode ter certeza de que se trata de um 3.0.

Os primeiros dispositivos devem chegar ao mercado no final de 2009, mas não espere que eles se tornem comuns antes da metade de 2010. Inicialmente, os lançamentos se concentrarão em HDs e SSDs externos (que são severamente limitados pelo USB 2.0), mas eventualmente ele chegará a outros dispositivos, substituindo o 2.0 gradualmente.

Apesar disso, ainda demorará muitos anos até que o USB 3.0 substitua o padrão anterior completamente, já que os controladores USB 2.0 são muito mais simples e baratos, e o desempenho é mais do que suficiente para muitas aplicações. Não faria sentido lançar um mouse ou um adaptador bluetooth USB 3.0, por exemplo, a não ser que fosse por simples hype.

Existem também várias complicações técnicas em equipar uma placa-mãe com um grande número de portas USB 3.0. Os controladores são caros e cada par de portas precisa ser conectado a duas linhas PCI Express 2.0 (ou quatro linhas PCIe 1.x) para que o desempenho não seja penalizado.

Considerando que muitos chipsets possuem apenas 20 ou 24 linhas PCI Express, é perfeitamente compreensível que a primeira geração de placas tenham apenas duas portas USB 3.0 (em azul), complementadas por mais 6 ou 10 portas USB 2.0:

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Isso deve mudar a partir do momento em que a Intel, nVidia e AMD passarem a produzir chipsets com um número maior de portas integradas, mas isso deve acontecer apenas em 2010. A Intel é a mais avançada, graças ao trabalho no padrão xHCI (sucessor do EHCI e OHCI, usados no USB 2.0). Embora ele seja um padrão aberto de controladores, a Intel realizou a maior parte do desenvolvimento e por isso acabou desenvolvendo uma dianteira em relação aos outros fabricantes, liberando o projeto do controlador apenas depois que ele já estava concluído.

Ao usar uma placa antiga, é possível adicionar um controlador USB 3.0 através de uma placa de expansão, como de praxe. Nesse caso é recomendável usar uma placa PCIe x4, já que os slots x1 não oferecem banda suficiente para alimentar uma placa com duas ou quatro portas.

Com relação aos drivers, temos suporte no Linux a partir do kernel 2.6.31. A versão inicial do Windows 7 ainda não inclui drivers, mas eles devem ser adicionados através de uma atualização posterior, que deve se estender ao Vista. A dúvida fica por conta do Windows XP e anteriores, dos quais a Microsoft quer se livrar o mais rápido possível.

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  1. 15 respostas para “Entendendo o USB 3.0”

  2. Ednei P. de Melo em 6 ago, 2009

    Resta lançar a pergunta: as novas placas-mãe terão portas USBs 3.0 funcionando a 4.8 Gb/seg de fato? Digo isso porque desconfio que os fabricantes venham a lançar placas-mãe de baixo custo com controladores USBs 3.0 utilizando apenas 1 canal PCI-Express 2.0 ao invés de 2 canais: a metade da transferência deste canal (250 MB/seg) ainda é mais que suficiente para os futuros dispositivos que venham a suportar o USB 3.0. Nem os mais velozes SSDs mal superam a casa dos 200 MB/seg!

    Ou será que estou exagerando? &;-D

  3. Rafael em 6 ago, 2009

    Essa tecnologia é excepcional e fantástica, espero que haja motherboards de baixo custo com esta tecnologia, já havia ouvido falar dessa tecnologia na revista info da editora abril, mas era apenas uma coisa muito vaga.

    Vlw pela excepcinal explicação.

    Parabéns

  4. Jackson em 6 ago, 2009

    a intel tá lançando uma nova linha SSD com a metade do preço dos atuais SSD por ai, "forçando" todos a baixarem os preços e desenvolverem SSDs rápidos, as taxas são de 280mb/s leitura e 240mb/s escrita, são bem rápidos, isso em Sata2, agora chegando o USB3 e Sata3, só quero ver a bagunça que isso vai gerar

  5. felipefsc em 6 ago, 2009

    Muito bom essa nova tecnlogia, mas como foi dito, vai demorar um pouco pra ela substituir completamente o padrão 2.0.

    E os disquetes continuam sobrevivendo…

  6. Gustavo em 6 ago, 2009

    > E os disquetes continuam sobrevivendo…

    Onde? Faz anos que eu não uso ou vejo alguém usar um disquete. Até porque disquete só se grava uma vez, isso se não der defeito.

  7. Rod em 6 ago, 2009

    Como dizem os saudosos Engenheiros do Hawaii: tudo isso faz parte da "obsolescência programada".

    E os disquetes já morreram.

  8. osmano807 em 8 ago, 2009

    Receita usa disquete ainda!
    TENSO!

  9. felipefsc em 8 ago, 2009

    Quem disse que os disquetes morreram?
    Eu, ou você pode não usar, mas existem pessoas que ainda usam.

    Essa semana mesmo apareceu uma mulher na oficina procurando disquetes pra vender, e uma outra pra atualizar BIOS de placa-mãe antiga!

    Existem programas da CAIXA que precisam de disquetes pra fazer um envio… alguma coisa desse tipo.

    E os disquetes continuam sobrevivendo!

  10. Paolo em 11 ago, 2009

    Fiz um projeto usando o Novíssimo Windows Server 2008 R2 + Hyper-V e esse último ainda oferece um excelente suporte a disquetes nas máquina virutais.

    e o USB 3.0 é uma evolução natural pois o USB 2.0 tava correndo o risco de virar uma "porta paralela" todo o PC é super moderno top de linha mas ainda tem um "Slot ISA"(q sobreviveu durante anos) e "uma Porta paralela para a imoressora" :) q até hoje vem nos desktops imaginem um Computador no futuro onde as tecnologia sem fio amadureceram tanto mas ele ainda terá uma USB 2.0 ;)

  11. Piike em 16 ago, 2009

    E o WUSB quando é que vai se tornar padrão pra matar o bluetooth?

  12. chtech em 17 ago, 2009

    outro dia fiz manutenção num pc q só dava boot pelo disquete

  13. Luis em 19 ago, 2009

    > E o WUSB quando é que vai se tornar padrão pra matar o Bluetooth?

    Mais fácil o contrário: o BT matar o WUSB. Afinal, tudo o que é aparelho já tem rádio BT disponível — o que precisa, é incluir rádios Bluetooth nas máquinas, e diminuir o preço dos periféricos Bluetooth. (Um teclado a 150 reais é um roubo.)

  14. Thiao em 7 nov, 2009

    Realmente a USB 3.0 é um caso a se pen$ar, mas tudo que é novo nos meios tecnológicos causam essa duvida, é uma questão de tempo para que se dissemine.

  15. Jeferson Armindo em 22 nov, 2009

    Subarashi post.
    Gosto do Morimoto pq ele escreve com clareza muitas coisas "óbvias" que muitas vezes nao percebemos como previsões de mercado com datas e até que tipo de produto será lançado e vai ainda mais afundo dizendo projeções de substituições de padrões como do USB 2.0 para o 3.0.

    Me lembro do post que ele fez
    http://www.gdhpress.com.br/blog/sugestoes-de-compra-062009/
    em q disse q no final de 2010 provavelmente encontremos core 2 quads a preço de banana… Como acabei de comprar uma placa nova skt 775 com suporte aos mesmos estou ansioso para q essa data chegue pra trocar meu AMD X2 , por um proc de 4 nucleos =].

    "Os primeiros dispositivos devem chegar ao mercado no final de 2009, mas não espere que eles se tornem comuns antes da metade de 2010. Inicialmente, os lançamentos se concentrarão em HDs e SSDs externos…

    Apesar disso, ainda demorará muitos anos até que o USB 3.0 substitua o padrão anterior completamente, já que os controladores USB 2.0 são muito mais simples e baratos, e o desempenho é mais do que suficiente para muitas aplicações."

  16. Pablo em 20 jan, 2010

    Já está disponivel algumas placas com o USB 3.0
    Exemplo de uma série da Gigabyte, que até estou pensando em pegar uma, ela possui 2 portas como citou o pessoal, apenas 2 azuzinhas. Mas já está bom pra começar né?!
    Vai ser muito bom o avanço tecnologico daqui pra frente, imagine o que os nossos filhos apareciarão no futuro! =) Assim também quando os processadores estiverem sendo fabricados a 15 nm! Já saiu os de 32 nm da intel, uns i3 e i5, até chip gráfico tem nos CPUs! Vai ser incrivel
    Parabéns pelo post!


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