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Dicas sobre o Gparted e particionamento

Publicado em 04/02/2009 – 16:45
por Carlos Morimoto

O Gparted é uma espécie de particionador default no Linux. Ele vem pré-instalado em diversas distribuições, incluindo o Ubuntu, onde ele fica disponível através do "Sistema > Administração > Editor de Partições". Está disponível também o Gparted Live, um live-CD enxuto, destinado unicamente a rodar o Gparted e assim oferecer uma ferramenta simples de particionamento do HD. Você pode baixá-lo no: http://gparted.sourceforge.net/download.php

Por segurança, o Gparted se recusa a fazer modificações em partições que estão montadas, o que é um problema ao rodá-lo a partir de uma instalação do sistema no HD, já que você não tem como fazer alterações na partição de instalação ou na partição home. A solução é utilizá-lo a partir de um live-CD, onde você pode editar as partições sem limitações.

Se o HD possuir uma partição swap, é bem provável que ela seja montada pelo live-CD durante o boot e fique bloqueada no Gparted. Para solucionar isso, use (como root) o comando "swapoff" seguido pela partição swap, como em: sudo swapoff /dev/sda5

De volta ao Gparted, clique no "Gparted > Atualizar Dispositivos" para que ele detecte a alteração e desbloqueie a edição. O mesmo se aplica a pendrives e cartões de memória, que são montados automaticamente quando plugados na maioria das distribuições atuais. É necessário desmontar as partições antes que você consiga alterá-las no Gparted.

Assim como em outros particionadores, a interface é baseada em um "mapa" do HD, que mostra as partições disponíveis e o espaço ocupado em cada um, uma informação bastante útil na hora de redimensionar partições. Clicando com o botão direito, você tem acesso ao menu de opções, que inclui as opções para deletar a partição, reformatá-la em outro sistema de arquivos ou redimensioná-la.

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Você pode usar o gparted para redimensionar a partição do Windows e liberar espaço para a criação das partições Linux, que é, justamente, um dos usos mais comuns. Para redimensionar, clique na partição e em seguida sobre a opção "Redimensionar/Mover", onde você pode ajustar o novo tamanho da partição.

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Ele é capaz de redimensionar tanto partições FAT32 quanto NTFS e o processo é bastante seguro. A única exigência é que antes de redimensionar você deve primeiro desfragmentar a partição (reinicie e use o defrag do próprio Windows) para que os dados fiquem agrupados no início da partição e o Gparted possa fazer seu trabalho sem riscos. Caso a partição não esteja desfragmentada, ou contenha erros, ele aborta a operação para evitar qualquer possibilidade de perda de dados.

No Windows XP, a processo de redimensionamento é bastante tranquilo, com o sistema continuando a iniciar normalmente depois da alteração. No Windows Vista, entretanto, a checagem de hardware executada pelo sistema a cada boot dispara uma mensagem de erro no boot seguinte, reclamando que a inicialização do sistema falhou e que uma mudança no hardware da máquina pode ser a causa.

Para resolver o problema, é necessário recuperar o sistema usando o DVD de instalação. Dê um boot normal, como se fosse reinstalar o sistema e, depois da seleção de linguagem, use a opção "Reparar o computador". Isso faz com que ele verifique a partição e faça as atualizações necessárias; basta clicar no "Reparar e reiniciar".

Continuando, você notará que, na maioria dos casos, algumas das opções de sistemas de arquivos ficam desativadas no menu. Isso acontece por que o Gparted é, na verdade, uma interface gráfica para vários aplicativos de modo texto, que fazem o trabalho pesado. Ele precisa do pacote "ntfsprogs " para manipular partições NTFS, do "reiserfsprogs" para manipular partições ReiserFS e assim por diante. Ao ser aberto, ele verifica quais são os sistemas de arquivos suportados pelo sistema de desativa os demais:

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Ao criar novas partições, você tem a opção de criar uma partição primária, ou uma partição lógica. A regra básica é que você pode per apenas 4 partições primárias, ou até 3 partições primárias e mais uma partição estendida, contendo várias partições lógicas.

O mais comum, é criar uma partição para a instalação do sistema no início do HD, seguida pela partição swap e pela partição home, ou outras partições destinadas a armazenar arquivos. No caso do Linux, não faz muita diferença se o sistema é instalado em uma partição primária ou em uma partição lógica, mas ao instalar o Windows em dual-boot, é sempre importante instalá-lo em uma partição logo no início do HD, caso contrário ele atribuirá letras às partições Linux no início, criando problemas na instalação de diversos programas, que esperam que o sistema esteja instalado no C:\.

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As alterações não são feitas automaticamente. Depois de revisar tudo clique no "Aplicar" para que as modificações sejam aplicadas. Clicando no "Detalhes", você pode acompanhar os passos que estão sendo executados.

Outra dica é que você pode "limpar" a MBR de pendrives e HDs, eliminando qualquer gerenciador de boot anteriormente instalado anteriormente, juntamente com todas as partições limpando os primeiros 512 bytes do dispositivo, que correspondem ao MBR. Isso pode ser feito rapidamente usando o comando dd, como em:

# dd if=/dev/zero of=/dev/sdd bs=512 count=1

Esse comando faz com que o dd escreva, cirurgicamente, 512 bytes no primeiro setor do dispositivo indicado, limpando o setor de boot e a tabela de partições. É preciso tomar extremo cuidado ao usar este comando, pois se usado no seu HD de trabalho, você vai simplesmente apagar todas as partições. Cheque e recheque qual é o device correto da unidade de deseja limpar antes de executar o comando.

Ao acessar o dispositivo no Gparted, ele aparecerá como "espaço não alocado". Para particioná-lo novamente e voltar a usá-lo, use a opção "Dispositivo > Criar Tabela de Partição…", para que ele recrie a tabela de partições:

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Outra dica é que, em muitos micros é preciso reiniciar depois de modificar o particionamento do HD para que o sistema seja capaz de perceber as alterações. A limitação neste caso é o BIOS da placa-mãe, que em muitos casos só é capaz de ler a tabela de partições do HD durante o boot.

Concluindo, os sistemas de arquivos são sempre uma fonte comum de dúvidas, vamos então a um resumo rápido sobre o tema:

FAT16: O FAT16 é um dos sistemas de arquivos mais simples ainda em uso. Devido ao uso de endereços de 16 bits, ele pode ser usado em partições de no máximo 2 GB. Devido à simplicidade, ele é suportado por câmeras, mp3players, celulares e diversos outros tipos de dispositivos, daí o uso em cartões de memória.

FAT32: É similar ao FAT16, mas usa endereços de 32 bits, o que permite o uso de partições maiores. O FAT32 é uma espécie de mínimo múltiplo comum entre os sistemas de arquivos, pois as partições podem ser acessadas sem dificuldades tanto no Windows quanto no Linux. Por outro lado, ele possui diversas limitações, incluindo a ausência de suporte à permissões, enorme tendência à fragmentação e o limite de 4 GB para o tamanho dos arquivos.

EXT2: Foi o primeiro sistema de arquivos a ser usado em larga escala no Linux. O grande defeito é que ele não possui suporte a journaling o que obriga o sistema a fazer uma demorada verificação cada vez que o PC é desligado incorretamente e aumenta a possibilidade de perda de dados. É considerado obsoleto e raramente usado hoje em dia.

EXT3: É o sucessor do EXT2 e o sistema de arquivos usado por padrão em praticamente todas as distribuições Linux atuais. A principal diferença entre os dois é o que o EXT3 suporta o uso de journaling, que permite que o sistema de arquivos mantenha um relatório de todas as operações e possa ser recuperado muito rapidamente em caso de pane, ou quando o PC é desligado no botão. Ele é também um dos sistemas de arquivos mais rápidos e oferece uma boa segurança contra perda de dados.

ReiserFS: O ReiserFS foi o principal concorrente do EXT3 nos primeiros anos. Ele oferece uma boa tolerância contra falhas, um bom desempenho e um bom gerenciamento de arquivos pequenos. O grande problema é que o ReiserFS v3 (a versão usada na maioria das distribuições) não recebe grandes atualizações há muitos anos e o desenvolvimento da versão 4 está paralisado. Isso faz com que ele não seja uma boa opção hoje em dia.

NTFS: É o sistema de arquivos usado por padrão a partir do Windows XP. Ele oferece muitas melhorias sobre o antigo FAT32 e suporta o uso de partições maiores. Até recentemente, não existia suporte de escrita em partições NTFS no Linux, o que dificultava a vida de quem usava os dois sistemas em dual-boot, mas isso foi solucionado com o NTFS-3G, que é usado por padrão na maioria das distribuições atuais.

XFS e JFS: Estes são dois sistemas de arquivos muito usados em servidores, que oferecem vantagens sobre o EXT3 em algumas áreas. O XFS permite redimensionar partições sem desligar o sistema e oferece um suporte aprimorado a quotas de disco, enquanto o JFS oferece um melhor desempenho em algumas tarefas comuns em servidores, por exemplo. Entretanto, eles não são muito recomendáveis para uso em desktops, onde o EXT3 é uma solução muito mais simples.

EXT4: É o sucessor do EXT3, que ainda se encontra em fase de desenvolvimento. Ele incorpora diversas melhorias, incluindo um novo sistema de alocação de espaço, que reduz a fragmentação dos arquivos, melhorias no desempenho, e suporte a arquivos de até 16 terabytes (contra o máximo de 2 terabytes do EXT3). É prudente aguardar até que ele comece a ser usado por default nas principais distribuições antes de começar a usá-lo.

Linux-Swap: É a opção destinada a criar uma partição swap. Diferente do Windows, onde o swap é feito em um arquivo, no Linux é usada um partição separada, que utiliza um sistema de arquivos otimizado para a tarefa.

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  1. 19 respostas para “Dicas sobre o Gparted e particionamento”

  2. Ronaldo Santos Pereira em 4 fev, 2009

    Mais uma vez, um excelente artigo, como disse em outro comentário, os artigos ciclicos são uma boa devido ao fluxo de novatos que chegam sempre ávidos por informações.
    Vale lembrar que por mais seguro que um reparticionamento não destrutivo seja, é sempre recomendárvel um bakcup dos dados ecensiais do usuário, em fim, ótimo artigo, Parabéns!

  3. realmagnum em 4 fev, 2009

    "No Windows Vista, entretanto, a checagem de hardware executada pelo sistema a cada boot dispara uma mensagem de erro no boot seguinte, reclamando que a inicialização do sistema falhou e que uma mudança no hardware da máquina pode ser a causa."

    Esse problema aconteceu comigo no Windows XP SP3. Mas a partir da 2ª reinicialização tudo já estava normal de novo.

  4. Ro3b em 5 fev, 2009

    Sempre uso o Gparted e a única vez que tive de usar o "cfdisk" foi para mudar a flag de um HD, pois na época não encontrei a opção no menu do Gparted.

  5. Júlio VGA em 5 fev, 2009

    ótimo artigo…como sempre tirando varias duvidas e esclarecendo tudo…

  6. Leandro em 5 fev, 2009

    Partições FAT16 podem ser do tamanho até de 4GB (porém algumas interfaces de partição de disco, inclusive a do Windows somente oferece suporte a 2GB). Fonte: http://en.wikipedia.org/wiki/FAT16

  7. nilsantana em 5 fev, 2009

    Muito Obrigado , este artigo é muito bom , tinha algumas, duvidas sobre sistemas de arquivos , e a forma como as informações estão organizadas no post servem , muito, como base para eu explorar mais como obter um melhor desempenho do meu computador e qual o sistema de arquivos mais adequado para o meu dia a dia, espero que ajude outros também.
    Mas gostaria de fazer um pedido, se for possível, um artigo tratando compilação de kernel, já vi no GDH vária matérias soltas sobre atualização de kernel, mas nenhuma que trate a compilação do zero, que sirva como ponto de partida para pesquisas, como este post acima, já fiz algumas compilações, seguindo as orientações do readme , e de seus tutorias, seguir esses passos de fato é simples, o que não vejo abordado são as opções internas do menuconfig por exemplo, uma visão geral das principais.
    E mais uma vez obrigado

  8. Carlos Morimoto em 5 fev, 2009

    Leandro, para criar partições FAT16 de 4 GB é necessário usar clusters de 64 KB. Este é um hack que vem desde a época do Windows NT, mas não é recomendável devido ao brutal desperdício de espaço.
    Em teoria, seria possível criar partições FAT16 de 8 ou 16 GB usando clusters de 128 e 256 KB, mas ninguém dá muita bola pra isso, pois não teria utilidade prática.

    nilsantana, tem um guia antigo sobre compilação do Kernel aqui: http://www.gdhpress.com.br/ferramentas/leia/index.php?p=cap2-10

  9. Ace em 5 fev, 2009

    Realmagnum apartir do Windows Vista vc pode ir no diskmgmt.msc e fazer a alterações de particionamento incluindo redimencionar, não precisa dar boot e fazer pelo Linux. ( já que pelo vista ele faz o redimensionamento ) no XP não faz.

  10. Ace em 5 fev, 2009

    Linux-swap

    No windows tb da para separar em uma partição e otimizar o desempenho com alteração da blocagem do disco e até deixar a partição não visível na montagem do OS para os usuários, e contar pelo fato de gerar o arquivo de forma dinamica e poder extender a parcição sem ter que desmontar eou até defazer um LVM como no Linux, pode ser em um disc dinamico Microsoft e fazer via diskpart tudo.

  11. Ace em 5 fev, 2009

    Sobre o NTFS e NTFS-3G suporte e diferenças de origem e destino da partição:
    http://en.wikipedia.org/wiki/NTFS

    Sobre o NTFS-3G:
    http://en.wikipedia.org/wiki/NTFS-3G

  12. Bráulio Machado em 5 fev, 2009

    Já usava este programa antes !
    Muito bom mesmo !
    "Amigo" de todas a horas !

  13. Nil santana em 5 fev, 2009

    valeu pela dica Carlos, mas este seu guia foi o meu primeiro passo pra criar coragem e compilar, inclusive aquela orientação de usar make -j4 é excelente fiz muitos testes usando ela com até -j100, naturalmente apenas como teste.
    Conseguí fazer compilações bem sucedidas usando as informações dele e outras fontes que pesquisei dentro do site do guiadohardware, ainda preciso estudar mais como otimizar a configuração na hora do make menuconfig, mas quem sabe no proximo livro Linux -- Guia Prático , venha uma atualização daquele material
    Obrigado

  14. Fabiano em 5 fev, 2009

    Já uso o Gparted faz um tempo e tenho um Live-CD dele. É bem intuitivo e fácil de usar.

    Sobre o comando para "limpar a MBR", confesso que passei uns 2 dias procurando ele pela net. Precisava apagar o MBR do meu pendrive (eu até questionei isso em um post mais antigo) e não sabia como, já que pelo Gparted ele não apagava o MBR, mesmo usando a função de "Criar a tabela de partição". Usei tem uns 2 dias e fucionou perfeito. Depois recriei a tabela no Gparted e deu tudo certo… pendrive novinho! Quando entro no blog hj, vejo o comando por aqui… kkkkk.

    Em relação ao EXT4, as notícias que vejo é que será o sistema de arquivos padrão da próxima versão do Ubuntu e Fedora… espero que sim!

  15. sauih em 6 fev, 2009

    Como sempre as matérias são sempre de ótima qualidade, só tem um problema quando a matéria é muito boa eu gosto de guarda-la e bem que poderia haver uma maneira, configuração que permitisse a impressão(com o pdfcreator), com mais qualidade, letras e imagens melhores, tem como alterar isso, como no forum do baboo que tinha um botão que permitia impressão somente da matéria, e com ótima qualidade…
    Valeu GDH! Ótimo trabalho…

  16. Elias em 8 fev, 2009

    Alguem sabe se o gparted baixado, deste site: gparted.sourceforge.net para gravar em cd, tem opção do idioma português, do brasil?

  17. Julio Cezar em 12 fev, 2009

    Excelente artigo. parabéns.

  18. Rubens Baumgratz em 17 fev, 2009

    Excelente o post. Sempre é bom ficamos por dentro das opções de tipos de partições existentes.

  19. Adriano em 23 fev, 2009

    Como sempre ótima explicação, já to na metade dos posts !!!, muito boa a iniciativa Carlos, obrigado.

  20. Edgard Simões em 1 mar, 2009

    Post excelente. Como todos, mas tenho uma dúvida sobre o FAR 16 e FAT 32. Existe diferença na velocidade de acesso a esses sistemas de arquivo e na quantidade de bits utilizaveis para armazenamento? Ou seja: cabem mais arquivos numa partição 2GB FAT16 do que 2GB FAT32?


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