Uma revisão sobre os conectores de energia
Publicado em 14/07/2009 – 18:55por Carlos Morimoto
Embora seja um assunto básico, existem atualmente tantos conectores de força diferentes que é sempre bom dar uma revisada, até para que você conheça os nomes e um pouco sobre a história de cada um.
Na foto a seguir temos o conector berg, usado pelo drive de disquetes, e o conector molex, que usamos para o HD e outros dispositivos. Ambos possuem 4 fios (12V, 5V e dois neutros). A grande diferença entre os dois é mesmo o tamanho e a forma de encaixe. O molex é o conector mais usado em qualquer PC atual. Além de ser usado pelos HDs, drives ópticos e outros periféricos, ele é usado como fonte de energia auxiliar em algumas placas 3D AGP. O conector berg, por sua vez, está caindo em desuso, junto com os drives de disquete; normalmente as fontes incluem apenas um:

O conector molex tem um formato semitriangular, que impede que ele seja encaixado invertido. Entretanto, o conector pode ser muito duro de encaixar ou retirar, o que acaba causando acidentes. Imagine que você está segurando o HD com uma mão e tentando puxar o conector com a outra; como está muito duro, você faz força e, quando o conector finalmente se solta, você acaba sem querer batendo o HD em cima da mesa… Nesses casos, o melhor é deixar o HD fixo no gabinete (ou outro local firme) e puxar o conector com cuidado, com a ajuda de um alicate, caso necessário.
Em seguida temos um conector de força SATA, de 15 pinos, que substituiu o molex nos HDs e nos outros periféricos SATA. Veja que o conector da direita é alimentado por 5 fios, em vez de 4, como no molex. O quinto fio disponibiliza a tensão de 3.3V, que não é oferecida pelo molex.
Além disso, o conector SATA é mais fino e o encaixe é mais suave. Como as fontes oferecem apenas um, dois ou mesmo nenhum conector de força SATA, existem adaptadores molex > SATA, geralmente fornecidos junto com os drives. O problema destes adaptadores é que eles não incluem o fio de 3.3V, por isso estão condenados a entrar em desuso conforme apareçam drives projetados para usar a tensão:

Em seguida temos o conector ATX, que alimenta a placa-mãe. Existem duas versões: a original, com 20 pinos, que utilizamos desde o Pentium II e a versão atualizada (chamada de ATX24 ou ATX v2), com 24 pinos, que utilizamos nas placas atuais.
O conector ATX de 24 pinos nada mais é do que o antigo conector de 20 pinos acrescido de mais 4 à esquerda. Nada muda na posição ou no encaixe dos anteriores, de forma que as fontes geralmente usam conectores de 24 pinos destacáveis, onde você pode remover o conector com os 4 pinos adicionais quando precisar usar a fonte em conjunto com uma placa antiga:

Você pode perguntar qual a necessidade de adicionar 4 novos pinos ao conector, se eles transportam as mesmas tensões de 12V e 5V já presentes nos anteriores. Os motivos são basicamente dois:
O primeiro é dividir a corrente em mais fios, reduzindo a resistência e a perda. Isso é especialmente importante no caso da tensão de 12V, que no conector de 20 pinos é toda fornecida através de um único fio.
O segundo não tem a ver com a pinagem em si, mas simplesmente com a capacidade de fornecimento da fonte. As fontes antigas oferecem apenas 300 ou 350 watts (muitas vezes com apenas 200 watts reais, ou menos) e são dimensionadas para fornecerem mais tensão nas saídas de 3.3 e 5V, geralmente oferecendo apenas 8 ou 10 amperes na saída de 12V. Para evitar acidentes, os fabricantes decidiram introduzir o novo conector, de forma a dificultar o uso das fontes antigas. Existem adaptadores que transformam um conector ATX de 20 pinos em um ATX24 ou convertem um conector molex nos 4 pinos adicionais, mas não é muito recomendável usá-los.
Em seguida temos o P4 (também chamado de ATX12V), um conector auxiliar, com 4 pinos, destinado a fornecer energia extra para o processador. Ele sempre está disponível bem ao lado do soquete do processador, alimentando diretamente os reguladores de tensão que fornecem energia para ele. Isso evita que toda a eletricidade consumida pelo processador tenha que ser transportada desde o conector ATX, através de trilhas na placa-mãe.
O conector P4 é composto de 2 fios amarelos (12V) e 2 pretos (neutro) e é destinado exclusivamente a reforçar o fornecimento de energia ao processador, complementando a corrente que a placa recebe no conector de 24 pinos.
Na maioria das placas atuais, ele é obrigatório; a placa simplesmente não liga se ele estiver desconectado. Em algumas placas antigas, existem dois encaixes, de forma que você pode escolher entre usar o conector P4 ou um conector molex (de forma a manter a compatibilidade com fontes antigas) e, finalmente, existem algumas placas antigas, onde o conector P4 está disponível, mas a placa pode funcionar com ele desconectado, dependendo do consumo do processador usado.
Na foto a seguir temos o conector P4, ao lado do conector de 3 pinos usado pelo cooler.

Note que, embora seja possível encaixar o conector destacável de 4 pinos do conector ATX no encaixe para o conector P4, fazer isso danificaria a placa-mãe, pois ambos possuem pinagens diferentes. Não tente fazer isso.
O conector P4 possui ainda uma versão com 8 pinos (EPS12V), que é tipicamente encontrado em placas para servidor. Apesar do aumento no número de pinos, não existe nada de exótico com o conector: ele continua usando apenas fios de 12V e neutros (GND).
Os 4 pinos adicionais servem apenas para aumentar o fornecimento elétrico da fonte quando necessário, possibilitando o uso de duas linhas 12V adicionais, que podem ser necessárias em servidores com vários processadores.
Embora o conector de 8 pinos seja muito incomum em placas para desktop, é comum encontrar fontes que o ofereçam em conjunto com o conector P4 (ou que forneçam dois conectores P4 que podem ser combinados para formar o conector de 8 pinos). O motivo é simples: permitir que as fontes sejam usadas também em servidores e assim vender algumas unidades a mais. As fontes que oferecem ambos os conectores são chamadas de "ATX12V/EPS12V".
Existem também adaptadores que convertem um conector P4 de 4 pinos em um de 8, mas nesse caso é importante checar a capacidade de fornecimento da fonte, para ter certeza de que a capacidade é suficiente.

Embora um slot PCI Express 16x seja capaz de fornecer até 75 watts de energia para a placa de vídeo, as placas mais parrudas vão muito além desta marca, exigindo o uso de um conector auxiliar. Na época das placas AGP, era normalmente utilizado um conector molex, mas as placas PCI Express ganharam um conector de 6 pinos próprio para a tarefa, que é capaz de fornecer 75 watts adicionais.
Sem o conector encaixado, a placa pode trabalhar em modo de funcionalidade reduzida, operando a uma frequência mais baixa ou com recursos desabilitados, ou simplesmente se recusar a funcionar, impedindo o boot.

Fontes de 700 watts ou mais possuem, normalmente, dois conectores PCIe de 6 pinos, prevendo o uso de duas placas em SLI ou CrossFire, mas fontes mais baratas podem ter apenas um ou nenhum. Nesses casos, é possível usar um adaptador, que é ligado a dois conectores molex.

Lembre-se de calcular a capacidade da fonte ao tentar usar uma fonte barata qualquer em conjunto com placas 3D mais gulosas, sobretudo ao usar duas em SLI! Uma fonte operando além do limite, pode realmente explodir, danificando suas placas. Antes de pensar em gastar 500 reais ou mais em uma placa 3D de ponta, considere gastar 150 ou 200 reais em uma boa fonte de alimentação. Com certeza será um sábio investimento.
Mais recentemente, foi introduzido um novo conector PCIe de 8 pinos, que é capaz de fornecer até 145 watts. Ele é bem similar ao conector EPS12V de 8 pinos, mas a polaridade é invertida (e um dos fios de 12V é substituído por um neutro adicional) e o encaixe é diferente, para evitar a troca.
Como de praxe, muitas fontes oferecem tanto o conector de 6 pinos quanto o de 8, enquanto outras oferecem conectores 6+2, que podem ser usados em ambas as situações:

Como em outros casos, a introdução do novo conector serviu apenas para criar um padrão adicional, com fontes certificadas para fornecerem os 145 watts para dispositivos PCI Express. O conector continua fornecendo unicamente a tensão de 12V.
O motivo de muitas placas utilizarem dois conectores de 6 pinos, ou um conector de 6 e outro de 8 (sendo que os dois fornecem 12V) é simplesmente uma precaução com relação às capacidades das fontes. Se uma fonte oferece os dois conectores, é por que deve ser capaz fornecer 75 watts em um e 145 watts no outro, o que permite que a placa exija até 220 watts. Se a fonte não aguentar, o fabricante da placa 3D pode se safar argumentando que a culpa é da fonte, coisa que não poderia fazer se a placa puxasse 220 watts em um único conector de 6 pinos, certificado para fornecer apenas 75. Como pode ver, é uma mera questão de quem é o responsável em caso de fontes explodindo e fios pegando fogo.
Existem diversos adaptadores para transformar conectores de 6 pinos, ou conectores molex em conectores de 8 pinos, mas antes de usá-los é importante checar a capacidade da fonte, já que o novo conector foi criado justamente para impedir o uso de fontes antigas, que não oferecem a capacidade necessária.
Uma curiosidade é que as antigas fontes AT forneciam energia para a placa-mãe através de dois conectores de 6 pinos, chamados de P8 e P9, que eram usados desde o PC original. Os dois conectores devem ser ser encaixados com os fios pretos no centro, pois ao inverter você pode queimar a placa-mãe. Um dos fatores que impulsionou o desenvolvimento do padrão ATX, foi justamente o grande número de acidentes de montagem causados por eles:

Concluindo temos também a questão dos conectores modulares, outro diferencial oferecido por muitas fontes:

Por um lado, os eles ajudam a manter o gabinete organizado e a desobstruir o fluxo de ar, já que você pode remover os cabos que não estão sendo utilizados. Por outro lado eles oferecem a desvantagem de introduzir um ponto de resistência à passagem da corrente, que reduz sutilmente a eficiência e serve como um ponto de falha, já que o conector pode se soltar ou oxidar, causando problemas prematuros.
Isso explica o porquê de muitas fontes high-end (sobretudo os modelos de maior capacidade) utilizarem cabos contínuos, em vez de um layout modular. Embora a diferença seja muito pequena, os cabos contínuos são mais seguros.



13 respostas para “Uma revisão sobre os conectores de energia”
Bom o artigo, me fez lembrar dos tempos de AT, dos K6…
Eu ja inverti a posicao dos conectores AT umas 3 vezes, duas vezes na mesma placa, felizmente nada aconteceu.
O que eu acho que deveria mudar nas placas de video eh o consumo, deveriam projetar circuitos mais otimizados e nao buscar tanto poder de fogo. Soh que para isso os desenvolvedores deveria programar melhor, e nao fazer os lixos como AA 3.0, GTA 4, Crysis e outros jogos mal programados.
75Watts soh na placa de video, isso eh ridiculo!!! um iPhone consegue graficos bem legais gastando perto de 1 Watts em sua placa 3D.
As placas de video high end nao deveria gastar mais de 40 Wats em carga maxima, e os CPUs mais de 30 Watts!
Daqui a alguns anos, talvez tenhamos computadores que desarmam o disjuntor se ligarmos o chuveiro junto.
É devido à este consumo exagerado das VGA´s que em casa parei de atualizar a máquina do meu filho numa GEforce 6200, expliquei à ele o problema de custo de energia mensal + gasto desnecessário que gera aquecimento global e ele entendeu perfeitamente, qdo. quer jogar algum jogo mais parrudo (que é raro) usa o Play2 ou vai numa lan-house
wcarmo…
Um bom tecnico em eletronica faz isto que vc falou…
Um colega que é fera… ja fez estas peripécias
Poxa vida né Megaf, não queira comparar um iPhone com um PC, vc já viu a resolução de tela? Quantos polígonos são necessários pra criar e preencher (renderizar) num game como GTA 4 cheio de detalhes vivos? Se fosse fácil teriam placas de baixo consumo, ainda mais quando tanto se fala em meios "verdes"…
O iPhone 3G usa um chip PowerVR MBX-Lite como GPU. Ele é um chip bem simples, que trabalha a 60 MHz e é capaz de processar 1 milhão de triângulos e 100 megapixels por segundo. Um jogo bem otimizado pode conseguir extrair dele um desempenho próximo de uma TNT Vanta ou algo similar, mas não é nada se comparado com as placas 3D atuais. O forte mesmo é a criatividade dos desenvolvedores em conseguir fazer bons jogos com tão pouco :)
come é que eu sei se minha fonte está sobrecarregada ?
porque comprei uma placa de video xfx 8800gs
e estou usando a fonte original da loja. quais as principais características de quando a fonte está além do seu limite ? e como ler e intenter os sensores de voltagem da placa mãe e da fonte ? por favor me ajuntem porque estou um pouco preucupado.
até agora a fonte está funcionando normal. mais gostaria de um opinião profissional.
uma fonte akasa 350Watts reais dá conta dessa placa?
desde de já agradeço
seus artigos são muito legais C. Morimoto
hehe Camila, quis dizer que da pra fazer jogos divertidos com pouco poder gráfico.
Assim como o Carlos Morimoto falou, com um pouco de criatividade da pra tirar muita coisa de placas fracas.
Imagina desenvolvedores com criatividade dos devs de games pra iPhone e Wii fazendo um jogo para um GeForce 6200, da pra fazer um belo jogo.
E existe jogos belissimos, com graficos avançados que rodam muito bem numa 6200, como o último Enemy Territory, DOOM III e por ai vai.
Alem do mais, na minha opnião, o que conta é a diversão, não os gráficos. A Nintendo que o diga…
olá,artigo interresante,gostaria de saber mais sobre tipos placas mães, me ajude,obrigada.
Ae axel fortaleza, posso te dizer que tua fonte deve estar pedindo arrego (pedindo para sair, como diria o Cap. Nascimento), fontes de qualidade são na grande e esmagadora maioria caras, pelo menos uns R$200,00 e mesmo assim fontes de marcas reconhecidamente confiáveis (para mim nesta ordem: Corsair, Seventeam, OCZ e algiams Zalman. C3Tech, Gold/Leadership, fuja.), desconfio logo de fontes que trazem a promessa de "xxx Watts (i)Reais". Consulte o "Clube do Hardware" na seção energia http://www.clubedohardware.com.br/pagina/energia.
Abraços. Carvalho.
Ops, errei, no trecho "(para mim nesta ordem: Corsair, Seventeam, OCZ e algiams Zalman. C3Tech, Gold/Leadership, fuja.)" Leia "(para mim nesta ordem: Corsair, Seventeam, OCZ e algumas Zalman. C3Tech, Gold/Leadership, fuja.)".
Esqueci de mencionar também a questão da eficiência, se tu pagas a conta de luz assim como eu (curioso é que hoje no serviço, estava falando com um colega, no qual a casa dele vive no gato, e a minha não, comentei a respeito de consumo dos modelos de TVs Plasma, LCD e LCD-LED, citadas na ordem crescente de economia de energia se compararmos todas com mesmo tamanho, mas, dixa isso pra lá que o assunto aqui é outro.), mais vale pagar um pouco mais caro por uma fonte eficiênte e ter uma conta mais "magra" no fim do mês que economizar na fonte e a conta de luz pesar…kkkk Aqui uso uma Corsair VX450W e dá conta tranquilo de um i5-750 e uma GTX275, recomendo todas da Corsair devido ao respeito àos clientes (vejam no link abaixo a notícia sobre o selo '80 PLUS'), recomendo a todos uma breve pesquisa sobre o selo '80 PLUS'.
Sobre o 80 PLUS ->http://www.guiadohardware.net/tutoriais/fontes-alimentacao/pagina7.html
Fontes aprovadas 80 PLUS ->http://www.80plus.org/manu/psu/psu_join.aspx
Corsair respeita os consumidores ->http://wazx.com.br/blog/2009/07/13/atualizacao-corsair-hx750w-e-hx850w/
Oia, não criou o Link.
Segue:
Sobre o 80 PLUS
http://www.guiadohardware.net/tutoriais/fontes-alimentacao/pagina7.html
Fontes aprovadas 80 PLUS
http://www.80plus.org/manu/psu/psu_join.aspx
Corsair respeita os consumidores
http://wazx.com.br/blog/2009/07/13/atualizacao-corsair-hx750w-e-hx850w/
PS.: Sr.Administrador, falta o botão para "editar".