Chipsets da nVidia para o Phenom e Phenom II
Publicado em 01/02/2010 – 16:24por Carlos Morimoto
Assim como aconteceu na plataforma Intel, a nVidia perdeu bastante espaço no ramo de chipsets para processadores AMD após a compra da ATI e o lançamento do chipset AMD 690G. Apesar disso, os chipsets da nVidia continuam na ativa, sendo usados em muitas placas AM2+ e AM3 recentes. Continuando a série de artigos sobre chipsets, vamos agora a um resumo dos chipsets recentes da nVidia para a plataforma AMD.
Os chipsets da nVidia para o Phenom e Phenom II são diretamente relacionados aos chipsets para a plataforma LGA-775 da Intel, que vimos a pouco. Previsivelmente, os chipsets para processadores Intel recebem a letra "i", como em "680i SLI" e os para processadores AMD recebem a letra "a".
Embora as duas famílias compartilhem a mesma tecnologia básica, eles diferem no controlador de memória e no barramento de dados. Nos processadores de 64 bits da AMD o controlador de memória é integrado ao processador e a comunicação é feita através de um link HyperTransport, enquanto nos LGA-775 o controlador faz parte do chipset e a comunicação é feita através do FSB.
Depois dos chipsets da série 500, o próximo lançamento foi o nForce 630a, uma solução single-chip com GPU integrada, similar ao nForce 630i usado na plataforma Intel:
Ele foi usado tanto em placas soquete 939 quanto em placas AM2, oferecendo um único slot PCI Express 1.1 x16, 4 portas SATA 300 (com suporte a RAID 0, 1, 5 e 10), 10 portas USB 2.0, áudio HDA e rede gigabit. Ele foi produzido em duas versões, diferenciadas pela GPU integrada, que podia ser a GeForce 7025 ou a GeForce 7050PV.
Ambas são GPUs compatíveis com o DirectX 9.0c, com um único par de unidades de renderização, processamento de texturas e processamento de pixel shaders e uma única unidade de vertex shaders. O clock é de apenas 425 MHz, o que resulta em um desempenho bastante modesto para os padrões atuais.
Os dois oferecem também suporte à decodificação de vídeos 1080i (codificados em MPEG-2), incluindo o suporte a HDCP e saída DVI. A diferença entre os dois é que o 7050PV oferece suporte à HDMI e inclui um codificador de vídeos capaz de fazer upscaling de vídeos em baixa resolução via hardware.
O 630a competiu com o AMD 690G, que oferecia recursos similares. Na época a AMD era a novata, o que a obrigou a ser mais agressiva com relação aos preços, fazendo com que houvesse uma grande oferta de placas de baixo custo baseadas no 690G. A nVidia por sua vez se beneficiou da popularidade do nForce 430 (com a GeForce 6100 ou 6150), que impulsionaram as vendas do sucessor.
O nForce 630a fez par com o nForce 680a SLI, a versão high-end, com suporte a SLI. Entretanto, diferente dos outros chipsets da série, o nForce 680a SLI não foi uma solução de uso geral, mas sim um chipset especializado, destinado às placas dual-processor da série Quad FX, lançada pela AMD no final de 2006.
O alto custo da plataforma Quad FX fez com que o 680a fosse um chipset extremamente incomum. Para a maioria, a melhor solução continuou sendo o nForce 570 SLI, que podia ser encontrado em placas AM2 moderadamente acessíveis.
Tanto o 630a quanto o antigo 570 SLI continuaram na ativa até maio de 2008, quando deram lugar à série 700, composta pelos chipsets nForce 780a SLI, 750a SLI, 730a e 720a. Diferente do que tivemos na série 700 para processadores Intel, o chipset de vídeo integrado é usado em todas as versões. A configuração dos chipsets é também um pouco diferente, baseada no uso de um único chip, combinado com o bridge nForce 200 nas versões com suporte a SLI e de um link Hyper Transport 3.0 para a comunicação com o processador.
Como o controlador de memória é integrado ao processador, não existe também diferenciação com relação ao número de canais ou frequências de memória suportadas, com todos utilizando memórias DDR2 dual-channel nas placas AM2+ e DDR3 dual-channel nas placas AM3.
Começando do topo, temos o nForce 780a SLI, a versão high-end, com suporte ao 3-way SLI. Além do pacote básico de interfaces (6 portas SATA 300 com suporte a RAID, 12 portas USB, rede gigabit, áudio HDA, etc.) ele faz par com o chip nForce 200 para oferecer as 32 linhas PCI Express 2.0 responsáveis pelo suporte a SLI:
Diferente do que temos no 780i SLI, os três slots PCIe são ligadas ao chip nForce 200. Como ele possui apenas 32 linhas, é usada uma configuração híbrida (x16/x8/x8), onde o primeiro slot recebe 16 linhas e os outros dois recebem apenas 8 linhas, resultando em uma pequena perda.
Em seguida temos o nForce 750a SLI, a versão intermediária, que oferece suporte a apenas duas placas. Ele elimina o uso do chip nForce 200, com os dois slots sendo ligados diretamente ao MCP. Como ele oferece apenas 16 linhas de dados, os dois slots operam em modo x8/x8 ao usar duas placas. Os demais recursos são iguais aos do 780a, com o 6 portas SATA, 12 portas USB, rede gigabit (uma única interface), RAID, áudio HDA e suporte a Blu-ray e HDCPI no vídeo integrado, bem como o suporte ao uso de dois monitores.
O principal motivo de ambos os chipsets oferecerem vídeo integrado, mesmo sendo destinados a quem pretendia utilizar placas dedicadas foi a investida da nVidia em torno do Hybrid Power, um sistema de gerenciamento avançado de energia, que permite chavear entre o uso do vídeo onboard e das GPUs dedicadas, permitindo economizar energia enquanto o sistema está executando tarefas leves.
O HybridPower tinha muitas limitações, com destaque para o chaveamento manual e de ser compatível apenas com as GeForce 9800GTX e 9800GX2. Isso fez com que ele fosse pouco usado e se tornasse obsoleto a partir da introdução das GeForce 2xx, que incorporaram um sistema próprio de gerenciamento de energia, independente da GPU integrada.
Em ambos os casos, a GPU integrada é a GeForce 8200, uma versão integrada da GeForce 8400 GS, que oferece apenas 16 unidades de processamento e usa memória compartilhada. Apesar da diferença de nomenclatura, esta é a mesma GPU encontrada no chipset GeForce 9300 da linha para processadores Intel, apenas com pequenas diferenças nos clocks e recursos suportados.
O grande problema é que a linha para processadores AMD enfrentou a concorrência do AMD 780G, que oferecia uma GPU consideravelmente mais poderosa (cerca de 25% mais rápida que a GeForce 8200), o que não foi muito bom para a reputação da série.
O motivo da nVidia optar pelo uso de uma GPU tão fraca é o fato de os chipsets serem otimizados para a exibição de vídeos HD e Blu-ray e não para o processamento 3D. A ideia era que o dono espetasse uma placa dedicada (ou várias placas em SLI) caso pretendesse usar o PC para jogos.
Descendo um pouco mais a pirâmide, temos o nForce 730a e o nForce 720a, as duas versões mais simples, destinadas a placas de médio e baixo custo. Fisicamente, os dois chipsets não são diferentes do 750a, mas o suporte a SLI é desativado em fábrica, com o objetivo de segmentar a linha.
No lugar do SLI, a nVidia incluiu o suporte ao GeForce Boost, que permite combinar a GPU integrada com uma GeForce 8400GS ou 8500GT dedicada, criando uma espécie de "SLI de pobre". O uso do GeForce Boost é muito limitado, já que o desempenho é baixo (mesmo com uma 8500GT o desempenho é inferior ao de uma GeForce 8600GT, que é o modelo seguinte dentro da linha) e o sistema funciona apenas com estas duas placas específicas (usando qualquer outra placa a GPU integrada é desativada). Isso fez com que o GeForce Boost se tornasse logo obsoleto, assim como o Hybrid Power.
Tanto o 730a quanto o 720a oferecem o mesmo conjunto básico de recursos que o 780a e o 750a, com suporte a um único slot PCIe 2.0 x16, suporte a Blu-ray e HDCP no vídeo integrado, 6 portas SATA, 12 portas USB, rede gigabit e áudio HDA. Entretanto, as placas baseadas nos dois tendem a oferecer menos interfaces, já que eles são predominantemente usados em placas micro-ATX de baixo custo.
A única diferença do 730a em relação ao 720a é a frequência da GPU integrada. O 720a usa a mesma GeForce 8200 encontrada no 780a e no 750a, onde a GPU opera a 500 MHz e as unidades de processamentos de shaders operam a 1.2 GHz. O 730a por sua vez usa a GeForce 8300, uma versão overclocada, onde as unidades de processamento operam a 1.5 GHz, oferecendo um desempenho ligeiramente superior. Como pode imaginar, o principal motivo do overclock foi reduzir a diferença de desempenho em relação ao AMD 780G, melhorando a competitividade do chipset.
Um exemplo de placa baseada no nForce 730a/GeForce 8300 é a Asus M3n78. Ela é uma placa AM2+ micro-ATX, que oferece dois slots PCI, combinados com o slot PCIe x16 e um slot PCIe x1, espremido próximo ao dissipador do chipset. Ela é compatível com todos os Phenom e Phenom II (desde que usando uma versão recente do BIOS) com TDP de até 140 watts, com suporte a até 16 GB de memória (4 módulos de até 4 GB) e uma rara combinação de saídas VGA, DVI e HDMI e suporte ao uso de dois monitores.
A Asus preferiu transformar uma das portas SATA em uma porta eSATA disponível no painel traseiro. Devido a isso, apenas 5 portas estão disponíveis no corpo da placa, com as três portas vermelhas destinadas a quem usar a função de RAID 5 (com 3 HDs) oferecida pelo chipset.






2 respostas para “Chipsets da nVidia para o Phenom e Phenom II”
Ótimo artigo! Mais conhecimento adquirido! XP
A vantagem da plantaforma AMD é que o custo é baixo em reçação a intel que é paulada na cabeça….