Um passeio pelas características das fontes de alimentação
Publicado em 14/03/2009 – 20:04por Carlos Morimoto
Você pode imaginar a corrente alternada da tomada como uma onda, que oscila 60 vezes por segundo, em oposição à corrente contínua, que é um fluxo contínuo. O uso de corrente alternada reduz brutalmente a perda durante a transmissão, o que a torna ideal para uso na rede pública, mas. Aparelhos domésticos como ventiladores, geladeiras e aquecedores trabalham muito bem com corrente alternada, mas aparelhos eletrônicos em geral precisam que ela seja transformada em corrente contínua, o que nos leva à fonte de alimentação.
A função básica da fonte de alimentação é transformar a corrente alternada da rede elétrica em corrente contínua, filtrar e estabilizar a corrente e gerar as tensões de 3.3V, 5V e 12V fornecidas aos demais componentes. Nas fontes chaveadas usadas atualmente, o é feito basicamente 4 etapas.
Na foto a seguir, você notar a presença de dois dissipadores de alumínio, três pequenos transformadores e dois grandes capacitores, posicionados no canto superior direito da fonte:

O dissipador da direita está ligado a um grupo de transístores que tem como função aumentar a freqüência da corrente, gerando corrente de alta freqüência que é passada aos componentes seguintes. A idéia é reduzir o intervalo entre os ciclos, o que reduz o trabalha necessário para transformá-la em corrente contínua mais adiante. Estes transístores inevitavelmente transformam uma boa parte da energia em calor, justamente por isso são presos ao dissipador metálico.
A corrente de alta freqüência passa então pelos transformadores, que reduzem a tensão e em seguida por um grupo de diodos (presos ao dissipador da esquerda) e um grupo de capacitores, que têm a função de transformar a corrente em corrente contínua e estabilizá-la, protegendo, em certo grau, os componentes do micro de variações de tensão, surtos e outras anomalias na rede elétrica.
Muitas das etapas de produção da fonte são feitas manualmente, por isso é muito comum encontrar braçadeiras, soldas manuais e até mesmo componentes presos com cola quente, mesmo nas fontes de boa qualidade. É justamente por isso que a grande maioria das fontes são produzidas em países da ásia, onde a mão de obra é mais barata.
Temos aqui uma foto dos componentes internos de uma Corsair VX450W. O enorme capacitor azul do lado esquerdo é o capacitor primário da fonte, um Hitachi de 330uF e 400V, certificado para trabalhar a até 105C, o que o coloca dentro da categoria de capacitores para uso industrial (os capacitores destinados a uso doméstico são certificados para trabalhar a até 85C).

Assim como em outras fontes atuais, a VX450W utiliza um exaustor de 120 mm. Ele é surpreendentemente silencioso; emite um ruído de apenas 21 dBA enquanto a fonte está trabalhando com até 400 watts de carga e 30 dBA quando a fonte é obrigada a trabalhar com carga máxima. O ruído é o que é praticamente inaudível, inferior ao ruído emitido pelos HDs e bem inferior ao emitido pelo cooler do processador.
Um dos fatores que possibilita um nível de ruído tão baixo é o bom nível de eficiência da fonte. Quase toda a energia desperdiçada pela fonte é transformada em calor, de forma que uma fonte que desperdiça menos energia também aquece menos.
As especificações prometem um mínimo de 80% de eficiência, com qualquer carga a partir de 20% da capacidade da fonte e um máximo de 85% em situações ideais, valores muito acima dos das fontes baratas, que na maioria dos casos trabalham com 65% de eficiência:

Como você pode ver nesse gráfico da Corsair, a fonte atinge o nível máximo de eficiência (os 85%) trabalhando com metade da capacidade e em rede elétrica de 220V. Usando tensão de 110V, o máximo atingido pela fonte são 83%, o que de qualquer forma é uma boa marca. Usando cargas mais baixas, ou próximas dos 450 watts, a eficiência cai para a faixa de 81%. E normal que fontes bivolt apresentem uma eficiência um pouco melhor quando ligadas a uma tomada 220V em vez de 110V, no caso da VX450W a diferença fica em torno de 2%.
A eficiência é justamente um dos principais diferenciais entre as fontes de alimentação hoje em dia, já que representa uma economia direta na conta de luz.
A checar as especificações de qualquer fonte, procure pela eficiência mínima (com 100% de carga), que nunca deve ser inferior a 70% (o ideal é que seja de 80% ou mais) e veja se existe alguma especificação de eficiência ideal, que é atingida quando a fonte trabalha com menos carga.
Neste exemplo (de uma fonte de baixo custo da Huntkey) a especificação fala em 85% de eficiência, mas a seguir fala em 70% de eficiência mínima em full-load, o que indica que a eficiência em situações reais de uso fica entre os dois extremos, de acordo com o percentual de carga:

No caso de PCs que ficam continuamente ligados, usar uma fonte que trabalha com 80% ou mais de eficiência, acaba saindo mais barato a longo prazo do que usar uma fonte genérica que trabalhe com um percentual de eficiência mais baixo e consequentemente desperdice mais energia.
Um PC cujos componentes internos consumam 200 watts em média (sem contar o monitor, já que ele não é alimentado pela fonte de alimentação), acabaria consumindo 307 watts se usada uma fonte com 65% de eficiência. Ao mudar para uma fonte com 80% de eficiência, o consumo cairia para apenas 250 watts, o que, em um PC que fique ligado 12 horas por dia, representaria uma economia anual de 102 reais. O menor consumo também aumenta a autonomia do nobreak, já que, com menos carga, as baterias durarão mais tempo. Isso pode levar a outras economias, já que reduz a necessidade de usar baterias externas, ou de usar um nobreak de maior capacidade.
Concluindo, vamos a um pequeno glossário de termos que aparecem com frequência nas especificações de fontes:
ATX 2.2 compatible: O padrão ATX 2.0 introduziu o conector de 24 pinos, combinado com o conector auxiliar de 4 pinos. O padrão ATX 2.2 flexibilizou a exigência, permitindo que, respeitadas determinadas condições, fontes com conectores ATX de 20 pinos também pudessem ser usadas. O fato de atender aos dois padrões não quer dizer nada, pois eles são normas para todas as fontes atuais.
Ball-bearing thermally controlled fan: Especifica que o exaustor da fonte usa rolamentos (ball-bearing) no lugar de buchas (sleeve) como os usados nas fontes mais baratas. Isso permite que ele seja mais silencioso e, principalmente, aumenta a durabilidade, evitando que ele comece a fazer barulho e perder velocidade de rotação depois de um ou dois anos, como é comum nas fontes baratas. O "thermally controlled" faz referência à variação na velocidade de rotação do exaustor de acordo com a temperatura da fonte.
Single +12V rail: O padrão ATX12V diz que cada via (rail) de 12V da fonte não deve ser capaz de transportar mais do que 20 amperes (240 watts), de forma a evitar a possibilidade de acidentes perigosos. Dentro do padrão, fontes capazes de fornecer mais do que isso nas saídas de 12V devem utilizar duas ou mais vias separadas. O problema é que no caso hipotético de um único dispositivo (uma placa 3D, por exemplo) exigir sozinho mais do que 240 watts, ele poderia sobrecarregar a via em que está ligado, fazendo com que a fonte desligasse, independentemente de quantas vias de 12V ela possuísse.
Isso não acontece com os componentes atuais (pelo menos não ao usar fontes de qualidade) pois mesmo as placas 3D mais parrudas ainda consomem na faixa dos 150 watts, mas isso pode eventualmente passar a ser uma limitação. Prevendo isso, os fabricantes passaram a oferecer fontes "single rail", onde toda a capacidade de fornecimento da fonte em 12V é oferecida em uma única via. Isso permite que os componentes se sirvam de energia à vontade, sem o antigo limite de 240 watts.
A VX450W, por exemplo, oferece 396 watts através da via única de 12V, enquanto outras fontes maiores chegam a fornecer 1000 watts em uma única via. Ao mesmo tempo em que isso é desejável, fornecer tanta energia em uma única via também oferece um certo risco, não apenas para o equipamento, mas também para quem o manuseia, por isso é importante só comprar fontes "single rail" de fabricantes renomados. Se a fonte não for bem construída, coisas realmente interessantes podem acontecer.
Auto-Switching universal AC input: A maioria das fontes possuem chaves seletores "110V/220V", mas um número cada vez maior de fontes estão passando a utilizar seletores automáticos de tensão ou seja, passam a ser "bivolts". No caso de fontes de melhor qualidade, você pode geralmente ligar a fonte em qualquer tensão entre 90V e 264V. Este é um recurso importante, pois permite que a fonte absorva variações na tensão da rede elétrica (surtos e brownouts) sem prejuízo para o equipamento. Uma curiosidade é que apenas fontes sem PFC e fontes com PFC ativo (veja a seguir) podem oferecer seleção automática de tensão. Fontes com PFC passivo precisam, por definição, utilizar a chave seletora.
Over Current/Voltage/Power Protection, Under Voltage Protection, and Short Circuit Protection: Teoricamente, todas as fontes de alimentação deveriam oferecer proteção contra variações de tensão, mas não é isso o que acontece com as fontes mais baratas. Surge então a necessidade de usar um estabilizador ou nobreak para oferecer uma tensão constante para a fonte, mas como bem sabemos, os estabilizadores baratos também não cumprem bem a função, o que no final acaba deixando o equipamento desprotegido.
Fontes de melhor qualidade, sobretudo fontes que possuem seleção automática de tensão oferecem uma tolerância muito grande a variações de tensão, maior do que um estabilizador típico. É muito melhor usar uma fonte de alimentação de qualidade do que combinar um estabilizador ruim e uma fonte ruim, daí o conselho geral de economizar, deixando de comprar o estabilizador e investir o dinheiro na fonte.
Active Power Factor Correction (PFC): Ao comprar um estabilizador ou um nobreak, a capacidade é sempre informada em VA (Volt-Ampere) e não em watts. Em teoria, um nobreak ou estabilizador de 600 VA seria capaz de suportar uma carga de 600 watts, mas na prática ele acaba mal conseguindo manter um PC que consome 400. Se você realmente ligasse um PC que consumisse 600 watts, ele provavelmente desligaria (ou queimaria) quase que instantaneamente.
Essa diferença ocorre por que a capacidade em VA é igual ao fornecimento em watts apenas em situações onde são ligados dispositivos com carga 100% resistiva, como é o caso de lâmpadas incandescentes e aquecedores. Sempre que são incluídos componentes indutivos ou capacitivos, como no caso dos PCs e aparelhos eletrônicos em geral, a capacidade em watts é calculada multiplicando a capacidade em VA pelo fator de potência da carga, sendo que a maioria das fontes de alimentação trabalha com fator de potência de 0.65 ou 0.7 (não confunda "fator de potência" com "eficiência", são duas características diferentes). Isso significa que um estabilizador de 600 VA suportaria, em teoria, um PC que consumisse 400 watts, utilizando uma fonte de alimentação com fator de potência de 0.65.
Como é sempre bom trabalhar com uma boa margem de segurança, uma boa regra para calcular a capacidade "real" em watts é dividir a capacidade em VA por 2. Assim, um nobreak de 600 VA suportaria um PC com consumo total de 300 watts com uma boa margem.
De alguns anos para cá, estamos assistindo à popularização das fontes com PFC ("Power Factor Correction", ou "fator de correção de potência") que reduz a diferença, fazendo com que o fator de potência seja mais próximo de 1. Na verdade, é impossível que uma fonte trabalhe com fator de potência "1", mas muitas fontes com PFC ativo chegam muito perto disso, oferecendo um fator de potência de 0.99.
A principal vantagem de usar uma fonte de alimentação com PFC ativo é que o consumo em VA fica muito próximo do consumo real, em watts, de forma que você não precisa mais superdimensionar a capacidade do nobreak ou do estabilizador.



24 respostas para “Um passeio pelas características das fontes de alimentação”
Ótimo artigo Morimoto. Hoje chegou a minha Corsair 450VX, que comprei baseado nas indicações de um artigo seu.
Finalmente pude aposentar meu velho estabilizador com 8 aninhos… =)
Dando uma de revisor chato, abaixo da quarta imagem, um errinho de digitação:
"usar uma conte que trabalha
Falando em fonte, a ventuinha da minha está com um barulho estranho, acho que está na hora de fazer faxina, deve ter uns 2 kilos de terra lá dentro.
@MaxRaven
Há pessoas que ás vezes se enganam nas teclas mas outras não sabem escrever.
Fica aqui corrigido:
Falando em fonte, a ventoinha da minha está com um barulho estranho, acho que está na hora de fazer faxina, deve ter uns 2 quilos de terra lá dentro.
Corrigido as palavras ventoinha e quilos
Observação: o teu comentário é pequeno demais para se dar dois erros e estar a tentar corrigir um.
Conclusão: o post ficou com mais erros, se não queres que os usuários vejam erros então perde dois segundos a olhar para a caixa dos comentários que ela própria sublinha os erros.
E se carregares no botão direito ele corrige.
As fontes de alimentação são muito perigosas
nunca abra uma fonte com ela ligada à corrente.
Aqui a rede publica trabalha a 220 volts em Portugal a transformação é feita para 300 volts contínuos o que comparados aos 220 são mais muito mais mortíferos. Não pela voltagem mas sim por serem contínuos.
Há vários factores para um choque ser mais mortífero apenas exemplifiquei a fonte de alimentação (que são praticamente iguais o seu esquema o modo de transformação) que são: amperes , volts e continuidade. Quanto mais alto forem os valores o choque será mais violento.
"O uso de corrente alternada reduz brutalmente a perda durante a transmissão, o que a torna ideal para uso na rede pública, mas."
Provavelmente, não existe esse "mas".
"Nas fontes chaveadas usadas atualmente, o é feito basicamente 4 etapas."
Acredito que o "o" também não exista.
Estou fazendo um montando um curso para os vendedores da loja que trabalho, sinto que eles não confiam em mim, eheh, e por isso é muito bom encontrar material em português e de qualidade disponível.
abraços
Ótimo artigo, apenas um ponto a corrigir:
Na verdade, a corrente contínua é que reduz brutalmente as perdas de transmissão (vide linhões das usinas do Rio Madeira e de Itaipu). Porém, a corrente alternada é mais fácil de utilizar em motores e os equipamentos do sistema elétrico são mais baratos.
mt bom… ta na hora do pessoal aprender que fonte é uma peça muito importante e não deve se comprar a mais barata que tem na loja…
"Conclusão: o post ficou com mais erros, se não queres que os usuários vejam erros então perde dois segundos a olhar para a caixa dos comentários que ela própria sublinha os erros.
E se carregares no botão direito ele corrige."
Te passou pela cabeça que talvez eu não queira corrigir determinadas coisas?
O aviso foi para o Morimoto, apenas um aviso, pois sei que a palavra conte, no editor de texto que ele tem por habito usar, não seria apresentado como erro, e, pelo tamanho do texto, sem uma revisão externa, provavelmente passaria desapercebida.
Afff, como portugueis é chato, deve ser por isso que não falo com a familia do meu pai. Vai ajudar na arrumação do Magalhães, este sim precisa de correções.
Como sempre mais um ótimo artigo…
Uma pergunta;
Para que serve o quinto fio (laranja 3,3v) da saída SATA, visto que os adaptadores utilizados nas fontes que não possuem conector SATA possuem somente 4 fios. Mesmo maquinas de grife como HP e Dell, em alguns modelos utilizam adaptadores, e também gabinetes, como por exemplo o iTower 930 (RC-930) da Coolermaster que tem placa controladora de HD's também usa quatro fios.
Não deve ter uma função tão importante…
Bom dia Morimoto.
Somente esclarecendo.
Conforme dito acima, a corrente alternada é a mais utilizada em sistemas de transmissão de energia, pois facilita a regulagem de tensão na rede através de transformadores elevadores/abaixadores de tensão nas subestações. Os poucos casos de transmissão de energia em CC se devem às menores perdas, mas acarretam na utilização de estações retificadoras e inversoras caríssimas -- o que se faz viável em casos específicos, como por exemplo, na energia a 50Hz gerada pelo lado paraguaio de Itaipu -- transformada e transmitida em CC até Ibiúna e depois convertida a 60Hz para utilização em SP.
Estava procurando um artigo sobre essa questão do AC x DC e achei um interessante no local mais óbvio :)
http://en.wikipedia.org/wiki/War_of_Currents
No final do século 19/início do século 20, existiu uma forte rivalidade entre George Westinghouse e Thomas Edison pela definição do sistema de transmissão de energia elétrica dos EUA.
Na época o AC de Westinghouse levou a melhor por oferecer menores perdas em transmissões de longa distância e continua em uso até hoje.
Talvez alguém da área possa discorrer melhor sobre os desafios técnicos em usar DC em transmissões de longa distância e os avanços que permitiram utilizá-lo em casos como este de Itaipú > Ibiúna citado pelo Gustavo. É sem dúvidas um tema bastante interessante para se discutir.
Morimoto, na verdade um grande injustiçado neste confronto foi o Nicola Tesla. Foi ele quem defendia a transmissão de energia em corrente alternada. Ele até previa a transmissão da energia pelo solo e pelo ar (vide filme "O Ilusionista"). Westinghouse financiou Tesla e se apropriou de suas idéias em forma de patentes.
Acontece que a geração de energia é feita primariamente em CA.
Não tem jeito. Quando você fala de bobinas, somente teremos energia se tivermos variação de campo magnético. Campos magnéticos contínuos não produzem corrente nem tensão. Eles têm que variar.
Para conseguir esta variação, utilizamos turbinas (eólicas, a água, a vapor) acopladas a geradores -- senão não teríamos como produzir energia em grandes quantidades.
Um gerador nada mais é do que um motor síncrono "ao contrário". Você magnetiza as bobinas do rotor com uma pequena corrente (pode ser iniciada inclusive por um banco de baterias, depois o sistema se auto-alimenta) e ao mesmo tempo, gira esse "eletroímã" dentro de um conjunto de bobinas fixas (estator). As oscilações de campo +/- que o "eletroímã" provoca gera tensão e corrente nos terminais das bobinas paradas.
Portanto, o segredo é oscilação.
Não tem como produzir grande quantidade de energia em CC. Usar células solares? Inviável. Baterias? Não tem como!
Até a tensão que o alternador dos automóveis gera passa por retificação. Os alternadores automotivos geram tensão trifásica (!!)
A questão da transmissão em CC de Itaipú é que metade dos geradores de lá geram energia em 50Hz (lado paraguaio) e a outra metade gera em 60Hz (lado brasileiro).
Como o nosso país vizinho só utiliza uma fração da energia, ele vende o excedente para nós. Então nós compramos deles e convertemos para 60Hz.
Ocorre que o processo não é simples. Você tem que ter uma subestação retificadora e uma inversora. A retificadora possui prédios de mais de 15m de altura com torres de diodos de alta potência ligados em série (devido a alta tensão, a tensão total é dividida entre eles). Os prédios têm um super sistema de refrigeração. Esses diodos e o sistema de refrigeração são monitorados por um sistema de supervisão (computadores). Há filtros capacitivos e indutivos para a saída. Os filtros capacitivos formam sequências de placas com aprox. 30m de altura.
O sistema de inversão é formado por diversas células de transistores de potência. Se não me engano, a estação de Ibiúna usa tiristores, que é uma tecnologia cheia de limitações por ser um pouco antiga.
Os tiristores são como chaves on-off. Só que para eles irem a off em cc, dependem de um complexo sistema com outros tiristores e capacitores.
Então estas células operam em conjunto, cada uma somando um pequeno degrau até formar uma senóide. A senóide é filtrada novamente pelos enormes capacitores.
Mas tem um problema aí. Há a necessidade de um controle sobre a saída. Um controle sobre o valor de indução. Para isso são usados motores (!!) síncronos que regulam o fator de potência e fornecem energia reativa para o sistema funcionar.
Bom, para finalizar:
- Qualquer sistema de geração de energia em grande quantidade só pode ser factível em CA.
- A transmissão em CA é a que oferece custos de implantação menores que CC, devido à infraestrutura mais simples.
- Agora, transmissão em CC oferece menos perdas -- entretanto, requerem uma estrutura muito cara e mais sujeita a falhas do que a CA. As perdas são menores pois em CC você não tem impedância "indutiva" nas linhas (os cabos formam um capacitor com o solo).
Em algumas linhas muito longas, realmente são usados sistemas CC. Se não me engano, no continente Africano há um sistema assim, com mais de 5000km ligando o centro do continente até África do Sul.
Mas isso se restringe a raras excessões, como esta.
No Brasil aproveitou-se o fato da diferença dos 50/60 Hz para que fosse viável. Senão, tenho certeza que teríamos um "linhão" convencional ligando Itaipu a SP.
- Em sistemas DC, não podemos usar transformadores! Como ficaria para abaixar a tensão do poste da rua dos 13,8kV para 127/220V até nossas residências sem um transformador?
Bom, é isso. Espero ter esclarecido algumas coisas.
Até mais.!
Parabéns por usar "Tensão" no lugar de "Voltagem". Nos livros de física só vejo tensão, mas o pessoal olha um produto escrito em inglês e quer traduzir "Voltage" como "Voltagem" o que é errado.
Clésio
Na verdade seria "diferença de potencial" o "mais correto" a ser usado nos livros de física uma vez que o estudo é sobre a essência da coisa, mas mesmo assim no meio "técnico" na minha modesta opinião, não há grande diferença em dizer voltagem ou tensão, em eletrônica é usualmente dito voltagem e amperagem, da mesma forma que se pergunta, quantos quilos pesa algo (ou quanto pesa isto ), ao invés de pedir qual a massa do dito cujo.
Parabéns pelo texto muito bem explicado. Sou novato no mundo da informática mais é sempre bom ficarmos de olho e aprender sobre o assunto. Faz apenas 4 dias que comecei o meu curso de montagem e manutenção de computador e gostaria de algumas dicas.como por exemplo em que parte eu devo estudar mais e me aprofundar nos estudos.placa mãe, processador.
Abraços fique com Deus.
xanguinho
Muito bom Gustavo, poupou o meu tempo em sua longa, e rica, descrição.
E confirmo todos os pontos, ou seja, como a geração mais barata é em CA (Os dínamos geram em CC por inversão de polaridade nas escovas, mas o custo deles e de sua manutenção é alta. De novo os custos), o melhor é que continue em CA, já que facilita a vida quando se pensa em derivar a energia no meio do caminho, pois numa subestação em CA o maior custo é de transformador, ainda assim menos do que em CC. Derivar em CC exigiria uma estação conversora igual à da ponta. Baixar a tensão não é impossível, pois é o que fazem as fontes chaveadas, mas cada rebaixamento de tensão (representado pelo transformador no poste) deveria ser uma fonte chaveada, mais cara e suscetível a defeitos do que um trafo, que é "apenas" um indutor.
Como o custo da linha de transmissão (LT) em CC é um pouco menor (um dipolo com condutores + e -, contra as 3 fases do CA) o maior custo fica mesmo nas estações retificadora e inversora. Como estes custos são fixos independente do tamanho da LT, valem mais à pena quando as distâncias são grandes (a partir de 800 km), pois a perda por distância é menor em CC do que em CA, considerando as mesmas tensões, correntes, e bitolas de cabos.
Outro fator que resultou no linhão de Itaipu ser em CC é que comprando energia em 50 Hz do lado paraguaio, seria necessário de qualquer forma uma conversora de frequência. O que se fez foi separar os dois estágios desta conversora (retificador e inversor) por uma LT em CC de 800 km, reduzindo as perdas.
Quanto à LT que você citou na África, não consegui confirmar a distância, vi apenas que existem diversas LTs em CC, a maior com 1700 km. Hoje, a de Itaipu tem 800 km.
A LT Porto Velho-Araraquara, a ser construída para trazer a energia das usinas do rio Madeira, terá 2500 km, sendo disparada a maior do mundo, pelo que vi nas notícias por aí.
Ah, só pra deixar caro, o nome deste sistema é HVDC (high voltage direct current), e a ABB é a líder mundial (é ela que forneceu os sistemas da África, de Itaipu e que fornecerá para o Madeira).
Puxa, me empolguei e acabei escrevendo demais também.
Morimoto, pra acabar com a polêmica, a minha sugestão para correção da frase é: "O uso de corrente alternada é ideal para uso na rede pública, pois é sua tensão é facilmente alterada por transformadores e é utilizada diretamente aparelhos domésticos que utilizam motores (como ventiladores e geladeiras), mas aparelhos eletrônicos…"
Espero ter contribuído!
@Gustavo B: o filme em que o Tesla aparece é o Grande Truque (The Prestige). Também cometi esse erro, queria alugar o Grande Truque e peguei o Ilusionista.
Não é apenas pela facilidade de manutenção da rede que o AC é empregado, claro que também por isso, mas o AC realmente reduz mesmo a perda de energia durante a transmissão drasticamente.
Ótimo artigo Morimoto.
A pergunta que não quer calar: Com o uso de uma fonte de alimentação de boa qualidade, moderna e até com PFC ativo. É necessário o uso de estabilizadores, nobreaks e afins? Tendo em vista que uma fonte, mesmo genérica, consegue corrigir a tensão mais rapida que um estabilizador? Isto é podemos ligar nossos pcs diretamente na tomada ou no filtro de linha?????
Os estabilizadores vendidos aqui no Brasil são na grande maioria dos casos apenas mais um engodo dos fabricantes. Os varistores e outros componentes passivos oferecem alguma proteção (assim como em um filtro de linha), mas por outro lado os componentes ativos são ineficazes e desperdiçam muita energia.
Daria para ficar o dia todo discutindo se é melhor "usar ou não usar", discutindo se a pouca proteção compensa o desperdício de energia e os potenciais problemas, mas o resumo da ópera é que o que realmente protege os equipamentos é um aterramento bem feito, combinado com uma fonte de boa qualidade. O resto, como disseram no outro tópico, é gambiarra.
@Carlos Morimoto
Então quer dizer que: absolutamente NADA na face da terra pode proteger meu pc, nem filtros de linhas, nobreaks, fonte de alimentação, Tudo de boa qualidade, se eu não tiver um aterramento físico? Ou será que mesmo sem aterramento físico esses equipamentos citados oferecem algum tipo de proteção minimo.Pois assim como muitos, sofro com esse problema de não ter aterramento! Até pensei em comprar aqueles módulos isoladores com aterramento eletronico, mas dizem que esse tipo de aterramento não é tão eficaz quando um aterramento físico, e só resolve os problemas do "choques" na carcaça dos equipamentos.Ouvi uma pessoa que comprou garantir que aquele problema de ruido onde a tv fica chuviscando quando a gente liga o liquidificador pararem após ter usado esse módulo isolador. Existe alguma solução que não seja fazer um aterramento para quem não tem aterramento? =\
Grato!
Rod.
Ha! Foi mal aos erros de português, é que ando meio apressado para revisa-los =)
mto bom
que aula, tanto no artigo, quando nos comentarios, muito obrigado, posso dizer que aprendi mais do que esperava ^^