Barramentos: Entendendo o PCI e o PC Card
Publicado em 16/09/2008 – 10:06por Carlos Morimoto
O PCI é um dos barramentos mais antigos ainda em atividade. O padrão foi finalizado em 1992 (ou seja, 16 anos atrás), mas ele continua na ativa até hoje, presente na maioria das placas-mãe:

O PCI opera nativamente a 33 MHz, o que resulta em uma taxa de transmissão teórica de 133 MB/s. Entretanto, assim como em outros barramentos, a freqüência do PCI está vinculada à freqüência de operação da placa-mãe, de forma que, ao fazer overclock (ou underclock) a freqüência do PCI acaba também sendo alterada.
Em uma placa-mãe soquete 7 antiga, que opera a 66 MHz, o PCI opera à metade da freqüência da placa-mãe. Ao fazer overclock para 75 ou 83 MHz, o PCI e todas as placas conectadas a ele passam a operar a respectivamente 37.5 MHz e 41.5 MHz. Isto acabava resultando em um ganho expressivo de desempenho, já que, além do processador, temos ganhos de desempenho também em outros componentes.
Conforme a freqüência das placas foi subindo, passaram a ser utilizados divisores cada vez maiores, de forma a manter o PCI operando à sua freqüência original. Em uma placa-mãe operando a 133 MHz, a freqüência é dividida por 4 e, em uma de 200 MHz, é dividida por 6.
Como você pode notar, o barramento PCI tem se tornado cada vez mais lento com relação ao processador e outros componentes, de forma que com o passar do tempo os periféricos mais rápidos migraram para outros barramentos, como o AGP e o PCI-Express. Ou seja, a história se repete, com o PCI lentamente se tornando obsoleto, assim como o ISA.
Em seguida temos o padrão PCMCIA, que surgiu em 1990 como um padrão para a expansão de memória em notebooks. A idéia era permitir a instalação de memória RAM adicional sem precisar abrir o notebook e instalar novos módulos o que, na maioria dos modelos da época, era bem mais complicado do que hoje em dia.
Em 1991 foi lançado o padrão 2.0, que previa a conexão de outros periféricos, como modems, placas de rede, placas de som, adaptadores de cartões e assim por diante. Ironicamente, o padrão PCMCIA foi rapidamente adotado pelos principais fabricantes, tornando-se o barramento de expansão mais usado nos notebooks, mas nunca chegou a ser realmente utilizado para atualização de memória, como originalmente proposto. :)
A partir da versão 2.0, o padrão também mudou de nome, passando a se chamar oficialmente "PC Card". Apesar disso, o nome "PCMCIA" acabou pegando e, embora não seja mais o nome oficial do padrão, é usado por muita gente. Tecnicamente, "PCMCIA" é o nome da associação de fabricantes, enquanto "PC Card" é o nome do barramento, mas, na prática, os dois acabam sendo usados como sinônimos.
Existem duas versões do barramento PC Card. O padrão original era baseado em uma versão "modernizada" do barramento ISA, que operava a 10 MHz (sem tempos de espera), transmitindo 16 bits por ciclo, resultando em um barramento de 20 MB/s.
Em 1995 foi lançada uma versão atualizada, baseada no barramento PCI, que continua em uso até os dias de hoje. O novo padrão preservou a compatibilidade com as placas antigas, de forma que você pode continuar utilizando modems e placas de rede PC Card antigas, mesmo em um notebook atual.
Naturalmente, o oposto não é verdadeiro, de forma que as placas de 32 bits não funcionam nos notebooks antigos, embora o encaixe seja o mesmo. É fácil diferenciar os dois tipos, pois as placas de 32 bits possuem uma decoração dourada no encaixe. Aqui temos duas placas de 16 bits (um modem e uma placa wireless) e uma placa de rede de 32 bits no centro, que podemos diferenciar pela presença do detalhe dourado:

A maioria dos notebooks fabricados até 2002 possui dois slots PC Card, mas, a partir daí, a grande maioria dos fabricantes passou a oferecer um único slot, de forma a cortar custos. Como os notebooks passaram a vir "completos", com rede, som, modem e placa wireless e cada vez mais periféricos passaram a utilizar as portas USB, as placas PC Card se tornaram realmente um item relativamente raro, dando uma certa razão aos fabricantes.
Atualmente, os slots e as placas PC Card estão sendo lentamente substituídos pelos Express Card, assim como as placas PCI estão sendo substituídas pelas PCI Express. No caso dos notebooks, as mudanças tendem a ser mais rápidas, de forma que os slots PC Card podem desaparecer definitivamente mais rápido do que se espera.
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4 respostas para “Barramentos: Entendendo o PCI e o PC Card”
Prezado Morimoto,
parabéns por mais um artigo brilhante, q explica para todos detalhes de hardware atualizados e importantes.
Gostaria apenas de fazer uma sugestão neste artigo: diferenciar a interface CardBus daquela PC-Card.
Apesar de haver realmente uma derivação de um em relação ao outro, o PC-Card inicial é derivado do ISA, ao passo q o CardBus é derivado do PCI, com todas as implicações disto.
Não sou "hardweiro", mas a página da Wikipedia em inglês, em
http://en.wikipedia.org/wiki/PC_Card
parece concordar comigo.
Obrigado,
hilton
Muito bom o artigo porém poderia abordar o novo padrão: ExpressCard.
hilton, você não leu as letras miúdas. Clique no "» Leia mais" :)
Bons tempos da Orinoco, e dos modens US…
Morimoto, sera possivel utilizar uma placa Orinoco em um Kernel mais recente do Linux tem modulo, mas sem que eu tenha que fazer curso da NASA para instalar?
Obrigado, excelente matéria.