outubro 8, 2008 – 2:49 pm
Inesperadamente, o artigo de ontem sobre o Slackware acabou atraindo um volume inédito de comentários, a maioria deles positivos. Por estranho que possa parecer, o Slackware ainda possui um número relativamente grande de usuários, que são atraídos justamente pela simplicidade do sistema, que caminha na contramão das demais distribuições, oferecendo um sistema Linux para quem é da época em que homens eram homems e crimpavam seus próprios cabos de rede.
Aproveitando o interesse, vou publicar a partir de hoje uma série de dicas sobre o Slackware, assim como fiz anteriormente com o Mandriva e o OpenSUSE, começando pelo arroz com feijão, ou seja, a velha e manjada explicação de como baixar e instalar o sistema:
O modo mais prático de instalar o Slack é dando boot pelo CD-ROM, assim como em outras distribuições. Apesar do instalador do Slackware ser em modo texto, as opções são razoavelmente simples.
O primeiro passo é baixar os CDs de instalação no http://slackware.com/getslack/, onde estão listados os vários mirrors disponíveis. Alguns sempre estão lotados, mas bastam algumas poucas tentativas para encontrar um rápido e atualizado. O mirror primário para o Brasil é o ftp://ftp.slackware-brasil.com.br/.
Dentro de cada mirror temos os pacotes inicialmente divididos por versão. Para cada uma existem duas pastas, como em “Slackware-12.1″ e “Slackware-12.1-iso”, sendo que a primeira contém os pacotes avulsos e a segunda contém as imagens dos CDs de instalação, que é o que estamos procurando. Em alguns dos mirrors, você encontrará também versões antigas, que podem ser úteis em micros antigos. A pasta “slackware-current” contém a versão de desenvolvimento do Slackware, onde você poderá encontrar as versões mais atualizadas dos pacotes, mas sem garantia de estabilidade.
O Slackware é composto por nada menos do que 6 CDs, mas na verdade você precisa apenas dos três primeiros, já que os outros três contém o código fonte de todos os pacotes. O primeiro CD contém os pacotes básicos do sistema, o segundo contém os pacotes do X e a maior parte dos programas gráficos enquanto o terceiro contém os pacotes de internacionalização. Como de praxe, está disponível também um DVD, que agrupa o conteúdo de todos os CDs, incluindo o código fonte.
Ao dar boot com o CD ou DVD de instalação, a primeira pergunta é sobre os parâmetros de boot, onde você pode adicionar opções destinadas a solucionar problemas, como o tradicional “apci=off” ou o “noapic”. Estas opções são na realidade interpretadas diretamente pelo Kernel, permitindo alterar seu comportamento ou desativar recursos que estejam criando problemas na sua máquina.
No caso do Slackware 12.1, a principal observação é que estão disponíveis duas versões diferentes do Kernel, um para máquinas atuais e outro para máquinas muito antigas, anteriores ao Pentium Pro. Se você por acaso estiver tentando instalar o sistema em um Pentium 1 ou em um Pentium MMX, use a opção “huge.s” para que seja usado o Kernel para máquinas antigas, caso contrário simplesmente pressionem Enter para que seja usado o “hugesmp.s”, que é a versão para máquinas atuais, incluindo suporte a processadores dual-core e outros recursos:

A pergunta seguinte é sobre o layout do teclado, que no nosso caso é o “qwerty/br-abnt2.map”. O instalador pede para você pressionar “1″ para acessar o menu de seleção e depois confirme pressionando novamente “1″.
Em outras distribuições, o layout é definido automaticamente de acordo com a indicação do país ou da língua (no Ubuntu, ao escolher o Português do Brasil, por exemplo, o sistema presume que você está usando um teclado ABNT2). O Slackware, por sua vez, ainda utiliza um sistema primitivo, onde onde tudo é especificado separadamente. Tanto faz definir o layout logo no início do boot ou durante a instalação, pois a função usada é a mesma.
Depois deste pequeno aquecimento, você cai na tela inicial, onde você vê a mensagem “You may now login as ‘root’. Onde, seguindo as instruções, você se loga como root, (sem senha) e cai num prompt inicial de comando, de onde pode chamar o instalador.
O Slackware não inclui nenhum assistente ou particionador gráfico, o que lhe obriga a fazer as alterações utilizando diretamente o cfdisk, que (fora o fdisk) é o único particionado incluído. Ele é um particionador bastante simples, em modo texto, com uma interface bastante similar à do fdisk do Windows 95/98 e de outros programas de particionamento da velha guarda. Quem é das antigas, acaba se sentindo bastante confortável com ele, já que embora simples, o cfdisk é bastante robusto e confiável.
O grande problema é que ele se limita a criar as partições, sem oferecer opções de redimensionamento ou reparação. Se você está na clássica situação de precisar redimensionar a partição do Windows para instalar o sistema em dual-boot, você pode dar boot usando um CD de outra distribuição, de forma a usar o particionador. Uma boa opção nesse caso é o Gparted Live, um live-CD de apenas 98 MB, destinado unicamente a rodar o Gparted e assim oferecer uma ferramenta simples de particionamento do HD. Você pode baixá-lo no: http://gparted.sourceforge.net/download.php
Para abrir o cfdisk, basta chamá-lo pelo nome, especificando o dispositivo do HD que será particionado, como em:
# cfdisk /dev/sda
Geralmente também funciona se você usar apenas “cfdisk”, sem especificar o dispositivo, já que ele abrirá o primeiro dispositivo que encontrar (/dev/hda ou /dev/sda), mas isso abre margem para enganos em situações em que você tem mais de um HD, ou onde o drive de CD/DVD está instalado como master na primeira porta IDE. Outra dica é que você pode listar os HDs e partições que foram detectados pelo sistema usando o comando “cat /proc/partitions“.
Dentro da interface do cfdisk, use as setas para cima e para baixo para selecionar uma partição ou trecho de espaço livre, as setas para a direita e esquerda para navegar entre as opções e a tecla Enter para selecionar.
Como em outras distribuições, você precisa de no mínimo uma partição Linux e uma partição Linux swap. Outra recomendação é que você use, sempre que possível, uma partição separada para o diretório home, usando-a para separar seus arquivos pessoais dos arquivos do sistema. Fazendo isso, os diretórios home de todos os usuários (”/home/tux”, “/home/gdh”, etc.) serão gravados dentro desta partição separada, ao invés de irem parar na partição principal. Como no Linux todas as configurações e arquivos referentes a cada usuário são armazenados dentro do home, essa divisão facilita bastante as coisas na hora de reinstalar o sistema ou migrar para outra distribuição, já que você pode formatar a partição do sistema, mantendo a partição home intacta.

Ao deletar uma partição antiga você seleciona o trecho de espaço livre e acessa a opção Create para criar uma partição Linux para a instalação do sistema. Para criar a partição swap, você repete o procedimento, criando uma segunda partição Linux, mas em seguida você acessa a opção Type e pressiona Enter duas vezes para que o cfdisk a transforme em uma partição swap. Criadas as duas partições, é só salvar e sair.
Depois de sair do cfdisk, chame o script de instalação, usando o comando “setup“.
O processo de instalação do Slackware, assim como o de qualquer outra distribuição, segue um processo bastante simples, que consiste em coletar informações sobre as partições que serão utilizadas, as configurações desejadas e os pacotes que serão instalados, copiar os arquivos do sistema para a partição de instalação e gerar os arquivos de configuração necessário, de foma que o sistema possa funcionar sozinho depois de concluída a instalação.
Presumindo que você já tenha definido o layout do teclado na etapa inicial, a próximo passo é especificar as partições de instalação, começando a instalação pela terceira opção, “Addswap”:

A partição swap é detectada automaticamente, desde que você tenha realmente criado uma anteriormente. Em seguida o instalador pergunta qual será a partição raiz (/), ou seja, em qual partição o sistema será instalado. Se você tiver apenas uma partição Linux, ela fica pré-selecionada, caso contrário você pode escolher qual usar na lista.
Em seguida você pode definir pontos de montagem para as demais partições do HD, incluindo a partição home (caso usada) e partições usadas pelo Windows ou outra distribuição Linux instalada em dual-boot. Ao selecionar a partição na lista, o instalador pergunta em qual diretório ela deve ser montada e, em seguida, se a partição deve ser formatada, ou se ela deve simplesmente ficar acessível, sem alterações:

Ao usar uma partição home separada, basta indicá-la na lista e definir o ponto de montagem “/home” para ela. Se você criou a partição no início da instalação, não se esqueça de formatá-la, já que o cfdisk apenas cria as partições, deixando a formatação a cargo do instalador.
Ao formatar cada partição, o instalador oferece a opção de fazer um exame de superfície, em busca de setores defeituosos (opção “Check”). Esta é na verdade uma opção obsoleta, que é necessária apenas em HDs antigos. Nos atuais (praticamente qualquer HD com a partir de 4 GB), o exame de superfície é desnecessário, pois a controladora é capaz de marcar os setores defeituosos automaticamente, monitorando os erros de leitura.
O instalador continua repetindo o processo até você selecionar a opção “Continue” na tela principal.
Em seguida, o instalador pergunta sobre a mídia de instalação. Normalmente, basta manter a opção padrão “Install from a Slackware CD or DVD” e, em seguida a opção “auto” pra que ele localize o drive sozinho, mas, o instalador também suporta instalar a partir de uma partição do HD, para onde tenham sido copiados os arquivos dos CDs de instalação, ou mesmo via rede, o que pode ser útil em casos em que você tem apenas o primeiro CD (ou está instalando a partir de um pendrive) e quer que o instalador busque os demais pacotes em um compartilhamento de rede.
Antigamente, era possível instalar o Slackware através de disquetes, o que naturalmente não é mais possível hoje em dia, devido ao tamanho do Kernel e de muitos pacotes. Em vez deles, a mídia alternativa de instalação para máquinas sem CD-ROM passou a ser o pendrive. A grande maioria das placas-mãe atuais suportam o boot através da porta USB, o que permite que os pendrives substituam os antiquados disquetes com diversas vantagens. Com a popularização de máquinas sem drive de CD/DVD, como no caso dos Netbooks, instalar o sistema usando um pendrive tem se tornado uma opção cada vez mais comum.
Continuando, temos a seleção dos pacotes, que é feita em duas etapas. Primeiro você escolhe as categorias que serão instaladas e depois escolhe a forma como quer selecionar os pacotes dentro de cada categoria.

Essa divisão surgiu nas primeiras versões do Slackware, quando o sistema ainda era instalado através de disquetes. Naquela época, cada categoria cabia em um disquete, de forma que ao copiar o sistema você precisava gravar apenas os disquetes das categorias que pretendia instalar. De lá pra cá, muita coisa mudou, mas divisão em categorias persiste como o meio de definir rapidamente o que deve ser instalado.
Depois de marcar as categorias, você tem a chance de escolher os pacotes disponíveis dentro de cada um. Se você tiver um HD grande e não se importar em sacrificar um pouco de espaço, você pode simplesmente manter os pacotes padrão e adicionar mais algumas coisas específicas de que precise.
Fazer uma instalação mais parruda do Slackware, não faz muita diferença do ponto de desempenho, pois mesmo instalados, os vários servidos e servidores podem ser desabilitados no final da instalação. Ou seja, só ocuparão um pouco mais de espaço em disco. Além de não ter a preocupação de ter de ficar imaginando quais pacotes você precisa ou não (acredite, nem quem trabalha diariamente com Linux conhece a função de todos os pacotes incluídos numa distribuição atual), você vai ter uma facilidade muito maior em usar o sistema e, principalmente, instalar novos programas, já que todas as bibliotecas e outros componentes eventualmente necessários já estarão à mão.

A opção “Full” é a mais rápida, você simplesmente instala quase todos os pacotes dentro das categorias marcadas, mantendo a configuração default do sistema. A opção “Expert” é o oposto, ela exibe a descrição de cada pacote e vai perguntando (um por um!) se o pacote em questão deve ser instalado ou não. Ela torna a instalação um processo muito mais demorado e propenso a erro (já que a ausência de um sistema de verificação de dependências faz com que o instalador não se manifesta nem mesmo se você desmarcar um pacote essencial, como o Kernel), o que faz com que ela seja raramente usada.
A opção “Menu” é a ideal para fazer um ajuste fino, pois você poderá escolher quais pacotes instalar dentro de cada categoria através de um sistema de menus. A opção “Newbie” por sua vez é uma versão simplificada da opção Expert. Ela instala a maior parte dos pacotes automaticamente (dentro das categorias marcadas), mas pergunta sobre pacotes considerados opcionais, exibindo a descrição de cada um. Se você lê Inglês, esta opção é interessante para aprender um pouco mais sobre os pacotes que compõe o sistema.
Isto conclui a parte inicial da instalação. Durante a cópia dos arquivos, são exibidas as descrições de todos os pacotes, conforme eles são instalados. Na época dos 486, a instalação demorava muito mais e realmente dava tempo de ler todas as descrições, o que acabava sendo um bom passatempo, mas hoje em dia tudo acontece muito mais rápido :).
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