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Mini-review do Satux

outubro 9, 2008 – 7:22 pm

O Satux (http://www.satux.org.br/) é uma distribuição baseada no Debian Etch, que é desenvolvida por técnicos do Instituto de Tecnologia JRSC, aparentemente com o apoio de alguns integradores. Ele vem pré-instalado em alguns PCs e notebooks da CCE e de alguns outros fabricantes.

Aproveitando que um deles passou pelas minhas mãos, aqui estão algumas impressões sobre a distribuição, escritas com base na versão 1.6, que veio pré-instalada em um T31, que é um modelo básico (sem webcam), que utiliza um chipset 671MX, com uma placa wireless Realtek RTL8187B (ligada no barramento USB) e um modem discado Motorola SM56.

A equipe do Satux fez um bom trabalho em configurar o sistema para a máquina, deixando todo o hardware pré-configurado, incluindo o modem, a placa wireless (ativada através do ndiswrapper) e o leitor de cartões. O sistema também já vem pré-configurado com o suporte a flash no Firefox e um conjunto de codecs, diferente de muitos dos PCs vendidos na época do início do programa do PC Popular, que vinham com instalações completamente desconfiguradas.

Essencialmente, um usuário mediano que comprasse o notebook na loja e levasse para casa, não teria grandes problemas para fazer tarefas básicas, como configurar a rede wireless, imprimir ou assistir vídeos do YouTube, provavelmente com bem menos dificuldades que teria ao usar o Xandros que vem pré-instalado no Eee, por exemplo.

Entrando nos méritos técnicos, o Satux é baseado no Debian Etch, o que tem seus pontos positivos e negativos. O Etch é um sistema bastante estável, porém já está bastante desatualizado em relação a outras distribuições. Ele é mais adequado para os usuários mais conservadores, que querem um PC para trabalho ou para acesso à web do que para quem quer testar as novas versões de todos os aplicativos.

Um bom exemplo é o Firefox 2.0.4 que vem pré-instalado. É até possível rodar o Firefox 3.0 disponível no mozilla.org, mas isso demanda uma atualização do xulrunner, que por sua vez demanda diversas outras atualizações em cascata. Em vez de usarem alguma gambiarra para resolver o problema imediato, os desenvolvedores mantiveram o sangue frio e optaram por simplesmente manter a versão compatível com os pacotes do Etch.

Em vez de utilizarem os repositórios padrão do Debian, optaram por criar um repositório separado, que é periodicamente sincronizado em relação ao Debian. Essa abordagem torna a disponibilização de atualizações e correções de segurança mais lenta, mas por outro lado tem a vantagem de permitir que as atualizações sejam testadas antes de serem disponibilizadas.

O arquivo /etc/apt/sources.list originalmente contém:

deb http://repos.satux.org.br/satux-linux etch main contrib non-free
deb http://repos.satux.org.br/satux-security etch/updates main contrib non-free

Para passar a utilizar os repositórios do Debian, é necessário apenas comentar as duas entradas, substituindo pela lista de repositórios do Debian, como em:

#deb http://repos.satux.org.br/satux-linux etch main contrib non-free

#deb http://repos.satux.org.br/satux-security etch/updates main contrib non-free

deb http://ftp.debian.org/debian etch main contrib non-free

deb http://security.debian.org etch/updates main contrib

# Backports (apt-get install -t etch-backports pacote)

deb http://www.backports.org/debian etch-backports main contrib non-free

# Debian Unofficial (contém o java, acrobat e outros pacotes “não livres”)

deb http://ftp.debian-unofficial.org/debian etch main contrib non-free restricted

# Debian Multimedia (pacotes do mplayer, vários codecs e outros pacotes)

deb http://www.debian-multimedia.org etch main

Depois de rodar o “apt-get update”, você vai precisar também adicionar as chaves PGP dos repositórios. Aqui vai um mini-script para adicionar as três chaves usadas pelos repositórios do exemplo:

for i in 24C52AC3 1F41B907 16BA136C; do

gpg --keyserver pgpkeys.mit.edu --recv-key $i
gpg -a --export $i | sudo apt-key add -

done

A partir daí, você pode rodar o “apt-get upgrade” e seguir utilizando os pacotes do Debian diretamente. É possível também migrar para os repositórios do Lenny, seguindo os mesmos passos que seriam usados em qualquer outra instalação do Debian.

Voltando ao Satux, a configuração do sistema é centrada no uso dos aplicativos do pacote gnome-system-tools, ou seja, o mesmo conjunto básico de utilitários utilizados no Ubuntu e em outras distribuições baseadas no Gnome, porém com menos opções, devido ao uso dos pacotes do Debian Etch, cujas versões já estão bastante defasadas em relação a outras distribuições. O bom gosto do tema padrão também é contestável, mas ele pode ser personalizado a gosto, como qualquer instalação do Gnome.

O iniciar não inclui nenhum atalho para a abertura do terminal, você precisa criá-lo manualmente, ou abrir usando o Alt+F2. A senha de root padrão também não é informada em nenhum lugar, mas você pode se logar como root usando um “sudo su” ou “sudo passwd”.

A idéia do sistema é facilitar o uso para usuários iniciantes, mas isso é demonstrado de uma forma um pouco superficial, com ênfase na personalização visual, com o objetivo de tornar a interface mais similar à do Windows e não com a inclusão de mais aplicativos ou ferramentas de configuração. Isso cria o típico problema de falta de profundidade encontrado em outras distribuições, onde o usuário não tem muitas dificuldades a princípio (já que as funções básicas são fáceis de encontrar nos menus), mas fica travado quando precisa de qualquer recurso adicional que foge das funções básicas disponíveis no menu.

O grande mérito, por outro lado, é oferecer uma instalação utilizável do Debian Etch, já pré-configurada para os equipamentos onde ele vem pré-instalado, que você pode personalizar e alterar a gosto, instalando outros softwares desejados através do apt-get. Isso reduz a necessidade de correr para instalar outra distribuição, como em tantos outros exemplos que temos por aí.

Slackware: Baixando e instalando

outubro 8, 2008 – 2:49 pm

Inesperadamente, o artigo de ontem sobre o Slackware acabou atraindo um volume inédito de comentários, a maioria deles positivos. Por estranho que possa parecer, o Slackware ainda possui um número relativamente grande de usuários, que são atraídos justamente pela simplicidade do sistema, que caminha na contramão das demais distribuições, oferecendo um sistema Linux para quem é da época em que homens eram homems e crimpavam seus próprios cabos de rede.

Aproveitando o interesse, vou publicar a partir de hoje uma série de dicas sobre o Slackware, assim como fiz anteriormente com o Mandriva e o OpenSUSE, começando pelo arroz com feijão, ou seja, a velha e manjada explicação de como baixar e instalar o sistema:

O modo mais prático de instalar o Slack é dando boot pelo CD-ROM, assim como em outras distribuições. Apesar do instalador do Slackware ser em modo texto, as opções são razoavelmente simples.

O primeiro passo é baixar os CDs de instalação no http://slackware.com/getslack/, onde estão listados os vários mirrors disponíveis. Alguns sempre estão lotados, mas bastam algumas poucas tentativas para encontrar um rápido e atualizado. O mirror primário para o Brasil é o ftp://ftp.slackware-brasil.com.br/.

Dentro de cada mirror temos os pacotes inicialmente divididos por versão. Para cada uma existem duas pastas, como em “Slackware-12.1″ e “Slackware-12.1-iso”, sendo que a primeira contém os pacotes avulsos e a segunda contém as imagens dos CDs de instalação, que é o que estamos procurando. Em alguns dos mirrors, você encontrará também versões antigas, que podem ser úteis em micros antigos. A pasta “slackware-current” contém a versão de desenvolvimento do Slackware, onde você poderá encontrar as versões mais atualizadas dos pacotes, mas sem garantia de estabilidade.

O Slackware é composto por nada menos do que 6 CDs, mas na verdade você precisa apenas dos três primeiros, já que os outros três contém o código fonte de todos os pacotes. O primeiro CD contém os pacotes básicos do sistema, o segundo contém os pacotes do X e a maior parte dos programas gráficos enquanto o terceiro contém os pacotes de internacionalização. Como de praxe, está disponível também um DVD, que agrupa o conteúdo de todos os CDs, incluindo o código fonte.

Ao dar boot com o CD ou DVD de instalação, a primeira pergunta é sobre os parâmetros de boot, onde você pode adicionar opções destinadas a solucionar problemas, como o tradicional “apci=off” ou o “noapic”. Estas opções são na realidade interpretadas diretamente pelo Kernel, permitindo alterar seu comportamento ou desativar recursos que estejam criando problemas na sua máquina.

No caso do Slackware 12.1, a principal observação é que estão disponíveis duas versões diferentes do Kernel, um para máquinas atuais e outro para máquinas muito antigas, anteriores ao Pentium Pro. Se você por acaso estiver tentando instalar o sistema em um Pentium 1 ou em um Pentium MMX, use a opção “huge.s” para que seja usado o Kernel para máquinas antigas, caso contrário simplesmente pressionem Enter para que seja usado o “hugesmp.s”, que é a versão para máquinas atuais, incluindo suporte a processadores dual-core e outros recursos:

A pergunta seguinte é sobre o layout do teclado, que no nosso caso é o “qwerty/br-abnt2.map”. O instalador pede para você pressionar “1″ para acessar o menu de seleção e depois confirme pressionando novamente “1″.

Em outras distribuições, o layout é definido automaticamente de acordo com a indicação do país ou da língua (no Ubuntu, ao escolher o Português do Brasil, por exemplo, o sistema presume que você está usando um teclado ABNT2). O Slackware, por sua vez, ainda utiliza um sistema primitivo, onde onde tudo é especificado separadamente. Tanto faz definir o layout logo no início do boot ou durante a instalação, pois a função usada é a mesma.

Depois deste pequeno aquecimento, você cai na tela inicial, onde você vê a mensagem “You may now login as ‘root’. Onde, seguindo as instruções, você se loga como root, (sem senha) e cai num prompt inicial de comando, de onde pode chamar o instalador.

O Slackware não inclui nenhum assistente ou particionador gráfico, o que lhe obriga a fazer as alterações utilizando diretamente o cfdisk, que (fora o fdisk) é o único particionado incluído. Ele é um particionador bastante simples, em modo texto, com uma interface bastante similar à do fdisk do Windows 95/98 e de outros programas de particionamento da velha guarda. Quem é das antigas, acaba se sentindo bastante confortável com ele, já que embora simples, o cfdisk é bastante robusto e confiável.

O grande problema é que ele se limita a criar as partições, sem oferecer opções de redimensionamento ou reparação. Se você está na clássica situação de precisar redimensionar a partição do Windows para instalar o sistema em dual-boot, você pode dar boot usando um CD de outra distribuição, de forma a usar o particionador. Uma boa opção nesse caso é o Gparted Live, um live-CD de apenas 98 MB, destinado unicamente a rodar o Gparted e assim oferecer uma ferramenta simples de particionamento do HD. Você pode baixá-lo no: http://gparted.sourceforge.net/download.php

Para abrir o cfdisk, basta chamá-lo pelo nome, especificando o dispositivo do HD que será particionado, como em:

# cfdisk /dev/sda

Geralmente também funciona se você usar apenas “cfdisk”, sem especificar o dispositivo, já que ele abrirá o primeiro dispositivo que encontrar (/dev/hda ou /dev/sda), mas isso abre margem para enganos em situações em que você tem mais de um HD, ou onde o drive de CD/DVD está instalado como master na primeira porta IDE. Outra dica é que você pode listar os HDs e partições que foram detectados pelo sistema usando o comando “cat /proc/partitions“.

Dentro da interface do cfdisk, use as setas para cima e para baixo para selecionar uma partição ou trecho de espaço livre, as setas para a direita e esquerda para navegar entre as opções e a tecla Enter para selecionar.

Como em outras distribuições, você precisa de no mínimo uma partição Linux e uma partição Linux swap. Outra recomendação é que você use, sempre que possível, uma partição separada para o diretório home, usando-a para separar seus arquivos pessoais dos arquivos do sistema. Fazendo isso, os diretórios home de todos os usuários (”/home/tux”, “/home/gdh”, etc.) serão gravados dentro desta partição separada, ao invés de irem parar na partição principal. Como no Linux todas as configurações e arquivos referentes a cada usuário são armazenados dentro do home, essa divisão facilita bastante as coisas na hora de reinstalar o sistema ou migrar para outra distribuição, já que você pode formatar a partição do sistema, mantendo a partição home intacta.

Ao deletar uma partição antiga você seleciona o trecho de espaço livre e acessa a opção Create para criar uma partição Linux para a instalação do sistema. Para criar a partição swap, você repete o procedimento, criando uma segunda partição Linux, mas em seguida você acessa a opção Type e pressiona Enter duas vezes para que o cfdisk a transforme em uma partição swap. Criadas as duas partições, é só salvar e sair.

Depois de sair do cfdisk, chame o script de instalação, usando o comando “setup“.

O processo de instalação do Slackware, assim como o de qualquer outra distribuição, segue um processo bastante simples, que consiste em coletar informações sobre as partições que serão utilizadas, as configurações desejadas e os pacotes que serão instalados, copiar os arquivos do sistema para a partição de instalação e gerar os arquivos de configuração necessário, de foma que o sistema possa funcionar sozinho depois de concluída a instalação.

Presumindo que você já tenha definido o layout do teclado na etapa inicial, a próximo passo é especificar as partições de instalação, começando a instalação pela terceira opção, “Addswap”:

A partição swap é detectada automaticamente, desde que você tenha realmente criado uma anteriormente. Em seguida o instalador pergunta qual será a partição raiz (/), ou seja, em qual partição o sistema será instalado. Se você tiver apenas uma partição Linux, ela fica pré-selecionada, caso contrário você pode escolher qual usar na lista.

Em seguida você pode definir pontos de montagem para as demais partições do HD, incluindo a partição home (caso usada) e partições usadas pelo Windows ou outra distribuição Linux instalada em dual-boot. Ao selecionar a partição na lista, o instalador pergunta em qual diretório ela deve ser montada e, em seguida, se a partição deve ser formatada, ou se ela deve simplesmente ficar acessível, sem alterações:

Ao usar uma partição home separada, basta indicá-la na lista e definir o ponto de montagem “/home” para ela. Se você criou a partição no início da instalação, não se esqueça de formatá-la, já que o cfdisk apenas cria as partições, deixando a formatação a cargo do instalador.

Ao formatar cada partição, o instalador oferece a opção de fazer um exame de superfície, em busca de setores defeituosos (opção “Check”). Esta é na verdade uma opção obsoleta, que é necessária apenas em HDs antigos. Nos atuais (praticamente qualquer HD com a partir de 4 GB), o exame de superfície é desnecessário, pois a controladora é capaz de marcar os setores defeituosos automaticamente, monitorando os erros de leitura.

O instalador continua repetindo o processo até você selecionar a opção “Continue” na tela principal.

Em seguida, o instalador pergunta sobre a mídia de instalação. Normalmente, basta manter a opção padrão “Install from a Slackware CD or DVD” e, em seguida a opção “auto” pra que ele localize o drive sozinho, mas, o instalador também suporta instalar a partir de uma partição do HD, para onde tenham sido copiados os arquivos dos CDs de instalação, ou mesmo via rede, o que pode ser útil em casos em que você tem apenas o primeiro CD (ou está instalando a partir de um pendrive) e quer que o instalador busque os demais pacotes em um compartilhamento de rede.

Antigamente, era possível instalar o Slackware através de disquetes, o que naturalmente não é mais possível hoje em dia, devido ao tamanho do Kernel e de muitos pacotes. Em vez deles, a mídia alternativa de instalação para máquinas sem CD-ROM passou a ser o pendrive. A grande maioria das placas-mãe atuais suportam o boot através da porta USB, o que permite que os pendrives substituam os antiquados disquetes com diversas vantagens. Com a popularização de máquinas sem drive de CD/DVD, como no caso dos Netbooks, instalar o sistema usando um pendrive tem se tornado uma opção cada vez mais comum.

Continuando, temos a seleção dos pacotes, que é feita em duas etapas. Primeiro você escolhe as categorias que serão instaladas e depois escolhe a forma como quer selecionar os pacotes dentro de cada categoria.

Essa divisão surgiu nas primeiras versões do Slackware, quando o sistema ainda era instalado através de disquetes. Naquela época, cada categoria cabia em um disquete, de forma que ao copiar o sistema você precisava gravar apenas os disquetes das categorias que pretendia instalar. De lá pra cá, muita coisa mudou, mas divisão em categorias persiste como o meio de definir rapidamente o que deve ser instalado.

Depois de marcar as categorias, você tem a chance de escolher os pacotes disponíveis dentro de cada um. Se você tiver um HD grande e não se importar em sacrificar um pouco de espaço, você pode simplesmente manter os pacotes padrão e adicionar mais algumas coisas específicas de que precise.

Fazer uma instalação mais parruda do Slackware, não faz muita diferença do ponto de desempenho, pois mesmo instalados, os vários servidos e servidores podem ser desabilitados no final da instalação. Ou seja, só ocuparão um pouco mais de espaço em disco. Além de não ter a preocupação de ter de ficar imaginando quais pacotes você precisa ou não (acredite, nem quem trabalha diariamente com Linux conhece a função de todos os pacotes incluídos numa distribuição atual), você vai ter uma facilidade muito maior em usar o sistema e, principalmente, instalar novos programas, já que todas as bibliotecas e outros componentes eventualmente necessários já estarão à mão.

A opção “Full” é a mais rápida, você simplesmente instala quase todos os pacotes dentro das categorias marcadas, mantendo a configuração default do sistema. A opção “Expert” é o oposto, ela exibe a descrição de cada pacote e vai perguntando (um por um!) se o pacote em questão deve ser instalado ou não. Ela torna a instalação um processo muito mais demorado e propenso a erro (já que a ausência de um sistema de verificação de dependências faz com que o instalador não se manifesta nem mesmo se você desmarcar um pacote essencial, como o Kernel), o que faz com que ela seja raramente usada.

A opção “Menu” é a ideal para fazer um ajuste fino, pois você poderá escolher quais pacotes instalar dentro de cada categoria através de um sistema de menus. A opção “Newbie” por sua vez é uma versão simplificada da opção Expert. Ela instala a maior parte dos pacotes automaticamente (dentro das categorias marcadas), mas pergunta sobre pacotes considerados opcionais, exibindo a descrição de cada um. Se você lê Inglês, esta opção é interessante para aprender um pouco mais sobre os pacotes que compõe o sistema.

Isto conclui a parte inicial da instalação. Durante a cópia dos arquivos, são exibidas as descrições de todos os pacotes, conforme eles são instalados. Na época dos 486, a instalação demorava muito mais e realmente dava tempo de ler todas as descrições, o que acabava sendo um bom passatempo, mas hoje em dia tudo acontece muito mais rápido :).

Baterias: Li-ion e células de combustível

outubro 7, 2008 – 7:48 pm

As baterias Li-ion são o padrão atual. Elas são de longe mais complexas e temperamentais que as Ni-Cad e Ni-MH usandos antigamente, mas, em compensação, possuem uma densidade energética de duas a três vezes maior que as baterias Ni-MH (considerando duas baterias do mesmo peso), variando de acordo com a técnica de fabricação utilizada. Outra vantagem é que elas não possuem efeito memória. Pelo contrário, descarregar a bateria completamente antes de carregar acaba servindo apenas para desperdiçar um ciclo de carga/descarga, tendo um efeito oposto do esperado.

As baterias Li-Ion são uma tecnologia relativamente recente. Os primeiros testes foram feitos na década de 70, utilizando o lítio na forma de metal, com resultados quase sempre catastróficos. O lítio é um material muito instável e por isso as baterias explodiam, destruindo os equipamentos e até ferindo os operadores. Durante a década de 80, as pesquisas se concentraram no uso de íons de lítio, uma forma bem mais estável. Em 1991 a Sony lançou as primeiras baterias comercias.

Com o passar do tempo, os materiais e as técnicas de fabricação evoluíram muito, tornando as baterias mais seguras, mas alguns acidentes ainda acontecem, já que as células podem vazar ou explodir se aquecidas a temperaturas superiores a 60 graus, ou caso sejam carregadas além de seu limite energético.

Para tornar as baterias confiáveis, todas as baterias Li-Ion usadas comercialmente possuem algum tipo de circuito inteligente, que monitora a carga da bateria. Ele interrompe o carregamento quando a bateria atinge uma tensão limite e interrompe o fornecimento quando a bateria está quase descarregada, a fim de evitar o descarregamento completo.

Outro problema é que as baterias Li-ion “envelhecem” rapidamente, mesmo que não sejam usadas, pois o lítio é um metal extremamente instável, que reage com outros elementos. As baterias da década de 1990 normalmente duravam menos de 3 anos, quer a bateria fosse utilizada ou não. Depois do primeiro ano acontecia uma queda de 5 a 20% na autonomia (dependendo das condições de armazenamento da bateria), no final do segundo ano a bateria segurava apenas metade da carga e no final do terceiro não segurava mais carga alguma. As baterias suportavam em torno de apenas 300 ciclos de carga e descarga, de forma que uma bateria muito exigida chegava a durar apenas alguns meses.

Com melhorias nas ligas e processos de fabricação utilizados, a durabilidade das baterias aumentou. Não é incomum que uma bateria Li-ion atual, conservada adequadamente, dure 4 ou 5 anos e suporte 500 ciclos de recarga ou mais. Apesar disso, os problemas fundamentais continuam.

Uma tecnologia que pode eventualmente substituir as baterias ao longo das próximas décadas são as células de combustível, que já são utilizadas em protótipos.

As células de combustível produzem energia a partir da reação do hidrogênio com o oxigênio do ar, gerando apenas água, eletricidade e calor como subprodutos. A tecnologia de célula de combustível mais promissora para uso em portáteis é a DMFC (Direct Methanol Fuel Cell), onde é utilizado metanol (um tipo de álcool combustível, produzido a partir do gás natural).

O metanol é, neste caso, utilizado como um meio de armazenamento do hidrogênio, o que permite a construção de células muito mais compactas do que seria se fosse utilizado hidrogênio pressurizado. Ao invés de queimar o combustível, como faria um motor de combustão, a célula de combustível combina o hidrogênio do metanol com oxigênio do ar, um processo bem mais seguro.

Desde 2003, a NEC, IBM, Toshiba e outros fabricantes vêm demonstrando diversos protótipos de células de combustível destinadas a notebooks e palmtops. Na maioria dos casos, as células de combustível são utilizadas como uma bateria secundária, utilizada apenas quando a bateria interna se esgota.

Existem dois tipos de células de combustível. As menores trabalham de forma “passiva”, onde o combustível flui de forma natural dentro da célula. As para notebooks utilizam um sistema “ativo”, onde uma bomba força o metanol e o ar dentro da célula e um exaustor resfria a célula, evitando que ela superaqueça. As células ativas produzem muito mais energia, mas em compensação são muito maiores.

De qualquer forma, o principal atrativo das células de combustível é a boa autonomia, combinada com a rapidez da recarga. Ao invés de precisar ligar o aparelho no carregador, basta encher o reservatório periodicamente, de forma que, levando metanol suficiente, você poderia manter o notebook ligado continuamente por semanas em algum local remoto, sem eletricidade. A vida útil das células atuais é estimada em 3.000 horas de uso, mas ela tente a aumentar nas próximas gerações.

Apesar disso, o futuro das células de combustível nos portáteis ainda é incerto. Atualmente, elas são muito mais caras que as baterias, o que elimina qualquer vantagem relacionada ao custo. Elas também são grandes, de forma que é mais simples utilizar uma bateria de maior capacidade quando o problema é aumentar a autonomia. De 2005 para cá, diversos fabricantes tem anunciado baterias Li-ion de carga ultra-rápida, que podem ser recarregadas em até 1 minuto (como num protótipo demonstrado pela Toshiba em 2005: http://www.dpreview.com/news/0503/05032903tosh1minbatt.asp). Esta nova geração de baterias elimina outro atrativo das células de combustível, que é a rapidez da recarga.

Outro fator, crucial para o sucesso ou fracasso das células de combustível é o custo das recargas. Embora você pague pela eletricidade, a quantidade de energia gasta para recarregar as baterias é pequena, de forma que o ato de carregar a bateria do notebook ou do smartphone é visto como algo gratuito, onde você tem apenas o trabalho de ligá-lo na tomada. No caso das células de combustível, por outro lado, é necessário comprar algum tipo de refil contendo o metanol ou etanol usado pelas células e é aí que reside a grande incógnita. Se você puder simplesmente comprar o combustível a litro, como fazemos com o álcool de cozinha, muito provavelmente ninguém se importará muito com o custo adicional e as células tenderão a fazer sucesso. Se, por outro, os fabricantes insistirem em vender cartuchos de refil a preços salgados, vão criar aversão e fazer com que as células passam a ser vistas como algo indesejado.

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Um lugar para o Slackware

outubro 7, 2008 – 7:12 am

As distribuições Linux são um bom exemplo de ação da lei de seleção natural. Novas distribuições surgem praticamente a cada dia, mas poucas continuam ativas por mais do que alguns meses. O motivo é bastante simples: qualquer um com conhecimentos técnicos suficientes pode criar uma nova distribuição, tomando como base alguma distribuição já existente. Entretanto, apenas as que conseguem reunir um grupo suficientemente grande de usuários e desenvolvedores conseguem sobreviver a longo prazo.

Conforme o Linux passou a ser usado por cada vez mais pessoas e a atingir usuários com cada vez menos conhecimentos técnicos, as distribuições foram se tornando também cada vez mais fáceis de usar, atendendo ao público que quer apenas usar o micro, sem perder tempo configurando o sistema ou resolvendo problemas. Desde que não exista nenhuma incompatibilidade com o hardware da máquina, ou algum outro imprevisto, muitos distribuições praticamente se instalam sozinhas.

Entretanto, se você está interessado em se aprofundar e entender como o sistema funciona por baixo da superfície, este nível de automatização acaba sendo um obstáculo. É nesse ponto que chegamos ao Slackware que, justamente por ser uma das distribuições mais espartanas, abre brecha para falar sobre muitos detalhes que passariam despercebidos por uma distribuição mais automatizada.

À primeira vista, o Slackware parece ser um sistema extremamente complicado. Ele é uma das poucas distribuições Linux que ainda não possuem instalador gráfico e toda a configuração do sistema é feita manualmente, com a ajuda de alguns poucos scripts simples de configuração. Entretanto, o Slackware oferece um estrutura de arquivos de configuração e de pacotes muito mais simples que outras distribuições, o que o torna uma distribuição ideal para entender mais profundamente como o sistema funciona.

>Se as distribuições fossem carros, o Slackware seria o Fusca. Ele não possui nenhum dos confortos encontrados em outros carros atuais, mas em compensação possui uma mecânica extremamente simples, o que também o torna fácil de modificar e de consertar. É justamente por isso que o Slackware possui tantos fans, apesar da idade avançada. Ele é complicado na superfície, porém simples e confiável no interior.

Ele é também uma distribuição interessante para uso em PCs com poucos recursos, já que usa configurações bastante otimizadas na compilação dos pacotes e mantém poucos serviços ativados por padrão. Ele é uma das poucas distribuições que ainda podem ser utilizadas sem grandes percalços em micros com apenas 128 MB de memória RAM.

O Slackware é o exemplo mais proeminente de “distribuição de um homem só”. Ele foi desenvolvido desde o início por uma única pessoa, Patrick Volkerding, que esporadicamente conta coma ajuda de outros desenvolvedores. Ele se encarrega de testar e incluir novos pacotes, aperfeiçoar o instalador e outras ferramentas e, periodicamente, lança uma nova versão incluindo todo o trabalho feito até então.

A primeira versão foi disponibilizada em julho de 1993 (época em que a instalação era ainda feita usando disquetes) e novas versões vem sendo lançadas uma ou duas vezes por ano desde então. A versão 11.0 foi lançada em outubro de 2006, a 12.0 foi lançada em julho de 2007 e a 12.1 (a mais atual enquanto escrevo) foi disponibilizada em maio de 2008. Uma curiosidade dentro da história do Slackware é que as versões 5 e 6 não existiram, já que a numeração pulou do 4.0 (lançado em maio de 1999) para o 7.0 (outubro de 1999), para acompanhar os números de versão usados no Red Hat Desktop (que era na época a distribuição mais popular), evitando assim que o Slackware parecesse desatualizado.

Embora tenha uma estrutura interna relativamente simples, o Slackware intencionalmente conta com poucas ferramentas de configuração e por isso é considerado uma das distribuições mais difíceis, já que quase tudo, desde as configurações mais básicas precisam ser feitas manualmente. Ao contrário da maioria das distribuições atuais, o foco do desenvolvimento é manter o sistema fiel às suas raízes, ao invés de tentar facilitar o uso automatizando funções. Mesmo a inclusão do suporte ao hal, um recurso utilizado pelo KDE (e também pelo Gnome) para detectar a inserção de pendrives e outros dispositivos removíveis foi intencionalmente postergado durante várias versões.

Em termos de configuração e detecção de componentes, o Slackware é uma espécie de denominador comum entre as distribuições: ele inclui apenas as ferramentas mais básicas, o que permite que você trace uma linha imaginária entre o que é detectado pelos serviços padrão do sistema e o que é automatizado por ferramentas específicas incluídas em outras distribuições.

Ao contrário do que se costuma ouvir, a instalação do Slackware pode ser tão simples quanto a do que a do Mandriva ou Fedora, o problema é justamente o que fazer depois da instalação. Quase nada é automático: som, impressora, montagem das partições, tudo precisa ser configurado manualmente depois. O “Slack” no nome significa “preguiçoso” no sentido de que o software não fará muita coisa por você. A proposta da distribuição é justamente lhe proporcionar problemas, para que você possa aprender pesquisando soluções para eles. Esta acaba sendo a principal limitação, mas ao mesmo tempo o diferencial que mantém a distribuição relevante.

Baterias e transmissão de energia sem fios

outubro 6, 2008 – 4:29 pm

Embora o Wi-Fi e o Bluetooth tenham transformado as redes em redes wireless, ainda temos o problema da transmissão de energia. Seu notebook pode ficar conectado à rede wireless da sua casa continuamente, mas você ainda precisa ligá-lo na tomada a cada duas ou três horas para recarregar as baterias.

Existem tecnologias experimentais para a transmissão de energia sem o uso de fios a curtas distâncias, que podem vir a eliminar essa necessidade nos próximos anos. Uma delas, mais convencional, é baseada no uso de indução para carregar as baterias de dispositivos de baixo consumo, como celulares e palmtops. Um módulo receptor é instalado dentro do aparelho, permitindo que ele seja carregado simplesmente por ser deixado sobre uma base.

Essa tecnologia é comercializada pela SplashPower (splashpower.com) e é relativamente barata, de forma que pode vir a ser utilizada em um certo número de aparelhos a partir dos próximos anos. Entretanto, a funcionalidade é limitada, já que o aparelho precisa ficar sobre a base por algumas horas para ser carregado o que, na prática, não é muito diferente de usar um cradle, como no caso dos Palms.

A segunda tecnologia, mais esotérica, é baseada no uso de ressonância, utilizando o mesmo princípio que faz com que objetos vibrem ao receberem ondas em uma determinada freqüência. A idéia é utilizar duas bobinas de cobre, desenvolvidas para ressoarem à mesma freqüência. Dessa forma, é possível transmitir energia de uma bobina para a outra de forma relativamente eficiente, já que a energia é canalizada diretamente para a segunda bobina, ao invés de ser irradiada em todas as direções.

Esta tecnologia foi demostrada em junho de 2007 por pesquisadores do MIT, que utilizaram duas bobinas para transmitir energia suficiente para acender uma lâmpada de 60 watts a uma distância de 2 metros (http://web.mit.edu/isn/newsandevents/wireless_power.html):


Foto da equipe do MIT, entre as duas bobinas usadas no experimento

Teoricamente, seria possível transmitir energia a distâncias de até 5 metros, o que seria suficiente para que um notebook pudesse ficar continuamente ligado e recarregar as baterias enquanto estivesse dentro da mesma sala que o carregador. O problema é que atualmente as bobinas ainda são muito grandes e pesadas e a eficiência é baixa. Na demonstração, foram utilizadas boninas com 60 centímetros de diâmetro e a eficiência da transmissão foi de apenas 40% (ou seja, o sistema consumia 150 watts para transmitir 60 watts para a lâmpada). Ainda existe um longo caminho a percorrer até que sejam desenvolvidas bobinas pequenas e leves o suficiente a ponto de poderem ser usadas em um notebook.

Uma versão aprimorada dessa mesma tecnologia foi demonstrada pela Intel em agosto de 2008, durante uma apresentação no IDF. O sistema da Intel é capaz de transmitir 60 watts de energia a uma distância de 61 centímetros com uma eficiência de 75% (ou seja, o transmissor consome 80 watts para transmitir 60, o que é uma eficiência similar à maioria das fontes de alimentação usadas em PCs). Assim como o projeto demonstrado pela equipe do MIT, o sistema é relativamente simples, baseado no uso de duas bobinas de fios de cobre. O segredo não está em nenhum circuito eletrônico revolucionário, mas sim no formato e na composição das bobinas. Esta foto da equipe do Anandtech mostra o sistema:

Como pode ver, são usadas duas bobinas, uma maior, que transmite energia e outra menor que a recebe, enviando a corrente diretamente para uma lâmpada de 60 watts.

As bobinas ainda são grandes demais para serem usadas em portáteis, mas é provável que logo apareçam com uma versão reduzida do sistema que possa ser integrada em telas de notebooks e no corpo de aparelhos celulares. Note que embora grandes, mas bobinas são planas e feitas com fios relativamente finos, uma estrutura que lembra a de uma antena. Não seria difícil de imaginar que uma versão que transmitisse apenas 200 ou 300 miliwatts (suficientes para manter um smartphone funcionando) poderia ser bem pequena.

De qualquer forma, estas duas tecnologias são destinadas a substituírem os carregadores e eliminar a necessidade do uso de fios e não substituir as baterias, cujo uso só tende a aumentar. Elas (as baterias :) são tão onipresentes que seria difícil imaginar como seria o mundo sem elas.

Infelizmente, não existe nenhuma lei de Moore para baterias: elas não dobram de capacidade a cada 18 meses como os processadores. Os avanços na área das baterias são muito mais lentos e incrementais, de forma que qualquer nova tecnologia é comemorada.

Tudo começa com as baterias de chumbo ácido (lead acid), que são compostas por um conjunto de placas de chumbo e placas de dióxido de chumbo, mergulhadas numa solução de ácido sulfúrico e água. Dentro da bateria ocorre uma reação controlada, onde o ácido sulfúrico lentamente corrói as placas de chumbo, gerando sulfato de chumbo, água e elétrons livres como subproduto. É daí que surge a eletricidade fornecida pela bateria.

Quando a bateria é carregada, os elétrons são devolvidos, fazendo com que o sulfato de chumbo e a água transformem-se novamente em chumbo e ácido sulfúrico, devolvendo a bateria a seu estado original. Este é o tipo menos eficiente de bateria, com a pior relação peso/energia, mas em compensação é a tecnologia mais barata, já que o chumbo é um dos metais mais baratos e o processo de fabricação é simples. Outro ponto positivo é que elas são bastante duráveis e não possuem efeito memória, resistindo a um número muito grande de ciclos de carga e descarga. O uso mais comuns para elas são os carros e outros veículos, mas mesmo dentro da área de informática elas são muito usadas nos nobreaks e em outros dispositivos onde o peso não é um grande problema. Neste caso, temos sempre baterias seladas, que não precisam de manutenção.

Por estranho que possa parecer, baterias de chumbo ácido chegaram a ser utilizadas nos primeiros notebooks. Na época, “portátil” era qualquer coisa com menos de 12 kg, de forma que o peso da bateria de chumbo ácido entrava no orçamento. Um dos últimos desta safra foi o Mac Portable, lançado pela Apple em 1990. Ele pesava 7 kg, mas em compensação tinha até 10 horas de autonomia:

Em seguida temos as Ni-Cad, ficam no meio do caminho entre a alta densidade energética das baterias Li-ion e a ineficiência das baterias de chumbo ácido. Por serem relativamente baratas, elas foram utilizadas em todo tipo de notebooks e aparelhos portáteis em geral ao longo da década de 1990.

A principal característica das baterias Ni-Cad é o temível efeito memória, que ocorre quando a bateria recebe uma seqüência de cargas parciais. A bateria passa a armazenar cada vez menos energia, até que é virtualmente inutilizada.

Isso acontece porque as baterias Ni-Cad são compostas por cristais microscópicos, desenvolvidos para proporcionar uma maior área de contato. Depois de algumas cargas parciais, os cristais começam a se juntar, formando cristais maiores. Quanto maiores os cristais, menor é a área de contato e menos energia a bateria é capaz de armazenar.

As próximas da lista são as Ni-MH. Elas utilizam o níquel como matéria prima básica, mas o cádmio é substituído por uma liga de metais não tóxicos, amenizando a questão ambiental. Elas possuem uma densidade energética cerca de 40% superior à das baterias Ni-Cad.

Outra vantagem é que elas são menos suscetíveis ao efeito memória. Realizar um ciclo completo de carga e descarga é normalmente suficiente para reverter os danos causados por algumas recargas parciais. Por outro lado, as baterias Ni-MH são um pouco mais caras de se produzir e suportam menos ciclos de recarga.

Originalmente, as baterias Ni-MH também demoravam mais para carregar, até o dobro do tempo que as baterias Ni-Cad. Com o tempo, os fabricantes passaram a desenvolver carregadores rápidos “inteligentes”, que interrompem a recarga quando a bateria atinge seu limite, evitando danos.

Embora as Ni-Cad tenham entrado em desuso, sobrevivendo apenas em alguns nichos, as Ni-MH ainda são as mais utilizadas em pilhas recarregáveis, baterias para telefones sem fio e outras áreas “menos nobres”.

Nos notebooks, palmtops e celulares, elas foram quase que completamente substituídas pelas Li-ion e Li-poli, que são a tecnologia usada atualmente.

» Leia mais: Tipos e tecnologias de Baterias

Navegadores móveis: Opera Mini, Safari e Nokia Browser

outubro 6, 2008 – 12:54 pm

Como comentei no post anterior, os navegadores móveis percorreram um longo caminho desde a época do WAP, ganhando suporte aos recursos usados atualmente e interfaces adaptadas às telas reduzidas dos smartphones. Vamos então a uma segunda rodada sobre as opções de navegadores móveis disponíveis, falando agora sobre o Opera Mini, Safari e o Nokia Browser:


OperaMini: A similaridade no nome faz com que o OperaMini seja muitas vezes confundido com o Opera Mobile, mas os dois são produtos completamente diferentes.

O OperaMini é um microbrowser escrito em Java, desenvolvido desde o início com o objetivo de ser portável (de forma a rodar nas mais diversas plataformas com um mínimo de modificações), consumir pouca memória RAM e rodar mesmo nos aparelhos mais simples.

Via de regra, o OperaMini pode ser usado em qualquer aparelho com suporte a Java (ou seja, praticamente qualquer aparelho fabricado de 2003 em diante). A grande vantagem do OperaMini é o uso de um proxy, que comprime o conteúdo das páginas, gerando uma versão simplificada, que é exibida no aparelho. Além de limpar e comprimir o html, ele também se encarrega de reduzir a resolução das imagens, reduzindo brutalmente o volume de dados transferidos.

O uso do proxy é justamente o grande segredo do OperaMini, já que deixa o trabalho pesado a cargo dos servidores da Opera, entregando aos aparelhos uma versão já mastigada das páginas, pronta para ser exibida. Isso permite que páginas complexas sejam exibidas mesmo em aparelhos antigos, com apenas 1 MB de memória, ou menos.

A fim de manter o layout original das páginas, o navegador mostra inicialmente uma miniatura, permitindo que você use o direcional para selecionar a parte da página que interessa e clique para ampliar. Como em outros navegadores móveis atuais, as colunas de texto são redimensionadas de acordo com a resolução da tela, evitando que você precise usar scroll lateral para ler. Isso faz com que ele seja surpreendentemente utilizável mesmo em aparelhos com telas de 176×208, como em muitos modelos antigos da Nokia.

Existe ainda a opção de desativar completamente a exibição das imagens, o que faz com que a maioria das páginas consuma menos de 10 KB de transferência de dados. Isso faz com que o OperaMini seja o único navegador utilizável para quem usa planos pré-pagos, com a infame tarifa de R$ 6 por MB transferido.

Outra opção que pode ser útil é o modo landscape, onde a orientação das páginas muda para o formato paisagem (como nos screenshots anteriores), permitindo que você gire o aparelho e navegue com a tela na vertical, como se estivesse assistindo um vídeo.

Se você navega usando GPRS ou EDGE, o OperaMini carregará as páginas muito mais rápido do que um navegador nativo, simplesmente por que a redução no tempo necessário para transferir os dados compensa o tempo adicional necessário para que os servidores proxy processem a página. Se você está usando uma conexão 3G, o tempo de transferência cai drasticamente, fazendo que ele acabe sendo mais lento em muitos casos, devido ao lag adicional introduzido pelo proxy. O principal fator passa a ser então se você tem ou não um plano de dados ilimitado.

Diferente do Opera Mobile, o OperaMini é inteiramente gratuito e está disponível para download no http://www.operamini.com/. Ele também vem pré-instalado em alguns modelos da Motorola, Nokia e da Sony Ericsson. Existe também um serviço para sincronizar os bookmarks entre o desktop e o smartphone, o Opera Link: http://link.opera.com/


Safari: O Safari é o navegador padrão do OS X, desenvolvido pela Apple com base no código do Konqueror. O trabalho da Apple no Safari deu origem ao WebKit, o framework open-source que é usado como base também para o Google Chrome, o Nokia Browser e também no navegador do Android, o que o torna o terceiro framework mais usado, perdendo apenas para o MSHTML (usado no IE) e para o Gecko, usado no Firefox. Apesar de ser o terceiro, o WebKit tem uma vantagem, que é o fato de ser o único entre os três que é usado de forma bem-sucedida tanto em navegadores para desktop, quanto em navegadores móveis.

Embora o nome seja o mesmo, o iPhone utiliza uma versão reduzida do Safari, diferente da versão completa, usada em desktops. Se comparado com o Nokia Browser usado no S60 3° edição, o Safari leva vantagem devido ao simples fato de que o iPhone utiliza uma tela maior e com o dobro da resolução (320×480 contra 240×320), o que torna a navegação mais confortável. Por padrão, o Safari renderiza uma miniatura, mostrando a página em seu formato original (porém com fontes ilegíveis). A idéia é que você use a miniatura para localizar a informação que procura e ative a função de zoom com um toque sobre a tela:

Por ser um browser tradicional, que baixa toda a página e em seguida a reformata para ser exibida na tela, o Safari consome doses generosas de tráfego. No iPhone original, o uso do EDGE comprometia a velocidade da navegação, mas no iPhone 3G o problema do tráfego foi reduzido, fazendo com que o principal atraso no navegador seja o navegador leva para renderizar a página (um ponto em que o Safari perde para o Opera Mini).

Um ponto que faz com que um volume maior dos usuários do iPhone realmente usem o navegador em comparação com usuários de outras plataformas é o simples fato de que o iPhone é, via de regra, vendido junto com um plano que inclui tráfego de dados, diferente do que temos em outros planos, onde é necessário assinar um pacote separado para dados, ou pagar por megabyte transferido. O suporte a Wi-Fi, incluído desde a primeira geração do iPhone, também ajuda.

Nokia Browser: O Nokia Browser, ou Nokia Minimap Browser é, desde 2005 (quando foi lançada a versão original), o navegador padrão da plataforma S60. Assim como o Safari, ele é baseado no WebKit e permite navegar nas páginas através de uma miniatura, que é exibida automaticamente quando você move a página usando o direcional. As páginas são também reformatadas, de forma que as colunas de texto não fiquem com uma largura superior à da tela e, usando a opção de zoom, é possível redimensionar também as imagens.

Ele é também capaz de gerenciar também feeds RSS (basta usar a opção “Assinar”, disponível no menu ao acessar qualquer página), o que permite que ele assuma também a função de leitor RSS.

Grande parte do código usado para implantar o recurso de renderização das miniaturas no Safari é derivado justamente do código fonte do recurso de minimaps do Nokia Browser, que foi disponibilizado e incluído de volta no WebKit. Este é um bom exemplo de simbiose entre concorrentes que é possibilitada pelo trabalho em torno de um projeto open-source, já que a Nokia se beneficiou do trabalho da Apple no WebKit e, quando chegou a hora de desenvolver seu navegador móvel, a Apple se beneficiou dos recursos desenvolvidos pela Nokia. Mais tarde, foi a vez do Google entrar na dança, com o desenvolvimento do Android.

Alguns atalhos suportados pelo navegador são:

* e # : Aumenta e reduz o nível de zoom, afetando também o tamanho das imagens
0 ou 1 : Mostra o menu dos bookmarks
2 : Busca por texto dentro da página atual
3 : Voltar
5 : Mostra as abas abertas
8 : Mostra a miniatura da página
9 : Barra de endereços